Renault Sandero R.S.: esportivo a preço de hatch premium

"Nesse mundão repleto de esportivos ''fakes'', a Renault oferece o Sandero R.S., um verdadeiro esportivo a um preço que o consumidor médio pode pagar"

Silvana Rasera Mendonça

No passado, quando as fábricas chamavam um modelo de esportivo, investiam não apenas em diferenciação estética, mas também em uma mecânica mais bem elaborada, para melhorar o desempenho e o comportamento dinâmico. Mas de uns 15 anos para cá, a maioria das marcas preferiu economizar dinheiro em engenharia e investir apenas no visual. Uma pena, pois o espírito da esportividade foi se perdendo nos carros finamente decorados, mas que na realidade tinham o mesmo desempenho dos seus irmãos comuns. Nesse mundão repleto de esportivos ”fakes”, a Renault oferece o Sandero R.S., um verdadeiro esportivo a um preço que o consumidor médio pode pagar: R$ 63.750.

A marca francesa entendeu que essa versão esportiva é, na realidade, uma maneira de tornar a imagem do Sandero mais jovem, tecnologicamente mais avançada e que, graças a sua aparência descolada, pode tornar o hatch em um sonho de consumo do público. Com pitacos da divisão esportiva Renault Sport (de onde vem a sigla R.S.), a marca equipou seu popular hatch com um motor 2.0 16V de 150cv e que desenvolve um torque máximo de 20,9 kgfm, acoplou a esse motor um câmbio manual de 6 marchas com relações esportivamente curtas, além de freios mais potentes e com discos também nas rodas traseiras.

Desempenho

Nas suspensões, molas mais curtas e firmes, além de amortecedores mais rígidos. Os importantes controles de estabilidade e tração também estão presentes. As rodas de 17 polegadas calçadas com pneus 205/45 que equipam o carro das fotos custam R$ 1.000 e são o único opcional da versão. Com essas rodas e as molas mais baixas, o Sandero R.S. além da esportividade da aparência, tem um desempenho superior aos das versões normais em curvas, índice melhorado também pelo centro de gravidade mais baixo. Só para constar: o esportivo acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 8 segundos e atinge uma velocidade máxima um pouco acima dos 200 km/h. Para quem gosta de esportividade, um prato cheio.

Essa esportividade fica ainda mais perceptível observando o interior do carro. Os bancos, exclusivos do modelo, possuem salientes apoios lombares e para as pernas, que dão firmeza à motorista e passageiro nas curvas. Os bancos dianteiros têm ainda faixas decorativas vermelhas, acentuando a proposta de alta performance do carro. Outro destaque no interior é o volante com desenho diferenciado e empunhadura com melhor pegada, herdado do Clio R.S. vendido na Europa. O painel de instrumentos é praticamente idêntico ao resto da linha Sandero/Logan, com exceção da grafia exclusiva da versão.

Um detalhe de destaque bem interessante dessa versão esportiva do Sandero é o seletor de modos de condução, localizado no console e que é identificado pela sigla R.S. Quando ativado, dá ao hatch um comando de acelerador mais sensível, com respostas mais prontas do motor, e sobe a marcha lenta em 200 rpm para apressar ainda mais as respostas do propulsor em uma arrancada mais nervosa. Quando esse botão R.S. é pressionado pela segunda vez por alguns segundos, é ativado o modo Sport+ onde são desligados os controles de estabilidade e tração. Nessa fase, o Sandero R.S. fica totalmente por conta do piloto que o conduz, como um carro de corrida.

Equipamentos

Externamente, além das vistosas rodas de 17” com pneus perfil 45, o Sandero R.S. tem detalhes externos que o destacam da manada. Retrovisores com pintura diferenciada da carroceria, luzes diurnas de LED, dupla saída de escapamento, faróis e lanternas escurecidos e detalhes nos para-choques com cores contrastantes da carroceria. É bom destacar que o carro das fotos é um exemplar da edição Racing Spirit, limitada em 1.500 unidades e que devido a alguns acessórios adicionais, tem seu preço majorado para R$66.750.

A exemplo do que foram Dodge Charger R/T e Chevrolet Opala SS6 nos anos 70; Gol GT e Escort XR3 nos anos 80 e Gol GTI e Kadett GSI nos anos 90, foi só em 2015 que a Renault veio resgatar essa velha e saudável essência esportiva em um carro que, além desse espírito das competições, trouxe junto um preço acessível de um carro com uma tecnologia construtiva diferenciada dos demais modelos da linha, a exemplo do que ocorria no passado com nossos grandes esportivos.

Se você não gosta de suspensão áspera e ruidosa, volante de direção mais pesado, pedal de freio mais duro, câmbio com muitas marchas que requerem trocas constantes e valoriza muito o baixo consumo de combustível, esqueça o R.S., pois ele foi feito para quem curte a arte de pilotar, sentindo o carro nas mãos, o motor sob o acelerador e a firmeza de uma boa suspensão nas curvas velozes. Esse é o verdadeiro espírito esportivo que o Sandero R.S. abraçou com competência.