Sem frescura

Existem produtos que definem uma marca. Tornam-se quase sinônimos e são praticamente inseparáveis em termos de imagem. É assim com a americana Jeep e seu utilitário Wrangler. O modelo é descendente direto do CJ, um veículo militar que ajudou os norte-americanos na Segunda Guerra. São 71 anos de know-how no fora de estrada. Por isso, quando o assunto é off-road e força bruta, não dá para esperar nada menos que o melhor de um novo Wrangler. Mesmo que, aparentemente, pouca coisa pareça ter mudado.


A linha 2012, por exemplo, manteve o visual quase inalterado. É uma tarefa difícil revigorar um modelo lendário, por isso, foram mantidos os faróis circulares, as dobradiças das portas e as travas do capô aparentes, que já fazem parte da personalidade do carro. A grande novidade está sob o capô. O utilitário ganhou o novo motor V6 de 3,6 litros Pentastar de alumínio e uma transmissão automática de cinco velocidades. Mesmo conjunto de Grand Cherokee e Journey.

Essa injeção de ânimo caiu bem. Segundo a marca, com relação ao V6 de 3,8 litros anterior, construído em ferro, ele está 40% mais potente, ganhou 10% a mais de torque e reduziu o consumo de combustível. Seu funcionamento é suave e silencioso. Além disso, entrega muita força para vencer, sem dificulwdade, os íngremes obstáculos do fora de estrada ou fazer ultrapassagens na estrada. O câmbio é bem escalonado, tem opções de trocas manuais, faz rápidas mudanças e impressiona tanto nas retomadas quanto nas acelerações.

As suspensões são dependentes com eixos rígidos e molas helicoidais, notadamente voltadas ao off-road, mas não chegam a ser totalmente desconfortáveis no uso “civil”. Os menos experientes devem ficar atentos nas curvas. A carroceria rola um pouco a mais por conta da maior altura livre do solo e o Wrangler tem tendência a sair de frente. Nada que assuste. Só é preciso ter cuidado e entender a finalidade para a qual o carro foi projetado. Na segurança, airbags dianteiros, barra anticapotagem, controles de estabilidade e de tração, freios com ABS e o novo assistente em descidas, que aciona os freios ao soltar o pedal do acelerador.

O interior não é luxuoso, obviamente, mas lembra o de um carro de passeio, e o câmbio de quatro marchas foi trocado pelo de cinco velocidades. Se entrar água na cabine, ela é facilmente drenada

O jipe tem tração traseira e o 4×4 é acionado por alavanca, quando o motorista julgar necessário. Por conta dos bons ângulos de entrada e saída (35° e 28°, respectivamente) ele enfrenta qualquer tipo de terreno. E, com assoalho bem distante do solo, ainda passa por trechos inundados com até 48 cm de profundidade a 8 km/h. Se entrar água no interior do carro, basta drená-la pelos orifícios especialmente projetados para isso. !

Por dentro, o interior é até semelhante ao de um carro de passeio. Não dá para esperar muito luxo, mas a qualidade do acabamento agrada e os comandos estão bem posicionados. O volante tem regulagem só de altura, há parafusos aparentes, bancos com tecido antimancha e rádio CD/MP3 com entrada auxiliar. Se quiser aumentar a sensação de velocidade, é possível rebater o para-brisa. A capota pode ser de lona ou de plástico.

O Wrangler pertence a um nicho de mercado. E, assim como os seus concorrentes Troller T4 e Tac Stark, é pensado para quem realmente quer um veículo aventureiro. Como é feito para poucos, custa caro. São R$ 129,9 mil na versão Sport de duas portas e R$ 139,9 mil na Unlimited Sport com quatro portas. Esta última, com chassi alongado em 52 cm, oferece porta-malas com 498 litros, contra os 141 litros do Wrangler duas portas. É o preço que se paga para ter um carro quase exclusivo e que é ícone em seu segmento. A previsão da marca é de vender 450 unidades ainda neste ano.

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