Querida, cheguei


Ford do Brasil deu um tiro certeiro quando decidiu fazer um SUV acessível e criou o EcoSport a partir da plataforma do Fiesta. Era o ano de 2003 e as pesquisas de mercado indicavam que o consumidor brasileiro estava ávido por modelos familiares, altos, com grande área envidraçada, mas com preço atraente ante os importados. Fiat e GM optaram por monovolumes e apresentaram Idea e Meriva, usando a base mecânica de Palio e Corsa, respectivamente. Mas os resultados de venda mostraram que a grande maioria dos consumidores queria mesmo um SUV. A decisão da Ford foi correta.

O EcoSport vendido hoje e a reportagem de MOTOR SHOW que, há um ano, mostrava como seriam suas novas linhas

A experiência foi tão positiva que chamou a atenção da direção mundial da marca. Coube ao Centro de Desenvolvimento de Camaçari, na Bahia (existem oito centros globais espalhados pelo mundo), o desenvolvimento dessa segunda geração do EcoSport. Dentro da fi losofi a One Ford, em que todos os carros deverão ser iguais ao redor do mundo, o New EcoSport é o primeiro modelo global da marca criado na América Latina. Ele será vendido em todos os países emergentes e, no futuro, pode até seguir para a Europa ou para os EUA. Nesses mercados, o que a Ford tem de menor no segmento SUV são os médios Escape e Kuga, criados sob a base do Focus.

Assim como no carro atual, o estepe do novo Eco é fixado à tampa do bagageiro, que abre para a lateral

As linhas criadas pela equipe chefi ada pelo brasileiro João Marcos de Oliveira, juntamente com o egípcio Ehab Kaoud – responsável pelo design da América Latina – são a segunda geração do Kinetic Design, usado no New Fiesta. “O Ecosport se assemelha mais ao novo Fusion. Seus contornos foram traçados depois dos do New Fiesta e têm soluções ainda mais modernas”, explicou Oliveira.

As linhas básicas do New Ecosport foram aprovadas em Londres, por J. Mays, vice-presidente mundial e chefe de design da Ford. Mas o fato é que todos os centros de estilo da marca espalhados pelo mundo acompanharam a evolução do carro em tempo real e deram seus palpites. Em relação ao modelo atual, este novo SUV ficou mais espaçoso. Apesar de as medidas externas se manterem praticamente inalteradas, o entre-eixos cresceu.

História de sucesso

Lançado em 2003, o EcoSport chegou a ser vendido em uma versão 1.0 com compressor. Um fracasso. A Ford entendeu a mensagem e começou a caprichar cada vez mais no acabamento. Chegou o motor 2.0, a tração 4×4, o câmbio automático e, em 2007, a primeira reestilização (abaixo). Em 2010, a Ford apresentou a versão atual. Bem mais sofisticada, tem até um “quê” de Land Rover.

O interior ainda não foi revelado pela Ford, mas o painel deverá se inspirar no do Vertrek

Apresentado à imprensa em Brasília, no mês de janeiro, ainda na forma de um mock-up (peça não funcional em tamanho real moldada em material plástico), o novo utilitário ficou muito bonito, elegante e moderno: linha de cintura alta, grande entrada de ar e faróis afilados. Conforme havíamos antecipado em fereveiro de 2011, as linhas seguiram as do conceito Vertrek. O interior, apesar de ainda não ter sido mostrado oficialmente pela marca, seguirá a mesma tendência do showcar exposto no Salão de Detroit do ano passado. “O objetivo de um conceito é apontar tendências”, despistou Oliveira.

A mecânica do modelo não é mais um mistério. A plataforma, que contém toda a base mecânica (sistema de suspensões, direção e freios), é herdada do New Fiesta. Por enquanto, esse modelo, nas versões hatch e sedã, é importado do México, mas será fabricado no Brasil, em breve, com o Eco, em Camaçari. Para a motorização, a Ford adotará o Sigma 1.6 produzido na cidade paulista de Taubaté. Essa unidade gera 115 cv com etanol e 110 cv com gasolina e tem torque máximo de 16 kgfm, quando abastecida com o combustível da cana. Esse propulsor menor estará disponível na versões de entrada e na intermediária, sempre com câmbio manual.

ECOBOOST: NO FUTURO

Acreditava-se que essa nova geração do EcoSport iria estrear, no Brasil, a família Ecoboost. Esse era mesmo o plano. Mas adaptar o novo motor 1.6 turbo de 165 cv para rodar com etanol é trabalhoso e caro. Por isso, o Ecoboost ficou para uma segunda etapa. O motor, que será produzido na Bahia, chega ao Eco, provavelmente a partir de 2014.

No New EcoSport, design mais fluido e linha de cintura elevada dão um ar de modernidade ao perfil do modelo

Para a configuração intermediária, o New EcoSport oferecerá também, além do motor 1.6, a unidade 2.0 Duratec, que produz 148 cv com etanol e 143 cv com gasolina e tem torque máximo de 19,5 kgfm e 18,8 kgfm, respectivamente. No caso do motor maior, ele poderá vir acoplado à nova transmissão automática, agora com seis marchas. Já o catálogo topo de linha terá motor dois litros, câmbio automático e tração integral. Com essa receita, o Ford ficará compatível a modelos importados, como Captiva, CR-V, Sportage e ix35. Os valores só serão conhecidos no lançamento do carro, que ocorrerá em julho. Ele chega já como modelo 2013 e deverá custar um pouco a mais que o carro comercializado atualmente. Os preços do New Ecosport deverão ficar entre R$ 56 mil e R$ 72 mil. E haverá uma gama de acessórios para personalização do modelo.

Com essa nova geração, a marca tentará neutralizar o Duster. As vendas do Renault ultrapassaram as do Eco imediatamente após seu lançamento. Em parte, essa “lavada” se deve ao fato de o carro da Ford estar em seu ciclo final de vida. Agora, uma nova briga começa.

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