Sempre um ferrarista

Uma brincadeira de crianças impulsionou o início da carreira do primeiro piloto norte-americano campeão na Fórmula 1. Quando tinha 12 anos, Phil Hill brincava de corrida (parado) ao volante do Ford T de seu tio – que encorajou o menino tímido e desajeitado a dar a partida. Foi aí que o automobilismo passou a fazer parte do imaginário do garoto nascido em Miami e criado em Santa Monica, na Califórnia. Hill ganhou o carro do tio, entrou para a faculdade de administração, mas acabou indo trabalhar em uma oficina que pertencia a um piloto amador, onde criou um vínculo ainda maior com o esporte. Apesar de já  ter participado de algumas corridas, inclusive tendo sido campeão, em 1946, do rali de San Francisco Valley, foi apenas em 1949 que ele conseguiu seu primeiro contrato: foi para Londres ser piloto de testes da Jaguar.

A experiência na Inglaterra foi intensa: Hill participou de competições de endurance e, em 1955, a convite da Ferrari disputou e venceu as 24 Horas de Le Mans – prova que venceria mais duas vezes ao lado de Olivier Gendebien, sempre a bordo de um modelo de Modena. Suas conquistas chamaram a atenção de Enzo Ferrari, que caçava jovens talentos. Mas o chefe da escuderia italiana achava Hill instável demais para pilotar um monoposto e continuava adiando sua ida para a F1 – até que, em 1958, ele estreou na categoria. Sua primeira corrida foi aos 31 anos, em uma Maserati, no GP da França. Parecia uma provocação estrear justamente na equipe rival da Ferrari. Mas Enzo, depois de perder seus dois pilotos, não teve escolha a não ser contratar Phil Hill já para aquela temporada. Ele entrou para ajudar Mike Hawthorn a conquistar seu título de 1958.

Dois anos depois, Phil Hill venceu o GP de Monza. Foi o primeiro americano a ganhar uma prova na F1. Ainda em 1961, tornou-se o primeiro piloto a completar a volta de Nürburgring em menos de nove minutos. Parecia mais rápido e obstinado do que nunca. Apesar disso, sem carisma, Hill não caía nas graças do público. O queridinho do momento era seu grande rival, Wolfgang von Trips – que liderava a temporada, mas faleceu em decorrência de um acidente no GP da Itália. Como faltavam só duas provas para o final do campeonato, Phil Hill – que era o segundo colocado – chegou a seu primeiro título na F1 naquele ano. Mas o acidente de seu rival, com quem protagonizou  célebres disputas, refletiu negativamente no piloto, que chegou a dizer que as pistas não eram para ele. Depois da vitória, sua carreira declinou. Manteve o contrato com a Ferrari por mais um ano e saiu da categoria em 1964. Nos anos seguintes, Hill se dedicou a corridas de carros de turismo até se aposentar três anos depois. Dono de uma invejável coleção de automóveis clássicos, o piloto passou a trabalhar em uma empresa de restauro que fundou nos Estados Unidos, chamada Hill &Vaughn, até 1995. Além disso, colaborou com artigos e testes para a revista Road & Track e como comentarista da rede de tevê ABC. O americano também foi, por 40 anos, jurado do festival de Pebble Beach, o mais elegante concurso de clássicos do mundo. Sofrendo de mal de Parkinson, Phil Hill morreu em 2008, aos 81 anos, na Califórnia.

 

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