Você sabe qual é o custo por quilômetro rodado com o seu carro? Além da maior ou menor conveniência de uso conforme as prioridades, distâncias e eventuais viagens de cada proprietário ou família, os diferentes tipos de propulsão usados no veículo – a combustão, elétrica, híbrida ou híbrida plug-in – também definem quanto será gasto a cada quilômetro percorrido.

Para entender essa diferença, pegamos os SUV mais vendidos de cada tipo e calculamos, com base nos dados de consumo do Inmetro, o valor que se gasta por quilômetro percorrido usando cada um deles (e incluímos também o campeão de economia hoje, o BYD Dolphin Mini, que é um hatch).

+Avaliação: Boreal é um Renault de Schrödinger (é Dacia e não é ao mesmo tempo)

Os preços dos combustíveis variam conforme a região, então consideramos para essa comparação os valores médios nacionais. São eles, em meados de março de 2026: gasolina a R$ 6,3 (fonte: Petrobras/ANP), etanol a R$ 4,64 (fonte: ANP) e energia elétrica a R$ 0,80 em casa e R$ 2 na rua (pesquisa da reportagem).

Já os dados de consumo são baseados no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro, que usa o mesmo padrão para todos os carros. Vale observar que, no caso dos híbridos plugáveis, o Inmetro considera o consumo sem recarga, pensando em uma viagem mais longa. Já no caso dos elétricos, consideramos km/kWh, que o Inmetro não usa, a partir da autonomia oficial deles e da capacidade da bateria. Abaixo, os dados de consumo dos SUVs que usamos para os cálculos:

VW T-Cross Comfortline 2026 - Foto: divulgação
VW T-Cross Comfortline 2026 – Foto: divulgação

SUV a Combustão: VW T-Cross 1.0

Etanol: 8,5 km/l na cidade e 10,2 na estrada
Gasolina: 12,1 km/l na cidade e 14,5 na estrada

SUVs mais vendidos de agosto de 2025 tem Corolla Cross na liderança
Toyota Corolla Cross XRX Hybrid 2025 – Foto: divulgação

SUV Híbrido autocarregável (HEV): Toyota Corolla Cross

Etanol: 11,6 km/l na cidade e 9,9 na estrada
Gasolina: 16,6 km/l na cidade e 14 na estrada

BYD Song Pro 2026 – Foto: divulgação

SUV Híbrido plug-in (PHEV): BYD Song Pro

Modo elétrico: 3,4 km/kWh na cidade e na estrada
Gasolina (sem carga): 14,8 km/l na cidade e 12 na estrada

BYD Yuan Pro – Crédito: Divulgação

SUV Elétrico a bateria (BEV): BYD Yuan Pro

Cidade 5,5 km/kWH (pela autonomia e bateria)
Estrada: 5 km/kWh (teste MS)

BYD Dolphin Mini nacional - Foto: divulgação
BYD Dolphin Mini nacional – Foto: divulgação

Hatch a bateria (BEV): Dolphin Mini

Cidade 7,4 km/kWH (pela autonomia e bateria)
Estrada: 6,6 km/kWh (teste MS)

TABELA DE CUSTO POR QUILÔMETRO RODADO SUVs 2026 (e Dolphin Mini)

Cruzando os dados de consumo do Inmetro com os custos médios dos diferentes combustíveis e da energia elétrica, chegamos aos seguintes valores:

TecnologiaModeloCombustívelCidadeEstrada
CombustãoVW T-CrossEtanolR$0,55R$0,45
GasolinaR$0,52R$0,43
Híbrido (HEV)Corolla CrossEtanolR$0,40R$0,47
GasolinaR$0,38R$0,45
Híbrido Plug-in (PHEV)BYD Song ProElétrico (Casa)R$0,24R$0,24
Elétrico (Rua)R$0,59R$0,59
Gasolina (s/ carga)R$0,43R$0,53
Elétrico (BEV)BYD Dolphin MiniElétrico (Casa)R$0,11R$0,12
Elétrico (Rua)R$0,27R$0,30
Elétrico (BEV)BYD Yuan ProElétrico (Casa)R$0,15R$0,16
Elétrico (Rua)R$0,36R$0,40

Análise dos números

O campeão da economia é o elétrico Dolphin Mini, até por ser menor. Carregado em casa, ele apresenta o menor custo por quilômetro rodado de todos, chegando a meros R$ 0,11 por km. Mesmo carregando em eletropostos públicos pagos (R$ 2,00/kWh), ele ainda compete de igual para igual com o custo da gasolina em carros híbridos.

Mas, como estamos falando de SUV, colocamos como BEV o Yuan Pro. Para ser mais justo com os demais, também consideramos o elétrico da categoria SUV compacto, que tem consumo pior que o Dolphin Mini. São cerca de 5,5 km/kWh na cidade e 5 km/kWh na estrada, por ser maior e mais pesado.

Um dado curioso é que, no caso do Corolla Cross, o custo por quilômetro rodado com o uso da gasolina na cidade (R$ 0,38) é mais vantajoso que o etanol (R$ 0,40), e o carro é significativamente mais eficiente no ciclo urbano do que no rodoviário, devido à regeneração de energia.

