Soldado Barone

Além dos veículos, sua coleção da II Guerra conta com fardas da época, capacetes e miniaturas. Ao lado, Barone relaxando durante as filmagens do documentário e se apresentando com os Paralamas

Quando criança, João Barone, baterista do grupo Os Paralamas do Sucesso, não se contentava apenas em bater panelas. Sua diversão favorita era brincar de soldado de guerra.

O gosto pelo assunto vem de família. Seu pai foi um dos brasileiros que lutaram na II Guerra Mundial. “Ele não gostava de tocar no assunto, só falava que era terrível, mas que foi uma luta muito importante, na qual o bem venceu o mal”, relembra Barone.

A curiosidade – somada ao gosto por história – fez com que o baterista enxergasse o tema com certo romantismo. Movido por esse sentimento, e com o objetivo de se aproximar mais da realidade dos soldados, Barone resolveu colocar a mão na graxa. Em 1998, comprou um jeep Willys MB 1944 para restaurar. A idéia era deixá-lo idêntico aos veículos usados na Guerra. Mecanicamente, nada foi alterado, apenas seu visual voltou no tempo e recebeu até os adesivos que identificavam as viaturas da época. Muitas peças tiveram que ser importadas dos EUA para que o veículo ficasse autêntico. O trabalho durou um ano e custou por volta de US$ 20 mil (cerca de R$ 36 mil).

Depois de concluída a reforma em seu jipe, Barone começou a freqüentar encontros e clubes de aficionados por veículos militares, além de manter contato, pela internet com alguns estrangeiros, que eram bastante ligados ao assunto. O músico chegou até a fundar o CVMARJ (Clube de Veículos Militares Antigos do Rio de Janeiro), no ano 2000.

Apesar de ter uma ligação mais forte com seu jeep Willys, Barone tem outros dois xodós: um protótipo do jipe Ford GP 1941, que importou dos EUA e vem restaurando há quatro anos , e um Dodge WC 53 1942, mais conhecido como Carryall, que trabalhou na base aérea de Recife. Esse carro foi vendido por uma família que, sabendo do interesse do baterista pelo assunto, o procurou para se desfazer do bem.

Ao lado, a coleção pessoal de Barone: (1) Ford GP 1941 registrado quando sua restauração estava quase completa; (2) jipe Willys MB 1944 (o mesmo das fotos em destaque, que viajou do Rio à Normandia sob o codinome de Gisele); (3) Dodge WC 53 1942

No começo de 2000, alguns amigos franceses estavam se programando para fazer uma viagem à Normandia, para comemorar os 60 anos do Dia D, uma das mais importantes batalhas da Guerra. O baterista ficou tão empolgado, que resolveu fazer um documentário do episódio, intitulado “Um brasileiro no dia D”. Claro, seu jipe não poderia ficar fora dessa.

Sabendo que os soldados batizavam seus veículos com nomes femininos para homenagear suas esposas, Barone decidiu chamar seu Willys de Gisele, apesar de esse não ser o nome de sua mulher. “Ao contrário do jipe, minha esposa é linda! Por isso, resolvi inventar um nome qualquer. Gisele caiu muito bem”, justifica. Além do apelido, o veículo também recebeu marcações iguais às usadas pela quarta divisão da infantaria americana, que, na época, se instalou na praia de Iutah, onde Barone acampou com a equipe de filmagem.

A viagem durou oito dias, e Gisele foi o principal coadjuvante do documentário. Foram mais de 1.500 km rodados. “Sou a prova viva de que os jipes nunca deixavam os soldados na mão. Só tive um probleminha na bomba de combustível, mas de resto, ele se comportou muito bem”, diz. Felizmente. Afinal, estar a bordo desse veículo era parte importante da viagem, já que o objetivo era ter a noção real do que os combatentes passaram. E, quanto mais perto da realidade de 1944 estivessem, melhor seria. “Cheguei até a ter um frio na barriga ao passar por aqueles cenários. É uma Disneylândia para os amantes da história. Muitas características geográficas, como os bunkers de areia, ainda estão intactas”, conta.

Atualmente os veículos de guerra estão guardados na garagem de seu sítio e Barone confessa que gostaria de ter mais tempo para curti-los. “Na minha opinião, os carros, assim como animais, precisam muito de carinho e atenção.” Para ele, o contato constante com esses veículos é o melhor modo de se aproximar da II Guerra Mundial, sua paixão ao lado da música. “Assim como na guerra os soldados lutavam por si e por seus colegas, na música eu também não toco apenas por mim”, conclui.

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