Segredo: Os carros elétricos da Mercedes-Benz

Mude tudo para que tudo permaneça como antes: essa é a estratégia de emissão zero da Mercedes-Benz. Revolução na substância, continuidade nas formas. Diferentemente da BMW, apenas com modelos “ad hoc”

Olhe bem para os carros dessas páginas. Concentre-se principalmente nas formas e proporções das carrocerias. Sua sensação, muito provavelmente, não é a de estar olhando para naves alienígenas futuristas. É bem possível até que seja exatamente oposta: três veículos normais e bastante similares aos carros lançados nos últimos anos.
Bem, isso não acontece por acaso: o futuro eletrificado dos Mercedes-Benz – ou da sua recém-nascida submarca EQ, voltada apenas a carros elétricos – não quer espantar seu público. Quer uma continuidade de linhas e estilo que some forças, e não as divida.

Entretanto, apesar da continuidade nas aparências, esses carros serão completamente diferentes tecnicamente. A Mercedes-Benz investe pesadamente nos elétricos, e o resultado começaremos a ver já no ano que vem, quando estreia o EQ C – um utilitário-esportivo derivado do conceito Generation EQ mostrado no Salão de Paris de 2016. Depois dele, entre 2019 e 2022, virão mais 50 modelos eletrificados, dez deles totalmente elétricos. Depois do SUV chega o EQ A, um hatch com dimensões similares às do Classe A de 2012 (4,3 m de comprimento), e sua versão sedã, com 4,7 m (similar ao Classe C). Em comum, os três primeiros EQ terão a plataforma construída com máxima modularidade. O SUV do ano que vem deve se manter bastante fiel ao conceito: muito alumínio e carbono, um motor elétrico por eixo, com potência total de 300 kW (408 cv) e torque de 71,4 kgfm. As baterias de íons de lítio da Daimler Accumotive têm capacidade superior a 70 kWh,
o que garantirá ao EQ C uma autonomia de 500 km.

Já o compacto EQ A, que na versão de produção deve ter quatro portas, chega em 2021. Uma longa espera, que será compensada com tecnologias inovadoras. A autonomia chegaria, na configuração de topo, a 400 km: a ideia é ter opções com diferentes autonomias e potências. A mais esportiva teria um motor por eixo, totalizando 200 kW (272 hp), enquanto as mais acessíveis teriam só um. Quase simultaneamente, o sedã EQ D ataca em um segmento superior: apesar das dimensões contidas, o espaço será parecido com o do Classe E, graças ao tamanho reduzido do conjunto elétrico.

Na filosofia da marca, a eletrificação requer economia de escala. A plataforma EQ foi concebida para ter ampla convergência de componentes com modelos convencionais das bases MFA (tração dianteira) e MRA (traseira), com os quais, a longo prazo, haverá uma fusão. A racionalização dos investimentos é imperativa, mas não vai tirar a especificidade da marca EQ: “Todos os modelos de emissão zero serão exclusivos, não faremos modelos elétricos derivados dos Mercedes-Benz tradicionais”, diz Britta Seeger, gerente de vendas do grupo. Uma visão diferente da da BMW, que amplia sua gama de carros elétricos adaptando a tecnologia em modelos “comuns”. Em breve saberemos quem fez a melhor opção.

Adeus ao espelho?

Dilema menor, mas também significativo: deixar os espelhos retrovisores ou trocá-los por câmeras? Segundo rumores da imprensa alemã, uma decisão final ainda não foi tomada: em qualquer caso, como a Audi e seu e-tron, a Mercedes também está avaliando a hipótese. Em nossa projeção da versão de produção do SUV EQ C, acima, optamos por mantê-los.

O menor dos Mercedes

Confirmadas as dimensões do conceito mostrado no Salão de Frankfurt em 2017, o EQ A pode se tornar o menor modelo da marca: enquanto o Classe A tem 4,42 m, é provável que o hatch elétrico tenha só 4,28 m. A versão definitiva deve “normalizar” as linhas de cupê, como aconteceu com o conceito do Classe A de 2011 – que abandonou a carroceria duas portas quando entrou em produção em série.

O terceiro elemento

O nome do sedã que vai completar a família ainda não foi definido, mas nossas fontes apontam para a sigla EQ D. A carroceria deve ter um formato bastante convencional, como mostramos em nossa projeção abaixo, para garantir um bom porta-malas – em uma área do carro que costuma ser ocupada por importamtes componentes mecânicos.