Só falta (m) ele (s)

O cialmente, o Dodge Dart não será vendido no Brasil. Nem seu irmão gêmeo, o Fiat Viaggio. Serão duas oportunidades desperdiçadas?

Na apresentação do Dodge Dart em Austin no Texas (EUA), os concorrentes mostrados no telão eram nossos velhos conhecidos: Civic, Corolla, Cruze, Jetta, Elantra… Falava-se do mercado americano, mas todos os rivais citados já são vendidos no Brasil. No Salão de Pequim, uma semana antes, cena parecida deve ter se dado na exibição do Fiat Viaggio, irmão gêmeo do Dart (ambos foram desenvolvidos em conjunto a partir do Alfa Giulietta e são os primeiros ” lhos” com DNA conjunto dos grupos Fiat e Chrysler). A nal, o modelo será fabricado na China para enfrentar Civic, Corolla, Cruze, Jetta, Elantra…

A conclusão óbvia é que o mercado brasileiro tem espaço para os dois – principalmente o Fiat. Mas, o cialmente, eles não vêm. A produção de ambos estava de nida para o México, como noticiamos, o que possibilitaria vender o Fiat no Brasil e na Europa e o Dodge nos EUA, todos com preço competitivo. Mas houve uma mudança nos planos e, a princípio, o Dart será fabricado só nos EUA, e o Viaggio, somente na fábrica da Fiat na China – tudo no segundo semestre.

No interior, detalhes esportivos com costura vermelha, bom acabamento e espaço generoso. O câmbio de seis marchas é preciso e tem alavanca curta

Mas é claro que o grupo Fiat-Chrysler estuda desesperadamente uma solução para o problema brasileiro. Para ter bom preço em nosso mercado, o Fiat teria que ser feito aqui ou vir da China. Dizem, porém, que aqui não temos onde fazê-lo e que lá a produção dará conta só do mercado interno. Então parece que teremos de esperar pela fábrica da Fiat em Pernambuco – que ca pronta em 2014 – para ter os modelos nacionais, com motorizações e posicionamento diferentes, como já ocorre com o Fiat Freemont/Dodge Journey.

Representantes da marca dizem que o carro, até lá, estaria “velho” – e que temos o Linea nesse segmento. Dizem que só fomos convidados a conhecer o Dart nos Estados Unidos pela importância do projeto. Mas, primeiro, se ele chegar aqui em 2014, não será problema: o Cruze, para citar um exemplo apenas, chegou até mais atrasado e é sucesso de vendas; segundo, o Linea pode enfrentar City, J5, Polo e cia., posicionado onde hoje estão suas versões 1.8 (entre os R$ 50 mil de um Grand Siena topo de linha e os R$ 65 mil iniciais do Viaggio), mas não tem “cacife” para desbancar Corolla, Civic, Cruze… E é aí que a dupla Dart/Viaggio se sairia muito bem.

A central multimídia mostra também as informações do sistema de ar e do navegador. O painel tem tela TFT, que pode ser configurada de diferentes modos. Para a segurança, dez airbags e ESP

Desenvolvido a partir do hatch Alfa Giulietta, o Dart foi alongado para virar um sedã: como resultado, o banco traseiro, segundo a marca, ficou com mais espaço do que em um Sonata ou um Optima, e a carroceria cou com ares de cupê quatro portas, mais esportiva. O fato de o carro ter sido alargado, ganhando cintura bem mais marcada, também colaborou para o ganho de espaço interno. O interior tem diferentes acabamentos conforme a versão, dos simples aos caprichados, com cromados, black-piano e texturas variadas. Do mesmo modo, os instrumentos podem ser básicos e reais ou incrementados e virtuais; o sistema multimídia pode ter apenas CD e USB, ou ter uma tela multimídia enorme com várias funções; e por aí vai…

Na mecânica, a mesma exibilidade. São três opções de motor – 1.4 turbo MultiAir de 160 cv e 25,5 kgfm (Fiat), 2.0 Tigershark de 160 cv e 20,4 kgfm (Chrysler) e 2.4 Tigershark MultiAir 2 de 184 cv e 20,4 kgfm (Fiat-Chrysler). E ainda há opções de câmbio, todos com seis velocidades: manual, automático sequencial ou automatizado de dupla embreagem (DDCT). Esse último câmbio e o motor 2.4 só chegam no segundo semestre. Das opções que avaliamos no Texas, a mais interessante foi a 1.4 Rallye, turbo com câmbio manual (que poderá ter como opção o DDCT). Enquanto o 2.0 é meio áspero e ruidoso, o MultiAir, além de econômico e silencioso, responde sempre com vigor, graças à boa disponibilidade de torque. O câmbio manual tem bons engates e a direção com assistência elétrica é leve na cidade e ganha peso correto na estrada.

 

O acerto das suspensões conseguiu juntar o conforto desejado pelos americanos à esportividade dos europeus. Merece destaque também o capricho na aerodinâmica: chapas cobrem a parte inferior do carro e a grade dianteira se fecha em alta velocidade. Mais um toque sutil de qualidade em um carro cheio de qualidades.

Derivado do hatch Alfa Giulietta, o Dart foi alongado para virar um sedã; como consequência, acabou parecido com um cupê de quatro portas

Os bancos são grandes e têm abas generosas, que apoiam bem o corpo. No porta-luvas, um iPad cabe com folga

A VERSÃO DA FIAT

Como a MOTOR SHOW já havia anunciado com exclusividade em dezembro, a Fiat também tem seu Dart. Na edição passada, publicamos as fotos abaixo do carro que foi mostrado no Salão de Pequim (China) e batizado de Fiat Viaggio. No Brasil, ele deve ser fabricado a partir de 2014

 

 

Veja também

+ A biblioteca básica do motociclista cool
+ Tomografia revela que múmias egípcias não são humanas
+ Homem compra Lamborghini após fraude em auxílio emergencial
+ Os 20 carros 1.0 mais econômicos do mercado brasileiro
+ Restaurar um carro: quanto custa e quanto ele pode valorizar



COMPARTILHAR
Notícia anteriorConforto acessível
Próxima notíciaAgora no rumo certo