Restaurar um carro: quanto custa e quanto ele pode valorizar

Modelos dos anos 70, 80 e 90 hoje estão na moda e muitos curtem passear com um carro de época novinho aos finais de semana com a família

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Normalmente quando se fala em carros restaurados logo se pensa em custos altíssimos e preços proibitivos para o grande público. Mas não é bem assim. Hoje já existem oficinas conceituadas que podem fazer um bom trabalho a um preço acessível e que, em muitos casos, pode até mesmo ser parcelado. Um bom negócio principalmente se considerarmos a boa valorização que o carro restaurado acaba recebendo. Modelos dos anos 70, 80 e 90 hoje estão na moda e muitos curtem passear com um carro de época novinho aos finais de semana com a família. Um charme!

Vários são os motivos que podem levar uma pessoa a restaurar um carro. Na maior parte das vezes, esse motivo é de ordem afetiva: a pessoa tem boas lembranças daquele modelo de carro de quando era jovem ou criança; às vezes, é um carro que está na família há muito tempo e foi comprado na época por um parente querido que já se foi e, em outras ocasiões, o carro era simplesmente um sonho da adolescência ou da juventude em que o homem maduro de hoje pode realizar. Claro que há aqueles que fazem a restauração simplesmente por investimento, para ganhar 25% ou até 50% daquilo que investiu na restauração do carro. Mais esses são minoria. Finalmente há aqueles que restauram para colecionar. Estes não vendem, não dão e não emprestam suas joias colecionáveis a ninguém. Sequer usam o carro para dar uma voltinha com medo que os estraguem. São esses que preservam a história intacta.

Conversamos com o Rodolpho da Auto90, telefone (11) 97211-0090, uma das empresas especializadas desde a revitalização até a mais completa restauração de carros nacionais dos anos 70, 80 e 90. O profissional, que lida com a área comercial da oficina Auto90, sediada na cidade de Cotia, nos arredores da cidade de São Paulo, me explicou que uma revitalização de um carro em médio estado de conservação, que possua todas as suas peças originais e com a lataria e a pintura em razoável estado de conservação, custaria ao redor dos 5 mil reais para se transformar em um carro utilizável para passeios e encontros. Um carro em estado ruim de conservação, necessitando de reparos de funilaria completa com pintura, recuperação de tapeçaria e mecânica, para ficar completamente restaurado, custaria algo ao redor de 25 mil reais.

Na média, o profissional da Auto90 me explicou que a restauração de um carro em médio estado de conservação custa entre 10 mil reais e 15 mil reais. Mas garantiu que os carros ficam novinhos e em perfeitas condições de uso para passeios, utilizações em dia de rodízio e para encontros e exposições de carros de época. Não chega a ser um custo exorbitante, principalmente se considerarmos que o veículo assim restaurado terá um valor de revenda surpreendentemente superior, normalmente 50% superior ao que valia antes da restauração. Rodolpho nos explicou também que hoje a grande maioria de seus clientes é de pessoas que trazem carros dos seus pais ou avós, que estão na família desde novo ou seminovo e que, por questões afetivas, a família resolve investir na recuperação em lembrança ao parente querido, ou até para fazer uma surpresa a esse parente quando ele ainda está vivo. Por isso, os carros restaurados não são grandes ícones nem tampouco esportivos de época que vão se valorizar, mas simples Passat LS, 147L ou Chevette, todos com grandes histórias nas famílias.

Há ainda um jeito mais barato de trazer de volta esses acervos de família. A diferença é que, ao invés de se fazer uma restauração, algumas oficinas se limitam a fazer uma reforma. A grande diferença é que na restauração recupera-se toda a originalidade do carro no dia em que ele saiu da concessionaria, novinho em folha. Todos os detalhes são levados em consideração, principalmente a cor da carroceria, a cor dos bancos e seus materiais, e detalhes como rádio, rodas, calotas e para-choques. Nas reformas, as oficinas costumam deixar tudo novinho, mas utilizam para isso peças que encontram no mercado e que nem sempre são aquelas daquele ano do carro. O carro fica novinho, mas parecendo uma colcha de retalhos, pois tem para choques de um ano, bancos com padrão de outro ano, com cor de carroceria de uma outra época e por aí vai.

Carro restaurado e carro reformado são novinhos. Mas é bom lembrar que o restaurado tem um valor muito maior de revenda por sua originalidade, enquanto o carro reformado vale apenas por ser um carro usado em bom estado de conservação. É claro perceber que não é a mesma coisa. Acredito que na rua o restaurado desperte muito mais os suspiros de quem o vê passando do que o reformado, que vai ser visto como um carro antigo descaracterizado, mas em bom estado de conservação. Ele é apenas mais um na manada e nem de longe tem o charme e o apelo de um carro restaurado. Você já se imaginou dentro de um Gol GTi 89 ou em um Passat Pointer 86, por exemplo, ambos cheirando a novo, dando um passeio? Eu tenho a certeza de que todos os olhares estariam voltados ao seu carro, qualquer que fosse os outros ao seu redor.

Não deixe de ler o meu blog “Carros e Causos” no site Autopapo.

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