Retorno da lenda

DODGE CHALLENGER R/T US$ 30.545

Derrotar o Mustang. Essa era a missão do Challenger quando foi lançado em 1970. Na época, os muscle cars eram uma febre nos EUA e a Dodge já brigava no segmento com o Charger, mas a ideia era ampliar a oferta da marca. Só que por ser mais leve, e possuir os mesmos motores do Charger, ele obtinha melhor performance e logo começou a ofuscar o brilho do irmão mais velho. Mas as leis de emissão de poluentes da época restringiram o uso dos grandes motores e o carro morreu com quatro anos de mercado. Virou uma lenda.


Quase 40 anos depois, estamos em Detroit, a bordo do novo Challenger R/T. A oportunidade de pilotar um mito é emocionante, mais ainda quando ele renasce sobre a moderna plataforma do Chrysler 300 C. Sob o capô, um motor Hemi (com o mesmo conceito de câmara hemiférica dos anos 70) com 5,7 litros, 376 cv e 57 kgfm de torque (o modelo original tinha 7 litros e 425 cv). Isso com o câmbio manual de seis marchas. Já o modelo com transmissão automática de cinco marchas oferece “apenas” 372 cv e 56,7 kgfm, mas garante o conforto dos carros americanos. Para mim, nada melhor do que poder acelerar à vontade sem me preocupar com a mudança de marcha, mas sei que essa não é a opinião de todo mundo.

É chegada a hora de acelerar. O carro é enorme, mas as linhas nostálgicas garantem uma boa primeira impressão. A bordo, os bancos parecem poltronas de tão largos. Os passageiros de trás carecem de espaço para as pernas, embora os bancos sejam muito confortáveis. O painel tem uma mistura interessante entre o novo e o antigo. Os medidores são redondos, como na versão original, mas as saídas de ar têm um toque atual, e o GPS me faz lembrar que, apesar do design, estamos em um carro de 2009 muito moderno. Isso fica claro na hora da partida, que é feita por botão desde que a chave esteja dentro do carro.

Acelero. O motor responde com o ruído altíssimo e a força bruta dos V8 americanos. Com o pé direito no fundo, fica impossível não colar no banco. Não demora mais do que seis segundos para que eu esteja a 100 km/h. A sensação é boa. A suspensão é de um legítimo esportivo e garante bom comportamento nas curvas. A tração é traseira, como no original, e as reações não assustam. A direção é precisa e responde prontamente, já a visibilidade é prejudicada pelas janelas pequenas. É preciso cuidado com pontos cegos.

O Challenger ainda é um esportivo de respeito e, agora, muito seguro. Além de ter recebido cinco estrelas na prova de crash teste, possui 25 equipamentos de segurança, entre os quais airbags laterais, ABS e ESP. Saber disso, inclusive, me garantiu alívio para acelerar este superesportivo nas ruas cobertas de neve de Detroit. E pensar que essa joia custa a partir de US$ 22 mil nos EUA. No Brasil, que esportivo custa R$ 73 mil?

Com frente pequena, faróis duplos e carroceria com linhas que fazem lembrar músculos, o Challenger atual lembra muito o modelo dos anos 70. Mas a bordo, apesar dos instrumentos circulares como os do original, há muita modernidade: bancos concha, GPS e partida sem chave