Dizem que os designers italianos Giorgetto Giugiaro e Walter de Silva, quando iam juntos ao estúdio Italdesign – Giugiaro tinha 9,9% de participação e era presidente, Silva o substituiria em 2015 –, falavam muito sobre esse novo novo Golf VIII. O criador do primeiro e lendário Golf e o desenhista de sua atual encarnação discutiam como deveria ser a oitava geração do hatch médio, que estreia mundialmente até o fim deste ano. Não sabemos o quanto essas conversas se traduziram em esboços ou quantos desses pensamentos ficaram no centro de estilo da Volkswagen depois que ambos deixaram a marca. O fato é que, após três edições consecutivas assinadas por italianos (o sexto foi de Flavio Manzoni), a oitava geração do modelo volta a falar alemão, agora sob a responsabilidade do designer Klaus Bischoff.

Variações confirmadas: a sétima geração viu estrearem novas versões: TGI (110 cv), o primeiro Golf a gás, o GTE (204 cv), primeiro híbrido plug-in, e o e-Golf, 100% elétrico (115 cv): somente o último não seguirá na próxima geração

Independentemente do passaporte dos criadores, o modelo mais popular da marca depois do Fusca fala uma língua universal – a língua do Golf, sempre clara em suas oito gerações e 45 anos de história, distante de modismos. Porém, mais do que o design, que terá novidades, o Golf VIII pode entrar na história por outro motivo: com vendas só em 2020, esgotaria seu ciclo em 2027, um ano após o prazo de desenvolvimento de sua última plataforma com motores a combustão que é anunciado pelos executivos da marca. Mas claro que a Europa não é o único mercado, e a Volks seguirá produzindo motores a combustão. No segmento do Golf, porém, os elétricos devem evoluir rápido, e na ofensiva de modelos da família o I.D. foi nomeado o “Golf da era de emissão zero”. Assim, não é errado imaginar que um Golf IX jamais existirá. A conferir.

Motores

Seja ou não esse oitavo Golf o último, ele vai oferecer várias opções aos clientes. Os câmbios serão os habituais manual de seis marchas ou automatizado de dupla embreagem (DSG) com seis ou sete velocidades – no Brasil trocado pelo automático tradicional (mas não deve se repetir, pois o novo só deve vir importado). Os motores a gasolina irão do 1.0 TSI três cilindros com 115 cv ao clássico 2.0 com até 184 cv, enquanto os movidos a diesel, que nunca tivemos no Brasil, seguem na Europa. Quase certa é a versão GTE, híbrido plug-in que chega depois do novo modelo – que estreia na Europa no começo de 2020. Todos terão sistema elétrico de 48 volts. Já em consideração à família I.D., de modelos com emissão zero, a versão 100% elétrica, hoje chamada de e-Golf, não será lançada nessa oitava geração.

O Golf não muda radicalmente. A coluna traseira inconfundível é “marca regiostrada”

Mas o que os “petrol heads” devem estar pensando é: “E o GTI?” Existirá, sim, e seu belo 2.0 terá quase 250 cv – hoje são 230 (veja mais detalhes no comparativo desta edição). A versão R, com tração integral e cerca de 300 cv, também será feita – mas nunca veio ao Brasil, e deve seguir assim. Para
manter as emissões de CO2 nos ciclos de homologação, lançarão versões a diesel, GNV e híbrida. Mas há outra questão que requer resposta, e ela vem dos pais de famílias que gostam da praticidade da Variant, existente desde a terceira geração (1993). Bem, nossas fontes dizem que também sobreviverá.

Multimedia: sempre online

As mudanças mais marcantes aparecerão no interior – onde os novos modelos evoluem mais rápido, como resultado da digitalização e da conectividade, além da direção autônoma. Nesse último ponto, o novo Golf terá assistência nível dois (nada surpreendente). A interface homem-máquina se beneficiará da terceira evolução da plataforma de infotainment da Volks, a MIB3. Terá atualização do sistema online (OTA). Você também poderá acessar serviços: por exemplo, comprar o carro sem navegador, e depois “alugá-lo” quando necessário.

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A Volks mostrou um esboço do painel, que terá maior integração entre as telas central e do quadro de instrumentos digital, e também trabalha em touchpads ​​para serem inseridos no volante e controlar mais funções do que as permitidas pelos botões físicos. Estarão prontos para o Golf? Teremos que esperar o fim do ano: a apresentação do carro, originalmente programada em Frankfurt em setembro, foi adiada – talvez para novembro. O estande do Salão alemão será todo para o I.D., primeiro elétrico de volume da marca. Um fato profético?


Mercado

Cinco milhões de clientes

É o balanço provisório do resultado comercial global do Golf VII: de 2012 até o final do ano passado cerca de 4,8 milhões de motoristas no mundo haviam escolhido o hatch alemão, dos quais quase três milhões no Velho Continente. Segundo dados do carsalesbase.com (site com várias fontes, entre as quais a Jato Dynamics), no ano passado o Golf VII, próximo do fim de sua carreira, vendeu 627.387 unidades nas principais regiões onde é comercializado: Europa, Estados Unidos e China. Neste último mercado, vende mais de três vezes do que nos EUA. Já no Brasil, o hatch chegou a ter mais de 20 mil unidades vendidas em 2009 (geração “4,5”), mas caiu para apenas 3.070 emplacamentos no ano passado.