Já o plug-in tem uma desvantagem: o BYD Song Pro, por exemplo, é econômico no modo elétrico (carregado em casa), mas, se a bateria acabar, o custo por km na estrada com gasolina (R$ 0,52) supera até o de um SUV comum como o T-Cross (R$ 0,43).

Custo Mensal

Considerando uma rodagem de 2.000 km por mês (uma média comum para quem usa o carro diariamente ou trabalha com ele), os gastos mensais, considerando o custo por quilômetro rodado da tabela acima, seriam os seguintes:

Veículo e CombustívelGasto Mensal (Cidade)Gasto Mensal (Estrada)
VW T-Cross (Gasolina)R$ 1.041,32R$ 868,97
Toyota Corolla Cross (Gasolina)R$ 759,04R$ 900,00
BYD Song Pro (modo elétrico – Casa)R$ 470,59R$ 470,59
BYD Song Pro (modo elétrico – Rua)R$ 1.176,47R$ 1.176,47
BYD Song Pro (Gasolina)R$ 851,35R$ 1.050,00
BYD Dolphin Mini (Elétrico – Casa)R$ 216,22R$ 242,42
BYD Dolphin Mini (Elétrico – Rua)R$ 540,54R$ 606,06
BYD Yuan Pro (Elétrico – Casa)R$ 290,91R$ 320,00
BYD Yuan Pro (Elétrico – Rua)R$ 727,27R$ 800,00

Conclusões

A primeira conta que chama atenção é sobre o uso no cenário urbano. Trocar um T-Cross a etanol por um Dolphin Mini carregado em casa gera uma economia de R$ 875,55 mensais. Em um ano, são mais de R$ 10.500,00 que ficam no seu bolso. Já ao trocar o VW T-Cross por um SUV a bateria equivalente, o Yuan Pro, a economia cai para ainda consideráveis R$ 800,85 mensais ou R$ 9.610,20 anuais.

Detalhe: se você carregar o Dolphin Mini na rua (a R$ 2,00/kWh), o gasto mensal de 2.000 km sobe de R$ 216,22 para R$ 540,54. Ainda é mais barato que qualquer carro a combustão, mas custa o dobro do carregamento doméstico.

Note, também, que o Corolla Cross (HEV) tem menor custo por quilômetro rodado na cidade do que na estrada. Isso acontece porque o motor elétrico atua muito mais no trânsito urbano (anda e para), enquanto na estrada o motor a combustão faz a maior parte do esforço.

Já em relação a um híbrido plugável (PHEV) como o Song Pro, se você esquecer de carregá-lo na tomada e rodar 2.000 quilômetros na estrada apenas com gasolina, ele acaba gastando cerca de R$ 1.050,00, sendo o mais caro da lista nessa condição específica. O segredo dele é nunca deixar de carregar em casa!

Carregar o Song Pro em carregadores DC de rua (R$ 2,00/kWh) faz o custo por quilômetro rodado saltar para R$ 0,59. Curiosamente, nessa situação, sai mais caro rodar no modo elétrico (R$ 0,59/km) do que queimar gasolina (R$ 0,53/km) na estrada. Ou seja: para ele, o carregamento público caro só vale a pena pela sustentabilidade ou silêncio, não pelo bolso.

Colocando os híbridos contra os 100% elétricos, mesmo na estrada, o Dolphin Mini (R$ 242,42) continua sendo o campeão absoluto de economia, custando praticamente metade do que o Song Pro gasta em eletricidade, devido ao seu peso menor e maior eficiência energética. E o Yuan Pro também o supera – mas lembre-se der que é preciso para e perder muito tempo carregando a bateria, se a viagem for longa.

No caso do Song Pro, carregar na rua (R$ 1.176,47) torna a viagem mais cara do que usar apenas gasolina (R$ 1.050,00). Para este modelo híbrido, se o eletroposto cobrar R$ 2,00 por kWh, financeiramente vale mais seguir viagem queimando gasolina.

Para o Dolphin Mini, o custo mensal para uso interurbano sobe de R$ 242,42 (casa) para R$ 606,06 (rua). É uma diferença de R$ 363,64, o que reforça que o carro elétrico é imbatível quando se tem onde carregar em casa ou no trabalho com tarifa residencial.

Enquanto isso, o SUV 100% elétrico Yuan Pro na estrada (carregado em casa) continua sendo extremamente econômico, gastando menos da metade do dinheiro que um SUV a combustão (T-Cross). Mas um dado interessante surge aqui: se você carregar o Yuan Pro na rua pagando R$ 2,00/kWh, o custo por quilômetro rodado (R$ 0,40) é praticamente o mesmo de um T-Cross a gasolina (R$ 0,43).

Ou seja, em viagens longas, onde se depende 100% de carregadores ultrarrápidos pagos, a vantagem financeira do Yuan Pro sobre um carro flex (que é abastecido em menos de um minuto) eficiente quase desaparece. E, nesse cenário, o Yuan Pro (BEV) é significativamente mais econômico do que o Song Pro (PHEV) — por ser menor e menos potente, mas, principalmente, por ser 100% elétrico, sem motor a combustão e mais leve.