Suave Brutalidade

Foram mais de 1.800 quilômetros ao volante do Mercedes Classe M, e tudo com dois tanques de combustível. Isso porque o que havia neles era diesel. No interior da Inglaterra, avaliamos o ML 350 BlueTEC, nova versão do SUV da Mercedes que chega ainda este ano ao Brasil. O mais provável é que, diferentemente do GLK (leia mais na página 32), ele conviva com a versão a gasolina. Deve ser mais caro (cerca de R$ 310 mil, contra os R$ 284.500 do ML 350 vendido hoje), mas oferecerá mais atrativos.

Além do consumo menor (e de um combustível mais barato) essa versão é bem melhor para o off-road. Afinal, seu motor V6 turbodiesel gera exagerados 63,2 kgfm (a mesma força do V8 de 6,2 litros do C 63 AMG). O desempenho é brilhante – zero a 100 km/h em 7,4 segundos e máxima de 224 km/h –, mas o que mais impressiona é o nível de ruído. O silêncio era tanto que nem parecia que estava em um modelo a diesel. Para completar, essa força toda é entregue de modo progressivo, por meio do câmbio de sete marchas – um pouco lento, mas bem decidido.

Se o powertrain garante mais força para enfrentar obstáculos, o pacote On&Off-Road da unidade avaliada, não disponibilizado no ML a gasolina, o transforma em um verdadeiro jipão. A marca não pode deixar de oferecê-lo no Brasil. É vendido como opcional, e apenas em conjunto com a suspensão a ar AirMATIC – que permite ajuste da altura do SUV e da carga dos amortecedores (conforto ou esporte) – mudando sensivelmente o comportamento dinâmico. Fazem parte do pacote a transmissão com reduzida e bloqueio do diferencial, proteções sob a carroceria e seletor do tipo de terreno – neve, lama, pedras, etc. Outro opcional interessante é o controle ativo de inclinação da carroceria, que atua instantaneamente nos amortecedores nas curvas fazendo o ML contorná-las de modo surpreendente.

A toda essa bravura, o SUV une características de “peruona” familiar. O interior é sofisticado e luxuoso, com muito espaço tanto no porta-malas quanto no banco traseiro, e as suspensões são confortáveis e silenciosas. A direção, embora isolada demais, tem peso e respostas bem calibrados e fica leve em manobras. Estão presentes ainda um bom pacote de segurança – embora o alerta de mudança de faixa seja discreto demais – e um sistema multimídia que, apesar de não ter tela sensível ao toque, mostrou-se fácil de operar (depois de uns três dias de convivência, nem sentia mais falta do recurso). Certamente uma boa compra, e quase sem concorrentes diretos – a diesel – em nosso mercado. Seu maior rival é o Range Rover Sport a diesel, cuja nova geração avaliaremos também na Inglaterra – e mostraremos aqui na próxima edição.

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