Receitas distintas


As versões mais caras do Civic e do Corolla não são as mais vendidas. Sedãs médios são mais procurados na faixa de R$ 55 mil a R$ 75 mil. Os catálogos top de linha dos modelos da Honda e da Toyota já foram comparados, em outras edições de Motor Show, a modelos maiores.

E não se deram bem. Passando dos R$ 80 mil, dá para trocar os japoneses 1.8 e 2.0 por modelos maiores e mais potentes. Dá para ter um carro mais espaçoso ou que dê mais status, que ofereça mais tecnologia ou exclusividade. De Malibu a Sonata, passando por Accord, são várias as opções.

Partindo desse princípio, o recém-lançado Jetta Highline (R$ 89.520) teria tudo para levar a pior se comparado a qualquer modelo grande que custe algo na faixa dos R$ 85 mil. Afinal, com 4,64 metros de comprimento, o Volkswagen é maior que alguns médios, mas ainda assim um médio. De qualquer forma, resolvemos colocá-lo à prova. O Ford Fusion (R$ 83.660) foi nosso escolhido porque tem se saído melhor na relação custo/benefício e, por consequência, nas vendas. O Ford é mais barato e ainda 20 centímetros maior que o desafiante. Será que estamos prestes a assistir a um massacre da novidade alemã?

Ford Fusion SEL

Motor quatro cilindros em linha, 2,5 litros, 16V, comando variável Transmissão automática, seis marchas, tração dianteira Dimensões comp: 4,84 m – larg: 1,83 m – alt: 1,44 m Entre-eixos 2,728 m Porta-malas 530 litros Pneus 225/50 R17 Peso 1.520 kg Gasolina Potência 173 cv a 6.000 rpm Torque 22,9 kgfm a 4.000 rpm Vel. máx. 180 km/h (limit.) 0 – 100 km/h 9s9 Consumo cidade: 9,2 km/l – estrada: 14,4 km/l Consumo real cidade: 7,1 km/l – estrada: 10,2 km/l

O interior do Fusion revela sua alma de sedã americano. Muito conforto, vários ajustes elétricos, porta-objetos de muitos tipos e luzes que mudam de cor. O comportamento dinâmico também não nega sua origem

O espaço e o conforto disponíveis no banco traseiro são iguais nos dois. Mas, no caso de um terceiro ocupante viajar atrás, no Fusion ele ficará mais feliz, graças ao menor túnel da transmissão e à carroceria mais larga. Porém, o Volks reserva outros trunfos para conquistar o consumidor. Com o motor 2.0 de 120 cv das demais configurações (leia comparativo anterior), não se diferenciaria muito dos outros médios e a vitória do Fusion seria realmente fácil. Mas essa versão “cara” mostra um premiado motor turbo com injeção direta de 200 cv e um moderníssimo câmbio manual automatizado com seis marchas e dupla embreagem. O mesmo powertrain do atual Audi A3 Sport. E ele tem ainda uma excelente suspensão traseira independente, exclusiva dessa versão e mais firme que a média.

Ou seja, este Jetta tem esportividade em altíssima dose. Aprimora a principal característica da geração anterior. Estou falando de zero a 100 km/h em cerca de sete segundos e máxima de 238 km/h. De um motor com torque de 28,5 kgfm, estável entre 1.700 e 5.000 rpm, que responde com vigor em todas as situações. De um câmbio automatizado com trocas tão rápidas que mesmo que você opte pelo modo manual, se confunda com as borboletas no volante e escolha a marcha errada, salva a situação antes mesmo que você possa perceber. E tudo sem nenhum tranco, graças às duas embreagens.

VW Jetta Highline

Motor quatro cilindros em linha, 2,0 litros, 16V, comando variável, injeção direta, turbo Transmissão manual automatizada, seis marchas, dupla embreagem, tração dianteira Dimensões comp: 4,64 m – larg: 1,78 m – alt: 1,47 m Entre-eixos 2,651 m Porta-malas 510 litros Pneus 225/45 R17 Peso 1.375 kg Gasolina Potência 200 cv a 6.000 rpm Torque 28,5 kgfm de 1.700 a 5.000 rpm Vel. máx. 238 km/h 0 – 100 km/h 7s3 Consumo cidade: 11,5 km/l – estrada: 14,8 km/l Consumo real cidade: 8,9 km/l – estrada: 10,9 km/l

O novo Jetta mantém a racionalidade alemã. O painel é limpo, sóbrio e o interior não mima demais seus ocupantes. Não que falte conforto, mas o que interessa aqui é o comportamento esportivo, exemplar

O ótimo conjunto motriz do Fusion, com câmbio automático de seis marchas e motor 2.5 com 173 cv, de repente, não parece mais tão bom. Reclamo do câmbio que não permite trocas sequenciais e da força máxima que só vem a 4.000 rpm, dos dez segundos para chegar aos 100 km/h. São efeitos de dirigir o Jetta. E faltou dizer que seu volante é mais preciso e responde mais prontamente (apesar de os dois terem assistência elétrica, o do Fusion é mais leve). E, ainda, que sua suspensão permite curvas mais rápidas e sem sustos e que seus bancos mais esportivos “vestem” melhor o corpo do motorista.

O câmbio automatizado com dupla embreagem do Jetta é identificado pela sigla DSG na alavanca

Se você gosta de esportividade, portanto, o Jetta é seu carro. Em nome do prazer ao volante, você não ligará que seja mais desconfortável em ruas esburacadas e tenha bancos menores. Não se importará em saber que o ajuste elétrico do banco do motorista é opcional, enquanto motorista e passageiro, no rival, têm o mimo de série. Não ficará decepcionado por ter menos alto-falantes e não contar com o monitor de pressão dos pneus (leia tabela). Por outro lado, se conforto é prioridade, você ficará melhor com o Fusion. Se acha que mais importante do que acelerar como poucos é rodar suave, se isolar dos buracos e ter mais couro espalhado pelo interior, o Ford é sua opção. Contra a receita alemã do Jetta, o Fusion é um típico americano. Dos bons. Você decide.

S= Item de série / N= Item não disponível / O= Item opcional

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