13/03/2026 - 9:32
Os números de vendas de carros elétricos e híbridos em janeiro de 2026 são, à primeira vista, motivo de festa. As vendas de eletrificados deram um salto de 63,8% no ano passado. No papel, a eletrificação no Brasil decolou. Na vida real, o motorista encontra cada vez mais pessoas com quem disputar os pontos de recarga.
Notem que esses 63,8% são o crescimento das vendas de carros eletrificados, não da frota. O país já ostentava uma frota de 613.389 veículos eletrificados em dezembro, mais da metade deles plugáveis, então a situação para quem depende de recarga pública só piora.
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A conta não fecha: dos eletrificados que saíram das concessionárias no ano passado, cerca de 60% são plug-ins – precisam ser conectados a um fonte externa de energia para carregar a bateria (essencial nos BEV e importantíssimo nos PHEV – saiba mais aqui). São 354.329 novos carros que precisam de um eletroposto para que possam ser usados com flexibilidade.
Enquanto essa frota plugável cresce em ritmo forte, a infraestrutura pública caminha a passos mais lentos, embora o ritmo tenha melhorado um pouco no último ano. Segundo o relatório “Recarga pública rápida cresce 167% em 12 meses“, divulgado pela ABVE agora em março, em fevereiro de 2025 eram 2.430 pontos de recarga rápida (DC), e agora em fevereiro de 2026 são 6.479 pontos.
Isso representa um crescimento de 167%, mas um número total ainda muito baixo. Já os carregadores lentos eram 12.397 em fevereiro de 2025 e subiram a 14.582 em fevereiro de 2026 – um crescimento de apenas 17,6%.

Então, quando consideramos o total da rede (pública e semipública), eram 14.827 pontos de recarga em fevereiro do ano passado contra 21.061 agora para uma legião de plug-ins que já rompeu a barreira das 350 mil unidades.
Além de o crescimento total ter sido de apenas 42%, os carregadores DC – os únicos que servem de fato para os carros 100% elétricos (BEVs) ou mesmo aos híbridos PHEV em viagens – atingiram apenas 31% do total da base nacional de eletropostos públicos e semipúblicos (eram 16% em fevereiro de 2025).
Elétricos e híbridos plugáveis precisam de mais carregadores
A proporção atual é de cerca de 17 carros para cada ponto público de recarga, enquanto o referencial técnico para evitar o caos e a “ansiedade de autonomia” é de 10 para 1. Operamos com quase o dobro da carga que o sistema suporta com o mínimo de dignidade e praticidade. Na China, a média é 9 para 1; na Europa, 12 para 1. No Brasil, o motorista fica refém da falta de planejamento – seja do governo, seja da iniciativa privada.

Vender o carro é o trabalho mais fácil do marketing: o mais difícil é o que vem depois. Com o crescimento das vendas atropelando o da infraestrutura, o carro elétrico corre o risco de virar uma excelente opção para uso urbano e para quem pode carregar em casa, e os híbridos PHEV ficam circulando em condições longe das ideais.
No fim, a pergunta não é mais quanto o carro anda nem mesmo quanto tempo ele leva para ser carregado, mas quanto tempo você está disposto a ficar procurando um eletroposto livre ou esperar na fila para recarga antes de poder seguir viagem.

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