09/05/2026 - 8:30
A cobertura “tradicional” do Salão de Pequim 2026, com os poucos do mais de 1.400 modelos exibidos na maior mostra automotiva do mundo, já mostramos aqui. Agora é hora de conferir algumas das muitas curiosidades, carros-conceito e modelos que são exclusivos do mercado chinês (ou chinês e europeu, como os da marca Xpeng, que adoraríamos ver por aqui).

Selecionamos alguns dos atrativos que conseguimos ver em nossa rápida visita ao Salão de Pequim antes da ida a Wuhu, sede da Chery International, onde tivemos acesso aos planos e tecnologias da Omoda & Jaecoo, marca que vem crescendo rápido no Brasil e tem planos de fábrica e motores e sistemas híbridos flex que estão muito perto de virar realidade (leia mais aqui). Mas, voltando à China, veja abaixo os modelos que estamos “perdendo”.
Pavilhão da Chery no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
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Exeed X Concept (ou VX)
Exeed X Concept no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
Aposta de luxo da Chery, este SUV é construído sobre a plataforma M3X Mars 2.0 e utiliza um motor 2.0 Turbo GDI que entrega 261 cv e 400 Nm de torque. O foco total está no refinamento interno: o cockpit utiliza materiais nobres como couro Nappa e folheados de madeira real, integrando uma impressionante “super-tela” tripla com resolução 2.5K. Ele traz tecnologias de condução autônoma de Nível 2.5, visando competir diretamente com os SUVs de luxo europeus em termos de acabamento e presença.
XPeng MONA M03
XPeng MONA M03 no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
Este sedã elétrico foi desenhado para o público jovem e estabeleceu um novo recorde mundial: é o carro de produção mais aerodinâmico do mundo, com um coeficiente de arrasto (Cx) de apenas 0,194. Essa eficiência extrema permite que ele extraia o máximo de autonomia de baterias menores, barateando o custo final. Ele utiliza inteligência artificial avançada para comandos de voz e entretenimento, sendo o primeiro fruto da colaboração da XPeng com a gigante de transportes DiDi (a Uber chinesa).
Hyundai Ioniq 5
Hyundai Ioniq V no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
Ícone retrô-futurista e vencedor do World Car of the Year, o Ioniq 5 é montado sobre a plataforma modular E-GMP. O modelo exibido no Salão de Pequim arquitetura de 800V permite recargas de 10% a 80% em apenas 18 minutos.
Jetour T-3/F700 6×6
Jetour F700 6×6 no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
Este modelo da submarca da Chery já em operação no Brasil é um verdadeiro monstro off-road com tração integral nas seis rodas e sistema híbrido plug-in (PHEV) que despeja mais de 1.300 cv. Ele é o “irmão maior” do G700 (já confirmado para nosso mercado — leia mais aqui) e utiliza a plataforma Kunlun, com modos de direção específicos que ajustam o torque de forma independente em cada roda para superar lama profunda ou dunas de areia. Sua presença reforça a intenção da Chery de dominar o segmento de 4×4 extremos.
Aito M9
Aito M9 no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
Fruto da parceria entre Huawei e Seres, o M9 é definido como um “computador sobre rodas”. O veículo é controlado pelo sistema HarmonyOS 4 e utiliza o Huawei ADS 2.0, um dos sistemas de direção autônoma mais precisos da atualidade, que dispensa mapas de alta definição. Disponível em versões elétrica (530 cv) e híbrida com extensor de alcance, pode chegar a 1.400 km de autonomia total. No interior, assentos “gravidade zero” e projetor que cria uma tela de 32 polegadas elevam o conceito de entretenimento móvel.
AUDI E7X
Audi E7X no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
Representa a nova estratégia da marca na China, onde lançou a submarca “AUDI” (grafada em maiúsculas e sem as quatro argolas tradicionais) em parceria com a SAIC. O E7X é um SUV de grande porte construído sobre a Advanced Digitized Platform (ADP) de 900V. Com motores que alcançam 680 cv, ele pode ganhar 255 km de autonomia em apenas 10 minutos. O design é minimalista, focado em superfícies limpas e retrovisores digitais, com o logotipo luminoso substituindo o emblema clássico.
