O Boreal é um daqueles carros que acompanhei desde os primórdios: planos da Renault em criar um SUV médio, as primeiras mulas de teste, a revelação do nome, a apresentação estática inicial, e, por fim, o lançamento definitivo. E, recentemente, chegou a hora de tê-lo como meu companheiro por 1 semana, na versão Iconic topo de linha, que custa R$ 215 mil. A linha começa nos R$ 180 mil com a Evolution. 

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O carro, no geral, cumpre o que promete: é bonito, bem espaçoso, cheio de equipamentos interessantes, motorização que não deve aos rivais, e convence pelas cifras que custa. Mas, passando sete dias a bordo dele, tive impressões mais específicas…digamos assim. Veja 5 pontos negativos e 5 positivos sobre o SUV: 

Pontos positivos 

Renault Boreal Iconic 2026 – Foto: Lucca Mendonça

1 – Design 

O Boreal agrada bastante gente que o vê. Aposta em linhas mais dinâmicas e esportivas, sem aquela moda arredondada e limpa dos chineses, por exemplo. Detalhes dessa versão Iconic, como rodas diamantadas, apliques cromados e afins, ajudam no conjunto da obra. Por dentro, lembra o estilo do Megane E-Tech, com uma dupla bonita de telas, console central elevado, e um mix bacana de cores, formatos e texturas. Tem o melhor acabamento dentre os Renault nacionais. 

Renault Boreal Iconic 2026 – Foto: Lucca Mendonça

2 – Dinâmica 

Ele dispensa suspensões independentes ou eixo traseiro com fixação multibraço, que tendem a melhorar seu comportamento em curvas rápidas, por exemplo. Ainda assim, surpreendeu na dinâmica de condução: é comportado e trafega em linha reta nas altas velocidades, faz curvas com segurança e alto controle, não inclina tanto nos desvios bruscos de trajetória (mesmo tendo alto centro de gravidade), e também freia sem sustos, mesmo em regime de máxima exigência. 

3 – Ergonomia e espaço 

Renault Boreal Iconic 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Tem amplos ajustes de bancos e coluna de direção, inclusive permitindo diferentes postos de condução: é possível ficar baixo como num sedan, ou alto como numa picape, de acordo com a altura do assento de quem dirige. As telas são grandes, com informações visíveis, e a multimídia voltada para o motorista facilita sua operação e leitura. Console central alto e uma enorme quantidade de porta-trecos são outros fatores que agradam.  

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O espaço interno do Boreal, que nasceu como Dacia Bigster na Europa (passou por várias mudanças para virar Renault, vale falar), faz jus ao seu tamanho espichado: apesar de não ser tão largo, acomoda dois adultos e uma criança no banco traseiro com tranquilidade, sobrando espaço mesmo para passageiros de maior estatura (seja no teto ou para as pernas). Na dianteira, há um vão bom também para pernas e pés de motorista e copiloto, enquanto as portas traseiras enormes facilitam o entra-e-sai de quem viaja atrás. 

Renault Boreal Iconic 2026 – Foto: Lucca Mendonça

4 – Porta-malas 

Tal qual na folga para os ocupantes, o Boreal também é espaçoso para as malas, com 522 litros declarados (VDA). Além da tampa elétrica presencial, com abertura bem silenciosa perante rivais, o porta-malas do Boreal tem dois andares configuráveis, alavanca para reclinar os bancos traseiros e tampão retrátil, itens práticos num SUV. O espaço é mais longo e alto, mas não tão largo, também por questões de acabamento interno.

Renault Boreal Iconic 2026 – Foto: Lucca Mendonça

5 – Conteúdo de série 

É o Renault mais recheado já feito no Brasil. Tem desde um pacote ADAS completão (e pouco invasivo, o que é ótimo), teto-solar panorâmico, sistema de som Harman Kardon (surpreendeu pela fidelidade), bancos em couro com ajustes elétricos e massagem para o motorista, câmeras 360º, sistema de estacionamento semiautônomo (Park Assist), tampa do porta-malas elétrica presencial, ar digital automático dual zone (controlado só pela central, um vacilo), luzes ambientes em LED personalizável, multimídia com internet nativa e funções Google (Maps, Assistente de Voz e Play Store), entre outros luxos. Alguns deles, nem os chineses mais caros trazem… 

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5 pontos negativos 

1 – Casamento de motor e câmbio 

Um bom motor, e um bom câmbio, mas que não estão num casamento tão harmonioso assim. O 1.3 turboflex (até 163 cv e 27,5 mkgf) é torcudo e responsivo, enquanto a caixa de dupla embreagem e seis marchas aposta nas relações longas, compensando a ausência de mais velocidades. Vez ou outra, ficam num dilema de reduções desnecessárias ou marchas passadas em momentos indevidos (como em subidas íngremes, por exemplo), e assim ele perde pontos na suavidade de condução. A caixa DCT também é craque em dar trancos em baixas velocidades, especialmente manobras. Ela e o motor 1.0T do Kardian convivem mais felizes. 

Renault Boreal Iconic 2026 – Foto: Lucca Mendonça

2 – Consumo  

Com vários modelos híbridos nessa faixa de preço, o Boreal, sem eletrificação, pode entregar médias de consumo mais altas. Em especial quando queima etanol, combustível que não parece cair tão bem nesse 1.3 turboflex (com gasolina ele trabalha mais suave, inclusive). Queimando o derivado da cana, o marcador de combustível do SUV médio da Renault baixa com rapidez: fez cerca de 8,5 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada, números que cresceram para quase 12,5 km/l e 15,0 km/l com gasolina, respectivamente. O tanque, com 50 litros, merecia ser maior. 

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3 – Central completa, mas confusa 

Essa nova safra de multimídias da Renault tem interface bonita, colorida, e com telas mais quadradas, que fogem dos enormes retângulos da concorrência. Porém, no Boreal, o excesso de funcionalidades na central acaba pedindo vários menus, submenus e seletores, que acabam confundindo o motorista durante o uso. Ainda há alguns acessos pouco práticos, como o de ajustes do som, feitos só pela página de reprodução de áudio, e não pelas configurações, como é comum. Já a instrumentação digital não tem muitas configurações, então não dá trabalho para mexer.

Renault Boreal Iconic 2026 – Foto: Lucca Mendonça

4 – Suspensões 

Além de um acerto que faz o SUV pular um pouco mais do que deveria nos pisos ruins, as suspensões traseiras do Boreal fogem à regra no segmento: são por eixo de torção, mesma construção de hatches pequenos ou carros de projeto mais simples. Nessa faixa de preço, todos os seus rivais apostam no conjunto independente nas quatro rodas, com eixo traseiro multilink, solução que privilegia conforto e dirigibilidade, principalmente. Em sua defesa, o eixo de torção é construtivamente mais resistente e apto a encarar a buraqueira. E, nessa missão, ele se dá bem: é um carro nitidamente robusto para nosso piso. 

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5 – Sete lugares?  

Sim! Pelo enorme porta-malas do Boreal, ele acomodaria tranquilamente uma terceira fileira de dois assentos lá no fundão, criando um SUV médio de sete lugares que poderia muito bem peitar os Jeep Commander de entrada, por exemplo. O projeto do seu irmão europeu Dacia Bigster, inclusive, já previa isso, mesmo que por lá também não existam versões com três fileiras de assentos. Ainda assim, por aqui, seria uma proposta interessante para o Boreal. 

Renault Boreal Iconic 2026 – Foto: Lucca Mendonça