07/08/2026 - 12:17
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores ) apresentou os números consolidados do setor automotivo em julho de 2026. O grande destaque é recorde de vendas de elétricos e híbridos, que foram quase um quarto do mercado em julho, acumulando alta de 120,8% nos primeiros sete meses do ano e fazendo as importações da China — principal fonte destes eletrificados — dispararem.
A produção brasileira de autoveículos acumulou alta de 8,3% nos primeiros sete meses do ano, posicionando o Brasil na segunda colocação em crescimento de produção mundial, atrás apenas da Índia (+14,5%) e superando polos como Japão (+2,9%), China (-4,0%) e Estados Unidos (-11,7%).
Em julho, foram fabricados 253,9 mil autoveículos nas plantas nacionais — avanço de 3,1% frente a junho e de 5,9% na comparação com julho de 2025.
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Emplacamentos batem recorde no ano, mas média diária desacelera
O mercado consumidor registrou o melhor mês do ano em volume total de emplacamentos, atingindo 279,5 mil autoveículos comercializados (alta de 2,6% sobre junho e de 14,9% frente a julho de 2025). No acumulado de 2026, o setor já supera 1,7 milhão de unidades vendidas, uma expansão de 17,9%.
Apesar do volume recorde impulsionado pelos 23 dias úteis de julho (dois a mais que junho), a média diária de vendas recuou de 12,4 mil para 12,2 mil unidades por dia. Ainda assim, o ritmo é considerado forte e mantém a projeção anual da Anfavea de fechar 2026 com crescimento de 12,1% nas vendas internas.

Eletrificados em alta recorde e o peso dos importados
Os veículos eletrificados (na conta da Anfavea, diferentemente dos dados da ABVE, os MHEV entram como híbridos, e se somam a eles e aos 100% elétricos) alcançaram participação recorde de 23,5% de todas as vendas do país em julho — há um ano, o segmento não atingia 11%. O crescimento acumulado da categoria em 2026 é de 120,8%. Apenas os elétricos puros (BEV) registraram 25,8 mil emplacamentos no mês, o maior volume mensal da série histórica.
Entretanto, esse avanço é puxado majoritariamente por modelos importados. Nos sete primeiros meses do ano, o Brasil recebeu 344,1 mil veículos de fora — salto de 25,7% ante o mesmo período de 2025. Os embarques vindos da China mais do que dobraram (+105,4%), enquanto os do México cresceram 23,8%.
“Esse volume de quase 350 mil importados é maior do que a produção no período da maioria das fábricas das nossas associadas. Isso indica que poderíamos estar gerando mais demanda para nossas fábricas, fornecedores e mais empregos locais”, alertou Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Exportações em queda e cenário nos comerciais pesados
Se a entrada de importados disparou, as exportações brasileiras seguem pressionadas. Apesar de uma alta pontual de 6,8% em julho (39,3 mil unidades embarcadas), o acumulado do ano registra queda de 20,8%, impactado principalmente pelo tombo de 35,4% nos envios para a Argentina.
Nos segmentos pesados:
Caminhões: Apresentaram o melhor mês do ano em julho com 11,7 mil emplacamentos, impulsionados pelos financiamentos do programa federal Move Brasil. O acumulado do ano (60,6 mil unidades) ainda é 7,2% menor que em 2025, mas mostra trajetória firme de recuperação.
Ônibus: Enfrentam o pior desempenho da indústria em 2026, acumulando retração de 10,7% (12,5 mil unidades), decorrente de entraves na execução do programa Caminhos da Escola. A expectativa da indústria se volta para a feira Lat.Bus para reaquecer os negócios do setor.
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