Saldo positivo


A aglomeração de pessoas na porta do pavilhão era maior do que a de anos anteriores. Acima, o estande da VW, um dos mais disputados. À direita, o Smart Fortwo, um dos maiores destaques do evento

O estande da Porsche (à esquerda o GT3 RSR de corrida) tinha as mesmas novidades vistas em Paris. À esquerda, o elétrico Volt, que a GM começa a vender nos EUA em 2010. Abaixo, o robô da Volks, que ganhou o nome de Giga

As montadoras que estiveram presentes no Salão do Automóvel de 2008 começaram a planejar sua participação na maior mostra da América Latina meses atrás. Nessa época, a indústria automobilística batia recordes atrás de recordes e as previsões eram animadoras. Mas, no dia em que o Pavilhão do Anhembi abriu suas portas para receber os visistantes do Salão, a crise mundial já atingia montadoras na Europa e nos EUA, o dólar batia nos R$ 2,18 e o mercado já começava a ser ameaçado.

Mesmo assim, o saldo foi positivo. Algumas montadoras suspenderam lançamentos, outras preferiram não divulgar o preço de seus importados, mas, no geral, o clima era de otimismo. O maior Salão brasileiro da história vendeu carros no varejo, modelos milionários foram negociados e tivemos um número de lançamentos inédito.

O CARRO DO SALÃO

Com tantas novidades fica difícil definir qual foi “o carro do Salão”. Aquele que deverá marcar o evento na cabeça das pessoas. Provavelmente, em termos comerciais, o Fit tenha sido o mais importante dos lançamentos, ao lado do Smart Fortwo, que cresceu em importância pela ausência do concorrente Mini e pelo preço divulgado, extremamente atraente.

A Honda apresentou seu compacto com toda a pompa, mas, por conta da crise, ficou devendo o Civic 2009 (que você vê nesta edição). No estande da marca, uma van Odissey testava a reação dos consumidores para um possível retorno ao Brasil. Concorrente da Kia Carnival e da Town&Country, da Chrysler, ela deverá custar cerca de R$ 130 mil, se sua venda for confirmada em nosso mercado.

O estande da Mercedes estava cheio de novidades. Ao todo foram sete modelos, entre os quais o CLC 200 K, o novo GLK 280 e o SL63 AMG Edição IWC (série especial limitada a 200 unidades). Mas a grande surpresa foi a divulgação do preço do modelo Smart Fortwo, que começa a ser vendido no Brasil entre R$ 55 mil e R$ 60 mil. Há quem diga que a Mercedes não dará conta da importação com tantos pedidos.

O espaço da Volkswagen era um dos mais disputados, tanto pelos carros mostrados quanto pelos shows que rolavam em seu teatro, com destaque para o da cantora Paula Lima. Foi lá que o presidente Thomas Schmall apresentou à imprensa as principais atrações da marca. Entre os destaques, estão o lançamento do conversível EOS, o anúncio do Passat CC e do Tiguan para o início de 2009 e os conceitos Space Up (subcompacto) e Pick-up (provavelmente a esperada Robust). “Temos 16 surpresas para o mercado em 2009”, revelou Schmall

A Ford, além do Edge (todas as unidades disponíveis para a comercialização no Salão foram compradas), mostrou o EcoSport 2.0 flex e o conceito Verve (que estava testando a reação do público ao novo Fiesta, esperado aqui para 2010, mas já lançado na Europa). Os destaques foram o Mustang (sempre cercado de entusiastas) e o anúncio de que a marca prepara 23 lançamentos para o ano que vem.

A Citroën mostrou os novos C5, hatch e perua, que começam a ser vendidos também no ano que vem. Outra atração foi o C4 Picasso, que na Europa é substituto do conhecido Xsara Picasso (aqui os dois modelos vão conviver). Também estava lá o novo C4 hatch em versão cinco portas, previsto para o primeiro trimestre do ano que vem.

