Quero ser rei

FLAVIO R. SILVEIRA

Essa foi rápida. Apresentado como conceito no Salão de Detroit em janeiro, o Honda Urban SUV Concept já ganhou sua versão de produção, que se chamará Vezel. Mas o nome ainda pode mudar, se houver rejeição nas clínicas que a marca vai realizar com clientes no Brasil. No Salão de Tóquio, conferimos de perto como ficou o jipinho urbano, que começa a ser produzido agora no Japão. O Vezel, uma espécie de “mini-CR-V”, é um crossover com ares de cupê, graças às maçanetas das portas traseiras escondidas na colunas. Será fabricado no Brasil em 2015 e terá a missão de enfrentar Ford EcoSport, Renault Duster, Chevrolet Tracker e companhia bela.

A marca não deu ainda nenhuma especificação técnica detalhada do modelo, mas ele parece ligeiramente maior que um EcoSport. Deve ter uns 4,30 metros de comprimento. No interior, surpreendem o ótimo espaço para as pernas de quem viaja no banco traseiro e o acabamento, que, ao menos nessa versão para o mercado japonês, é melhor que o da concorrência (resta ver se será mantido na versão nacional).


A princípio, o Vezel terá só uma opção de motor: o mesmo 1.5 i-VTEC do novo Fit – que chega ao Brasil agora, no primeiro semestre de 2014 –, mas aprimorado com o recurso da injeção direta, que aumentará sua potência e seu torque. Como o motor nacional será flex, os números devem ficar ainda melhores que os do novo Fit japonês – que, já com injeção direta, tem 132 cv e 15,8 kgfm. Por isso, não deve faltar fôlego ao jipinho para enfrentar as versões 1.6 dos rivais. Mas… e as 2.0? Bem, se a Honda achar que esse 1.5 não é suficiente, tem cartas na manga.

Uma primeira opção seria usar também um novo motor 3 cilindros 1.0 que, além da injeção direta, tem turbo. Aceleramos um modelo em desenvolvimento equipado com ele no centro de pesquisas da Honda, no Japão, e vimos que tem fôlego de sobra. Os números – cerca de 135 cv, considerando que se use etanol, e 20,5 kgfm – impressionam. O torque, por exemplo, é melhor até que o da atual unidade 2.0 brasileira. Outra opção, pouco provável, seria usar a versão turbo do 1.5 – que, com mais de 200 cv, deve substituir, aí sim, o 2.0 do Civic da próxima geração. Uma terceira possibilidade seria usar o novo sistema híbrido da marca para ganhar potência (e reduzir ainda mais o consumo), mas isso depende de incentivos do governo. Já o câmbio deve ser o novo CVT já usado no novo Fit japonês (e que provavelmente voltará ao modelo nacional, que não teve CVT na segunda geração). Essa transmissão ganhou conversor de torque para aproveitar melhor a elasticidade do motor i-VTEC, proporcionando saídas mais agradáveis e menor rotação do motor em alta velocidade (reduzindo o consumo).

O Vezel será produzido na fábrica de Itirapina (SP) a partir de 2015. Antes disso, porém – provavelmente no segundo semestre de 2014 –, o modelo começará a ser feito no México, sem o motor flex. Por esse motivo, não deve ser importado para nosso mercado. Então, se você ficou interessado, vai ter de esperar um pouco mais de um ano E até lá, a Ford pode ir se preparando para reagir a essa nova tentativa de tomada da coroa.