Luxeed R7
Luxeed R7 no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
Desenvolvido em colaboração direta com a Huawei (que fornece o software e os motores elétricos) e a Chery (responsável pela fabricação), este SUV cupê é uma vitrine de eficiência. Oferece baterias de 82 kWh ou 100 kWh, alcançando até 802 km de autonomia (ciclo CLTC). O modelo utiliza o chassi inteligente Tuling, que ajusta a rigidez da suspensão em milissegundos com base na leitura do piso feita por sensores LiDAR.
Mercedes-Benz Classe S W116 (1972-1980)
Mercedes-Benz Classe S W116 no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
Presente no Salão de Pequim como uma homenagem à linhagem de luxo, o W116 foi o veículo que consolidou o nome “Classe S”. Ele é um marco da engenharia por ter sido o primeiro carro do mundo a oferecer freios ABS eletrônicos de série (em 1978) e, posteriormente, airbag para o motorista. Sua presença no salão serve para lembrar que, antes da revolução dos pixels, a Mercedes já ditava o padrão global de segurança e prestígio.
Nio ET9
Nio ET9 no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
Este sedã ultraluxuoso de 5,3 metros de comprimento mira o mercado do Mercedes-Maybach. Seu destaque absoluto é a suspensão Sky Ride, composta por bombas hidráulicas independentes em cada roda, capaz de manter a carroceria imóvel mesmo em terrenos muito irregulares. Possui arquitetura de 925V e é compatível com as estações de troca de bateria da Nio, onde o carro substitui a bateria descarregada por uma cheia de forma 100% automatizada em apenas 3 minutos.
Nio Firefly
Nio Firefly no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
A nova submarca da Nio foca em modelos compactos e ágeis para cidades densas. Com design voltado ao mercado europeu, o Firefly surge como um concorrente direto para o BYD Dolphin e o Geely EX2. Ele herda a tecnologia de troca de baterias da marca-mãe, mas em um pacote mais acessível, priorizando a conectividade jovem e soluções inteligentes de espaço interno.
XPeng AeroHT Land Aircraft Carrier
XPeng AeroHT Land Aircraft Carrier no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
Provavelmente a maior curiosidade do no Salão de Pequim, este veículo 6×6 modular transporta um módulo de voo (eVTOL) acoplado. O “carro-mãe” terrestre tem tração integral e carrega as baterias da aeronave enquanto trafega. Ao chegar em um local propício, o módulo de voo decola verticalmente, permitindo saltos aéreos para evitar congestionamentos ou acessar áreas remotas, sendo um projeto funcional que já iniciou voos de teste.
XPeng G6 e o G7
O G6 é o “matador de Model Y” da XPeng, utilizando a plataforma SEPA 2.0 que integra a bateria à estrutura do chassi (CIB), melhorando a rigidez e o espaço interno. O G7 segue a mesma linha, mas com um porte ligeiramente superior e foco em luxo executivo. Ambos utilizam o sistema de direção XNGP, que opera de forma autônoma em cidades e estradas, e seriam candidatos fortíssimos ao mercado brasileiro.
XPeng P7
O sedã esportivo que colocou a XPeng no mapa global continua sendo uma referência. Com portas tipo tesoura (em versões específicas) e aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 4 segundos, ele equilibra o visual de supercarro com o conforto de um sedã premium. Sua versão mais recente, o P7+, foca ainda mais em espaço interno e eficiência computacional.
BYD Yuan Pro
Yuan Pro no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)
O SUV elétrico de entrada da BYD foi exibido no Salão de Pequim em um tom “Rosa Queimado“, parte da estratégia de diversificação de cores da marca. No Brasil, onde já desembarcou, essa cor específica miraria um público que busca personalização e estilo diferenciado, mantendo a famosa tela giratória de 12,8 polegadas no interior. Acham que faria sucesso?
Tecnologia Carbon Hunter

A Chery apresentou no Salão de Pequim um sistema de captura direta de carbono (CO2) projetado para veículos a combustão e híbridos. Ele funciona como “aspirador de poluição”, filtrando e armazenando o dióxido de carbono da exaustão e do ar ambiente em filtros modulares. O objetivo é criar um ciclo fechado de energia: o CO2 coletado é reciclado para a produção de E-Fuel (combustível sintético), permitindo que o carro limpe o ar enquanto circula e atinja emissões neutras ou até negativas. O sistema conta com uma interface digital para monitoramento em tempo real e utiliza unidades modulares de fácil substituição.