Do mesmo grupo, a Peugeot lançou o 407 com novas lanternas e interior “renovado”, a perua 207 Escapade e divulgou o preço de R$ 40.900 para o sedã Passion. Além deles, o 207 CC (com motores de 120 cv e 170 cv) estava presente para testar a reação do público, apesar de sua importação estar certa. A marca mostrou ainda dois showcars: 207 Rcup Noir (versão de pista, rodas 17, escape especial, bancos de competição) e 207 Blanc, um novo carro de rali. O destaque ficou com o modelo diesel Peugeot 908 HDI, que corre em LeMans.

No estande da GM, além do GPix, que dará origem a uma nova família de carros da marca, do Malibu e do Traverse, chamaram a atenção do público o Camaro (mostrado ao lado de um modelo antigo da marca) e o elétrico Volt.

Já a marca coreana Kia mostrou o Mohave, que começa a ser vendido em janeiro, o novo Rio, o Sportage remodelado e o Cerato com nova plataforma e novo motor, que chega em março para brigar com Civic e Corolla. O destaque foi o Kia Soul, que acabou de ser lançado oficialmente em Paris e começa a ser vendido aqui em março, e o conceito KND4, que mostra a visão da Kia para o SUV do futuro.

Na BMW, a maior falta foi do Mini Cooper. Confirmado para o ano que vem, o modelo não estava no Salão. Entre os destaques estava o novo Série 7 (quinta geração) com motor cinco litros de 407 cv e o novo M3 conversível com câmbio de dupla embreagem. A marca mostrou ainda o X5 Security, o novo M3 conversível com dupla embreagem e o 335i conversível.

A Volvo apresentou uma série especial de seu XC90 chamada Ocean Race com preço de R$ 179 mil. Aliás, apesar da crise, a marca anunciou uma redução de 8% nos seus preços. Mas o maior destaque ficou com o XC60, avaliado nesta edição. O modelo de entrada custará pouco menos de R$ 140 mil.

Dilma Rousseff, José Serra e Lula conhecem o Smart durante o lançamento oficial do Salão do Automóvel

Entre as celebridades que passaram pelo Anhembi, estavam o humorista e cantor Juca Chaves, os apresentadores Otávio Mesquita e Adriane Galisteu e o piloto da Ferrari Felipe Massa

A mesma falta de novidades pairou nos estandes da Mitsubishi (que apresentou o conceito ZT de sedã de luxo, um outro de uma Pajero Sport Dakar e uma L200 feita com 35 mil carrinhos de brinquedo, além do concorrido Eclipse), da Troller (que mostrou a reestilização do “filho único” T4) e da Land Rover. A marca apresentou apenas uma série especial do Defender, a SVX, limitada a 25 unidades para o Brasil – de um total de 1.800. E mostrou o conceito de utilitário LRX, que MOTOR SHOW mostrou aos leitores no ano passado, quando conhecemos o carro na Inglaterra.

A marca japonesa Subaru, importada para o Brasil pelo grupo Caoa, mostrou as versões sedã do Impreza, hatch com tração integral já vendido aqui. Comercializado em versões 1.5, 2.0 e 2.5 turbo, ele já começa a ser vendido pelo mesmo preço que as versões dois volumes. Com motor 2.0, custam R$ 64.900.

No estande da Renault, que tinha até DJ, o principal atrativo era o conceito Sand’Up, projeto que dará origem à picape do Sandero (e capa de nossa edição passada). Sem muitas novidades além dele, a marca destacou o Sandero Stepway, versão aventureira do hatch que já está nas lojas. Para completar, a montadora francesa mostrou o Mégane hatch, que veio para medir a aceitação do público e não tem previsão de lançamento aqui. Já o Mégane Sedan veio em versão “Extreme”, com detalhes esportivos (mas o mesmo motor), que será vendido no ano que vem.

ESPORTIVOS

Os esportivos, como sempre, brilharam na mostra. O estande de Ferrari e Maserati, sem dúvida, foi um dos campeões de visitação. Até mesmo na coletiva de imprensa, com tantos fotógrafos e cinegrafistas disputando o melhor ângulo, ficava difícil ver tudo que aconteceu. Ainda mais com a participação do piloto Felipe Massa, dividindo o microfone com o presidente da marca no Brasil, Francisco Longo. “A Scuderia é minha predileta. O que mais me impressiona nela é a eficiência e rapidez das trocas de marcha”, comenta o piloto, que admite ser privilegiado por dirigir os modelos da marca. “Todo mundo sonha em guiar uma Ferrari. Eu, graças a Deus, ganho para isso”, disse Massa, deixando muita gente com dor de cotovelo. Com razão. Os destaques no estande das duas marcas foram a Ferrari F 430 Scuderia e as Maserati cupê GranTurismo S e Quattroporte.

