Supermáquina

AUDI R8 V10 151.901EUROS

A pista úmida e muito escorregadia não facilita as coisas no belíssimo e exigente circuito de Ascari, encravado no sul da Espanha. Mas o R8 V10 parece não se amedrontar. Ele se lança rápido na curva, quase sem subesterço e basta uma ligeira diminuição na velocidade para se recuperar a direção. Acelero sem muita cerimônia, deixando a eletrônica fazer seu trabalho. Estou em segunda marcha, e o carro derrapa sobre as quatro rodas para fora da curva e a luz espia do ESP começa a piscar loucamente.

Os 10 cilindros continuam a encher com decisão. Um rápido contraesterço e já estamos perfeitamente realinhados na pista com os 500 cv sendo despejados com toda a eficiência possível. Um instante, e o contagiros já está nas 8.500 rpm. A terceira marcha entra com violência desequilibrando o carro por um segundo. Quarta engatada e seguimos a mais de 200 km/h. Fácil, muito fácil. Em uma palavra: fantástico.

Este é o novo R8 V10 5.2 de 525 cv de potência. Ou, ao menos, essa é uma das muitas facetas deste novo superesportivo. E não necessariamente a mais fascinante delas. É que, apesar de passear na pista como uma criança no jardim de casa, essa máquina é, sobretudo, um legítimo Gran Turismo. Veloz, extremamente veloz, posso assegurar, mas um verdadeiro GT. Apesar da usina de força que o movimenta, ele é confortável o bastante para enfrentar o tráfico do dia a dia ou para encarar uma viagem mais longa (o porta-malas é suficiente para um fim de semana a dois).

E é exatamente na estrada que se aprecia ainda mais esse esportivo. Na verdade, a emoção começa muito antes, logo quando se abre a garagem e se coloca ao volante. O interior é impecável como o de todos os Audi (acabamento, materiais, etc…) mas aqui soma-se ao luxo uma aura apimentada pelo histórico de corrida nos circuitos de todo o mundo e das muitas vitórias em Le Mans que, inevitavelmente, o carro carrega em sua essência.

A posição de dirigir é esportivíssima, como era de se esperar. Guia-se a poucos centímetros do asfalto, com o pequeno volante na vertical, a uma boa distância e com as duas borboletas do câmbio perfeitamente posicionadas. Os bancos, como todo o interior, são revestidos de um tecido macio e tem suportes laterais reguláveis eletricamente de modo a adaptar-se perfeitamente a quem está dirigindo. Em resumo, no habitáculo do R8 bastam poucos instantes para que o piloto se encontre e passe a se sentir parte do carro.

O V10 que ronca neste Audi é parente bem próximo daquele que impulsiona a Lamborghini Gallardo (as modificações estão na admissão, no escape e no mapeamento eletrônico). Por ser uma unidade de curso longo – uma opção técnica que privilegia o torque, o rendimento e a emissão de poluentes – ela gira com facilidade desconcertante até os 8.700 rpm, mas é extremamente disponível também nas rotações mais baixas. O que é um feito. Pilotar esse carro na estrada é um prazer raro. Você pode deixar os dez cilindros cochilando, com a certeza de que basta uma encostada no acelerador para fazê-los acordar. Além de se poder jogar com o câmbio e se ter o esterço sempre preciso, progressivo e com o peso ideal à disposição. Um acerto que garante limites impensáveis a um esportivo desse calibre. É pilotagem pura, nada além disso.

A posição de dirigir desse Audi é absolutamente esportiva. O piloto fica bem próximo ao chão, o volante é posicionado verticalmente e os comandos principais estão na altura das mãos

 

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