Rápidos e desejados

Roberto Assunção

Eles têm propostas e preços até parecidos, mas suas almas são completamente diferentes. O apelo retrô do novo Volkswagen Fusca, o luxo do Citroën DS3 e a racionalidade do Audi A1 fazem desses modelos escolhas bastante distintas. A identificação do consumidor com um ou outro modelo se dá imediatamente, logo que ele olha para a carroceria. Questões sobre o que cada um deles oferece, os motores que eles têm e qual anda mais e melhor, de repente se tornam secundárias. Ficam todas parecendo meros detalhes frente ao apelo emocional. Mas precisamos compará-los. Ainda que seja uma dura missão.

Partindo logo para uma análise fria e racional, o melhor acabamento interno é, de longe, o do DS3. Bancos em couro macio, de primeira linha, peças cromadas de verdade e sofisticação por todos os lados. Seu interior induz à esportividade, não há como negar, mas é belo e refinado. Pelo preço de R$ 79.900, oferece muito mais nesse quesito do que carros de mesmo valor. O novo Fusca custa um pouco menos. Bem acabado, porém mais simples que o rival, com alguns barulhos e ruídos de encaixe no interior, ele custa a partir de R$ 76.600 – ou R$ 80.990 na versão avaliada, com câmbio automatizado DSG. Já o A1, diriam, tem a vantagem da marca Audi. Mas, aqui, isso não o ajuda muito. É mais bem acabado que o Fusca, mas, como ele, fica muito atrás do DS3. Afinal, estamos falando do topo de linha da Citroën contra o carro de entrada da Audi e, aí, não há etiqueta que resolva. E, claro, é o mais caro do comparativo, com preço sugerido de R$ 109.900.

A grande atração do Audi, nessa versão Sport, está no conjunto mecânico: um premiado motor 1.4 com dupla sobrealimentação (compressor e turbo) que mostra fôlego em todas as faixas de rotação e é acoplado a um câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas eficiente e moderno. São 185 cv e 25,5 kgfm, que fazem o carrinho voar na estrada e garantem acelerações e retomadas impressionantes para um motor tão pequeno. O novo Fusca, com câmbio também automatizado de dupla embreagem, mas com seis marchas (a versão manual de seis marchas ainda não está disponível) e motor 2.0 turbo de 200 cv, é o mais potente do comparativo. Sua competência em retomadas é enorme: o motor trabalha manso e em silêncio, mas basta provocá-lo pelo acelerador para que a reação seja imediata. É muito prazeroso, na estrada e na cidade. Já o DS3 fica um pouco atrás nesse quesito, com seu conhecido 1.6 turbo de 165 cv e sua transmissão manual de seis marchas. Mas não é menos competente: suas retomadas também impressionam e, apesar de seu volante com assistência elétrica não ser tão preciso quanto o eletro-hidráulico do Volks, é um esportivinho encantador.

Na verdade, apesar das diferenças, os três têm desempenho semelhante. Todos são equipados com motores turbinados modernos, praticamente sem turbo lag, suspensões que privilegiam a esportividade e um consumo de combustível bastante moderado – quando usados com parcimônia. Na prática, as diferenças impostas pela frieza dos números de desempenho e torque parecem bem menores. O valente Fusca acelera de zero a 100 km/h em bons 7,3 segundos, exatamente o mesmo tempo marcado pelo DS3. Claro que no Citroën, com câmbio manual, o resultado vai depender muito mais da perícia do piloto, mas isso pode até ser considerado uma diversão extra em um carrinho que aposta na esportividade. O A1, menor e com sua eficiente transmissão com uma marcha a mais, cumpre a prova em menos tempo: são apenas 6,9 segundos para atingir 100 km/h. Na máxima, o Fusca chega aos 210 km/h, o DS3 alcança 219 km/h e o A1 vai além, marcando até 227 km/h.

Na dinâmica, mais uma vez temos um empate. Os três são muito competentes em fazer curvas, mas o Citroën cobra um preço mais alto para isso. Suas suspensões sofrem mais em nossas ruas esburacadas e repassam esse sofrimento todo para as costas dos ocupantes. Os alemães filtram as imperfeições (o Audi é ainda melhor nisso) e conseguem ser equilibrados em curvas sem maltratar quem está a bordo. Como são modelos pequenos e urbanos e tendem a ser usados por muitas horas na cidade, esse é um ponto importante que pesa contra o Citroën. Talvez, racionalmente, seja o único ponto.

No fim das contas, os três têm desempenho e comportamento muito semelhantes e o DS3 é mais completo, mais bem acabado e mais barato quando equiparado em itens. Seria então a melhor compra? Não é assim tão simples. A escolha de um carro como esse não é puramente racional. Envolve critérios subjetivos e emocionais, como disse no início da reportagem. O Fusca tem um design belíssimo, a aura que envolve seu nome e sua história e é um carro mais sóbrio e mais confortável para o dia a dia – sem, com isso, perder o caráter esportivo. O A1 tem o peso da marca Audi, e tudo o que isso representa em termos de status e tecnologia construtiva, e números de aceleração e velocidade máxima um pouco melhores. Enfim, uma decisão difícil. Mas há algo prático que vale a pena ser considerado antes de bater o martelo: o quanto custa manter cada um deles .

O dono de um A1 terá que fazer visitas mais frequentes à concessionária e gastará cerca de R$ 11,30 a cada 100 km rodados (veja tabela completa nesta página). Já o proprietário do DS3 terá uma despesa bem menor para a mesma quilometragem: R$ 4,73. O dono do Fusca, segundo a Volkswagen (porque os preços ainda não estão disponíveis nas concessionárias) gasta menos ainda: cerca de R$ 3,32 por cada 100 km. O pacote de peças de reposição tem ainda uma grande vantagem para o DS3, assim como o seguro – no melhor perfil. Se você não se importa com custo benefício, fique com o carro que mais te agradou, seja pelo desenho, pela marca ou pelo que ele oferece. Se acha que emoção deve andar de mãos dadas com a razão, vá de Citroën DS3: ele oferece o mesmo por um preço mais atraente.

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