Tamanho não é documento

Depois de movimentar o mercado com o compacto J3 nas versões sedã e hatch, a Jac Motors passou a explorar novos territórios. Lançou a minivan J6 e agora entra no disputadíssimo segmento de sedãs médios. A receita é sempre a mesma: modelos completos por um valor abaixo do praticado pela concorrência. Nesse caso, R$ 53.800. O problema é que, na medida em que a faixa de preço aumenta, os consumidores se tornam mais conservadores e cautelosos, e fica ainda mais difícil convencê-los a experimentar o novo. Esse deverá ser o maior entrave para o três volumes chinês. Como trunfo principal, tem as medidas avantajadas: 4,59 m de comprimento, 1,77 m de largura e signifi cativos 2,710 m de entre-eixos. Não é o mais espaçoso da categoria, mas, de fato, está entre os melhores nesse quesito. Quem senta no banco de trás pode cruzar as pernas sem tocar no encosto dianteiro. Lateralmente, é sufi ciente para três pessoas.

O problema é que fazer sucesso no segmento não é necessariamente uma questão de tamanho. Os modelos que aparecem no ranking dos mais vendidos não são os maiores. O grandalhão Peugeot 408, por exemplo, está em oitavo lugar, com apenas 2,86% de participação. Em contrapartida, o líder Corolla, um dos mais franzinos, vende 3,6 mil unidades ao mês, abocanhando 22,94% de market share. O consumidor desse tipo de carro tem outras prioridades. Até porque, do maior ao menor, todos são suficientes para transportar uma família com conforto.

No comportamento dinâmico, o J5 também se garante. Sem o mesmo equilíbrio e suavidade dos japoneses, ele faz curvas com competência, é macio e tem suspensões independentes que, apesar de um pouco barulhentas, absorvem bem as irregularidades do solo. Mérito da SHC, representante da marca no Brasil, que providenciou 160 mudanças no carro chinês antes de trazêlo ao País. Muitas delas, como a troca dos amortecedores, visavam justamente obter uma relação entre conforto e estabilidade mais adequada às exigências locais, uma vez que os chineses priorizam o rodar extremamente macio que, em alguns momentos, pode transmitir insegurança.

O ponto fraco está sob o capô. O J5 oferece um motor moderno, feito de alumínio, com comando variável e 16V, mas com “apenas” 126 cv de potência e 15,5 kgfm de torque. Números bons para uma unidade 1.5 (trata-se do mesmo 1.4 do J5 com cilindrada maior), mas insuficientes para um carro desse porte. No dia a dia, o consumidor pode até se satisfazer, mas, em ultrapassagens e retomadas, sentirá falta de uma cilindrada maior. Terá que recorrer a constantes mudanças de marchas, e isso, definitivamente, não é o que o dono de um sedã médio quer. Principalmente porque os engates das marchas também não são dos mais precisos e exigem calma nas passagens. Há outras limitações: o J5 não oferece uma opção automática, preferência absoluta no segmento, e seu motor não é flex. Ou seja, não será fácil brigar com modelos tradicionais e com motores maiores como Corolla, Cruze, Civic, Jetta, Fluence e 408 será demais para o médio da Jac, mesmo custando cerca de R$ 10 mil a menos.

Mas existe um espaço bem interessante para ele, ao lado de carros como Honda City e Nissan Tiida Sedan. Nesse degrau abaixo, a briga é menos acirrada e o custo-benefício (ponto forte da Jac) fala mais do que o sobrenome. O que se compra com os R$ 53.800 pedidos pelo J5? Com esse valor, o modelo chinês já vem com uma boa lista de itens de série. Ar-condicionado digital, direção hidráulica, airbag duplo, trio elétrico, CDplayer com MP3 e entrada USB, sensor de estacionamento traseiro, ABS com EBD e rodas de liga aro 16. Os bancos de couro e as rodas aro 17 podem ser adquiridos como acessórios e custam R$ 1.600 e R$ 1.390, respectivamente. Além do pacote completo, o acabamento interno é bom, apesar do desenho meio antiquado, e não fica atrás de seus rivais, mesmo mais caros, que partem de R$ 65 mil.

Por esse valor, você pode levar um City DX (R$ 53.620), ou um Tiida Sedan (R$ 45.590). O Honda oferece um motor também 1.5, mas com 115 cv, e fica devendo equipamentos como som com MP3 e USB, freios ABS, sensor de estacionamento e ar digital. O Nissan tem um motor 1.8 com quase a mesma potência – apesar de mais torque –, mas não oferece os freios ABS e tem um design, digamos, controverso. Além de vir mais equipado, o J5 oferece mais espaço interno e, nesse subsegmento, isso, de fato, é um diferencial. Um grande argumento de vendas que a marca, certamente, saberá explorar bem.

O espaço no banco traseiro é bastante generoso, tanto para as pernas quanto para quem viaja no meio. O porta-malas não é o maior do segmento, mas, com 460 litros de capacidade, é suficiente

OS PRINCIPAIS CONCORRENTES

Motor 1.8 16V • 126 cv • 17,5 kgfm (etanol) 0 – 100 km/h 9,6 segundos Velocidade máxima 195 km/h Consumo médio 9,3 km/l (etanol)

Apesar do desenho controverso, tem excelente relação custobenefício. Entrega menos itens, mas seu preço é menor

Motor 1.5 16V • 115 cv • 14,8 kgfm (etanol) 0 – 100 km/h não disponível Velocidade máxima não disponível Consumo médio 8,1 km/l (Inmetro)

Essa versão de entrada do Honda custa o mesmo que o J5 e tem desempenho equivalente. Perde em equipamentos e espaço

Motor 2.0 16V • 143 cv • 20,3 kgfm (etanol) 0 – 100 km/h 9,5 segundos Velocidade máxima 184 km/h Consumo médio 9,5 km/l (etanol)

Dos sedãs médios é o único com preço para brigar com o J5. Tem medidas menores, mas motor maior e câmbio de seis marchas

Jac J5

Motor quatro cilindros em linha, 1,5 litro, 16 V Transmissão manual, cinco marchas, tração dianteira Dimensões comp.: 4,59 m – larg.: 1,77 m – alt.: 1,47 m eNtr e-eixos 2,710 m PoRta-malas 460 litros Pneus 205/55 R16 Peso 1.315 kg • Gasolina Potência 125 cv a 6.000 rpm Torque 15,5 kgfm a 4.000 rpm Velocidade máxima 188 km/h 0 – 100 km/h 11,8 segundos Consumo não disponível Consumo real não disponível

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