Outro estande onde cada milímetro de tapete vermelho era disputado a tapa foi o da Platinuss, importadora oficial da Lotus. Lá também podia ser visto o modelo mais caro do Salão: um Pagani Zonda de R$ 5 milhões. Pelo que se soube, a jóia saiu de lá direto para a garagem de um dos visitantes, que fez o cheque e esperou acabar o salão para resgatar sua máquina.

A Porsche exibiu exatamente os mesmos modelos que estavam no Salão de Paris. A nova linha 911 estavá lá em peso, nas versões Carrera, Carrera 4S e Targa.

Ainda falando em esportivos, o destaque da Nissan era um novo ícone do segmento: o GT-R, o “supercarro século 21”, com motor V6 de 480 cv feito à mão que a marca estuda vender no Brasil no ano que vem. Além dele, a Nissan mostrou suas novas minivans Livina, que começa a ser vendida em março próximo, e Grand Livina, com capacidade para sete passageiros, que chega às lojas até julho.

O Tiida sedã também foi apresentado, mas não pela Nissan. Ele estava no estande da Chrysler. Como adiantamos, o sedã será vendido pela marca americana como Trazo e equipado com motor bicombustível. Além desse modelo, a Chrysler mostrou a Grand Cherokee, agora a diesel.

SEM CRISE

Nos discursos, muitos preferiram ignorar a crise e continuar otimistas

A crise internacional iniciada nos EUA foi deflagrada no mês do Salão do Automóvel. Péssima hora. Ainda assim, muitos preferiram ignorar os números. “Não investimos em ativos cambiais nem em hipotecas americanas. Esperamos um 2009 melhor que 2008. Hoje não é dia de falar de crise.”, disse o responsável pelas revendas Porsche. Cledorvino Belini, presidente da Fiat do Brasil, também negou a crise. “Não vamos criar uma crise onde não existe.” O mesmo fez Thomas Schmall, presidente da VW do Brasil: “Não trabalhamos com a possibilidade de desaceleração”. Para Rogélio Goldfarb, diretor de assuntos corporativos da Ford, “não podemos temer um ambiente que não existe”. José Carlos Pinheiro Neto, vicepresidente da GM do Brasil, até filosofou: “Em japonês, o ideograma de crise é o mesmo de oportunidade”.

Mas a crise mostrou, sim, sua cara no Salão. Marcas adiaram a comercialização de seus modelos e outras não arriscaram dar preços dos que começam a ver vendidos no ano que vem. “Não sabemos as proporções da crise nem quando termina. O planeta entrou em uma crise sem precedentes. Quando não podemos fazer previsões, o melhor é não fazê-las. Espero que no próximo salão a crise não faça mais parte de nosso cenário e a Renault esteja ainda mais forte”, disse Jérôme Stoll, presidente da Renault do Brasil.

O fato é que há sim, uma crise maior se esboçando no Brasil: o crédito para a compra de veículos está mais difícil e o governo federal já fechou acordo com as montadoras para injetar R$ 4 bilhões no setor. O governo do Estado de São Paulo vai ajudar com mais R$ 4 bilhões A questão é saber quando a crise acaba e qual será a extensão dos danos.

SUSTENTABILIDADE

Foram poucos os que não apresentaram novidades sustentáveis. Na Hyundai, um conceito híbrido do Tucson foi apresentado ao lado do sedã de luxo Gênesis e das versões hatch e perua do i30.

A BMW trouxe ao País a tecnologia Efficient Dynamics que está presente no novo Série 7, que tem consumo médio de 8,8 km/l e, segundo a marca, teve uma redução de 40% da emissão de CO2. Também para diminuir consumo, a VW apresentou o sistema Bluemotion, que reduz a emissão de combustíveis em cerca de 15%. O primeiro veículo a ganhar essa tecnologia será o Polo, já no ano que vem.

