Sim racing: piloto profissional testa equipamento e compara a “corrida em casa” com a de verdade

A moda do Sim Racing, que eclodiu no isolamento social, atraiu apaixonados por games. Mas quão realistas são os simuladores? Pedimos ao piloto italiano Stefano Gai para analisar as telemetrias das Ferrari de corrida – a verdadeira e a replicada no computador

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A concentração de Stefano Gai na interação com o simulador Assetto Corsa Competizione, na estação instalada em um canto da redação, diz muito sobre o compromisso que a direção virtual pode exigir até mesmo para quem já está acostumado a lidar com carros e pistas reais; Para nosso teste, Stefano quis vestir um macacão com o logotipo da Scuderia Baldini de Roma, cujas cores defendeu este ano no campeonato GT italiano, terminando em terceiro com uma Ferrari 488 GT3 Evo

Quando não se pode ir às pistas no mundo real, dá para fazê-lo no mundo virtual. Isso ficou amplamente provado durante o isolamento social da pandemia pelos pilotos: jovens em crise de abstinência de monopostos, como Charles Leclerc e Lando Norris, se desafiaram em simulações de GPs para matar o desejo pelas pistas. São as tais das corridas em simuladores, ou sim racing.

Mas quão realista é um simulador de corrida de sim racing? Quão próximo está um jogo de simulação dos mais sofisticados, como Assetto Corsa Competizione, das sensações vividas pelos pilotos? Para responder, nada melhor do que colocar um piloto de verdade ao volante do carro virtual criado a partir daquele com o qual ele corre nas pistas.

Stefano Gai, 36, se ofereceu para o teste – com um currículo que inclui, entre outras coisas, três vitórias no Ferrari Challenge, um título Pro-Am europeu na Blancpain Endurance Series, vitórias no campeonato italiano de GT3 e dividir sua Ferrari com pilotos como Jacques Villeneuve e Giancarlo Fisichella.

No simulador montado na redação da nossa parceira italiana Quattroruotte, selecionamos a pista de Misano e escolhemos a Ferrari 488 GT3 Evo da Scuderia Baldini de Roma, que Stefano pilotou este ano no campeonato GT italiano: o software permite inclusive que se use a pintura exata do carro, para dar ainda mais realismo.

Aprenda diante da tela

Stefano esclarece de imediato que não costuma disputar sim racing, diferentemente de muitos amigos e colegas dele, mas acrescenta que “sabe da sua utilidade, sobretudo em duas circunstâncias: a necessidade de aprender mais e desenvolver um modelo totalmente novo e a de treinar para uma pista na qual nunca se correu, para estudar os traçados ideais para cada curva”.

O realismo da sim racing com o Assetto Corsa Competizione é notável, mas “a principal diferença em relação à realidade está na ausência de movimento do carro, o fato de não sentirmos forças de aceleração laterais e longitudinais a que o corpo do piloto está sujeito”. Para chegar a esse nível, é preciso usar simuladores dos fabricantes de automóveis ou equipes de Fórmula 1, que são montados em sistemas hidráulicos – ao custo de milhões de euros (a Ferrari concluiu recentemente um novo).

Em busca da configuração correta

Gai começa a se familiarizar com a Ferrari 488 GT3 do sim racing, e pouco depois vai aos boxes fazer algumas mudanças. “A configuração padrão”, explica ele, “é bem fácil, mas o carro é macio demais na traseira e acaba exagerando no subesterço”. O piloto navega pelos menus digitais do software e começa a trabalhar na configuração, aliviando um pouco a barra estabilizadora dianteira e endurecendo a traseira; não podendo reduzir a altura dianteira da máquina, que já está no mínimo, aumenta a do eixo traseiro.

O equilíbrio dos freios e a incidência da asa, porém, já estão corretos para o uso dele. “Poder intervir nestes e outros parâmetros”, comenta, “é muito didático, principalmente para quem tem pouca experiência em pista: ajuda a perceber onde se pode intervir para melhorar o comportamento do carro, e, se já não o conhecer bem, definir uma configuração inicial, que depois será adaptada às reais condições do circuito – que variam consoante a temperatura ambiente, a “borracha” do asfalto e outros fatores”.

Familiarizar-se com os controles do volante também pode ser bastante útil na sim racing: nosso simulador tem um padrão, mas, se você desejar, pode encontrar um volante idêntico ao da 488 GT3 Evo, que tem formato de borboleta e é reproduzido na tela. “Quando você corre”, explica Stefano, “pode usar comandos no volante para intervir em parâmetros como mapeamento do motor, adaptando-o, por exemplo, à velocidade do safety car, à resposta do pedal do acelerador – que altera o gestão do torque – ou à repartição da frenagem.

Também existe a possibilidade, ao se perceber algum problema, de inserir um marcador no sistema de telemetria, de forma a identificar a situação em que ele ocorreu”. E esta telemetria, ao final do teste, baixamos do software do jogo para comparar com a verdadeira, da volta de Stefano em Misano: você pode ver esta comparação completa na página ao lado.

Simulador: a estação

O que é preciso para pilotar na sim racing como um profissional? Uma estação como a que nos foi fornecida pelos especialistas da AK Informatica, indispensável para tirar o máximo proveito de cada volta na pista virtual. Em nosso caso, o chassi que forma a base do simulador é completado com um assento Sparco Pro2000 II, um monitor curvo Samsung CRG9 de 49 polegadas, especial para games, e um volante Fanatec ClubSport Racing (abaixo) com pedal Clubsport Pedal V3 (mais abaixo).

É o ideal para tirar máximo proveito de um simulador ultrarrealista como o Assetto Corsa Competizione, que usamos para correr virtualmente na pista de Misano com a Ferrari 488 GT3 Evo. Tudo isso, porém, seria inútil sem um computador potente (ou um console de última geração): nosso equipamento usa um processador hexa-core Intel i7-8700K com 16GB de memória RAM, um drive SSD de 240GB combinado com um segundo disco rígido, este de 1TB, e uma poderosa placa de vídeo GeForce RTX 3060 Ti com 8GB de Ram (GDDR6), o verdadeiro coração de nossa configuração. E qual seria o custo de um conjunto deste nível? Quase € 6 mil (ou R$ 40 mil).

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