A Fiat mostrou o Punto T-Jet (que teve sua comercialização adiada para meados do ano que vem por questões estratégicas) e o novo Fiat 500, mas não deixou de lado a ecologia, apresentando carros elétricos feitos em parceria com a hidrelétrica de Itaipú e o conceito de buggy “verde”, o Bugster.

A Toyota, por sua vez, que de concreto mostrou apenas as novas Hilux e SW4, teve um dos estandes mais ecológicos. Pena que os conceitos apresentados, Rin e 1/x, já não sejam mais novidades.

Também para não passar em branco na questão ambiental, a Citroën mostrou um Picasso equipado com o sistema Stop Start & Flex Start, desenvolvido em parceria com a Bosch que, para maior economia de combustível, desliga o carro no semáforo, por exemplo

A General Motors, além da versão de produção do carro elétrico Volt, apresentou um modelo híbrido da Captiva – e a Porsche anunciou a fabricação de uma versão híbrida do seu SUV Cayenne, 30% mais econômica que as versões a gasolina equivalentes.

Os homens começam a fazer sucesso como recepcionistas dos estandes. À direita, o conceito da Renault e o estande da MOTOR SHOW. Abaixo, o Ssangyong Actyon Sports cabine dupla e o conceito da Kia, KND4

BASTIDORES

Com toda a indústria automobilística concentrada no mesmo local, o Salão foi palco para a revelação de muitos segredos. Uma das informacões de bastidores que obtivemos dá conta de que a nova fábrica que a GM está construindo em Joinville produzirá uma nova família de motores com proposta downsizing. Serão motores pequenos, sobrealimentados, que equiparão, em um primeiro momento, o Vectra GT. O modelo receberá um propulsor 1.4 turbo.

Escondido na área VIP da Mercedes estava um SLR McLaren conversível. O modelo estava lá esperando por compradores e, pelo que soubemos, pelo menos dois clientes fizeram pré-reserva. Mas apuramos que a parceira entre Mercedes e McLaren terá vida curta. É que os engenheiros da AMG estão começando a questionar o acordo. O carro deverá continuar existindo, mas será um projeto do braço esportivo da marca alemã.

Sobre a Ford, uma das novidades para o próximo ano será a nova Ranger reestilizada (e provavelmente flex) e a outra será uma linha de motores. Os Zetec Rocam abrem espaço para os modernos Sigma. Ainda este ano, a marca apresentará a Transit, concorrente da Ducato.

Na Citroën, além dos lançamentos, havia atrações para toda a família. A Honda Odissey testou a reação do público. Troller e Mitsubishi não tinham muitas novidades. Acima, o Kia Soul e, abaixo, o Cinquecento, ambos para 2009

Abaixo, à esquerda, o estande da Mercedes com os três principais lançamentos da marca, o GLK, o SL63 AMG Edição IWC (limitada a 200 unidades) e o CLC fabricado em Juiz de Fora (MG). No estande dos Chana, os visitantes conheceram os utilitários Pick up, Cargo e Family. Houve distribuição de rosas e cachorros-quentes em unidades adaptadas para o comércio. No estande da VW, a miniatura do Gol fez sucesso. Uma réplica funcional, com motor, ar…

SALÃO VERDE

Pela primeira vez na história do Salão do Automóvel, a preocupação ambiental foi uma constante em praticamente todos os estandes. Tivemos tecnologias que diminuem o consumo, carros híbridos e elétricos e materiais alternativos. Um real avanço no tema sustentabilidade. A Ford aproveitou a mostra para apresentar ao público a patente de um plástico verde feito com uma mistura de sisal, polipropileno reciclado e polipropileno virgem. O material ecológico pode entrar em produção a qualquer momento.

No topo, o Bugster da Fiat. Acima, duas versões-conceito do Ka. Uma é a Bela (verde), outra, a Fera. Ambas, utilizavam o polipropileno verde patenteado pela montadora. Abaixo, o Tucson híbrido

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