Tamanho não é documento

Roberto Assunção

Anitta, a cantora sexy, diria: “Pre-para! Agora… é hora… do show…” A Volkswagen está lançando um carro alemão fabricado no Brasil com nome inglês. É o Up!, palavra que signfica “para cima”. A exclamação fica por conta do entusiasmo da própria Volks, que acredita estar colocando no mercado o melhor carro compacto nacional nunca antes visto na história deste país. Como várias revistas europeias, nós usaremos Up sem nenhum sinal, para não confundir a leitura. O Up começa a ser vendido antes do Carnaval em quatro versões, todas com o novo motor 1.0 _ ex de apenas 3 cilindros. Os nomes das versões são expressões idiomáticas inglesas: a de entrada Take Up (começar), a intermediária Move Up (ascender) e a top High Up (uma grande atitude). Mas esses nomes não aparecem escritos no carro. O nome só aparece nas outras três versões, que na verdade têm a mesma configuração, mas com nomes e cores diferentes: Red (vermelha), White (branca) e Black (preta). Na prática, essas versões são uma só.


O Volkswagen Up não é uma novidade mundial. O carro foi lançado no Salão de Frankfurt de 2011 e já é comercializado em mais de 50 países, com 250.000 unidades vendidas em dois anos de mercado. Mas o Up nacional é, sim, uma novidade. O presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, desde o primeiro momento deixou claro para a matriz que o modelo brasileiro teria de atender a algumas exigências dos consumidores tupiniquins. Por isso, o Up nacional é 65 mm mais longo, tem as suspensões elevadas em 20 mm, usa pneus ligeiramente maiores, tem um porta-malas 34 litros maior (285 litros), estepe normal, tanque de gasolina com 15 litros a mais de capacidade (por causa do uso de etanol) e janelas traseiras que abrem para baixo (na Europa, são basculantes). “Não é o Up da Europa, é o Up do Brasil”, diz o chefe de desenvolvimento de produto, Egon Feichter.

Embora tenha um design considerado “icônico” pela Volkswagen, assim como o Fusca, o Up não causa espanto – seu desenho é muito parecido com o do Fiat Uno, por exemplo, que é 16,5 cm maior (veja na página 56). Para além do desenho, a Volks quer que os consumidores se preparem para comprar o carro mais seguro do segmento de entrada – ele recebeu cinco estrelas no crash test do Latin NCAP. No teste de impacto para crianças o Up ganhou quatro estrelas. “Vamos acabar com essa história de que carro pequeno não dá segurança para o cliente”, aposta Schmall. Outro ponto forte do Up é o baixo consumo. Ele já arranca com nota A do Inmetro, devido aos números de autonomia (km/l) nos circuitos urbano e rodoviário. Na estrada, com etanol, ele faz 9,9 km/l, autonomia que lhe dá um alcance de 495 quilômetros – pode rodar, por exemplo, de São Paulo ao Rio de Janeiro sem abastecer e ainda sobra.

As versões Red, White e Black vêm com a mesma configuração da High Up, só que são mais, digamos, descoladas. O interior das rodas e a moldura do painel acompanham a cor do veículo. Completo, o carro é gostoso de dirigir. Por enquanto, só dirigimos o Up na pista, o que nos passou a impressão de que ele é lento. Nas ruas, entretanto, quando os parâmetros de dirigibilidade são completamente diferentes, seu desempenho é equivalente ao do Fox BlueMotion (que agradou), pois usa o mesmo motor 3 cilindros de até 82 cv (etanol) e ainda é 35 quilos mais leve. O bloco R3 é de alumínio e as suas seis válvulas de admissão têm comando variável. Cada cilindro tem 333 cm3 de capacidade, contra 250 cm3 do motor R4. Por isso, o 3 cilindros perde menos calor na combustão e é mais e_ ciente. Além disso, ele não precisa do tanquinho de partida a frio. Por ser 30% menor na largura, o motor 3 cilindros coube num compartimento de apenas dois palmos (uns 42 cm) de comprimento. É impressionante ver como a Volkswagen compactou essa parte do carro.

A direção é bem leve, o habitáculo tem bastante espaço dianteiro, a posição de dirigir é muito boa (devido aos ajustes em altura do banco e do volante) e os instrumentos são fáceis de ler. Com exceção da versão Take Up, todas as demais vêm com três indicadores no quadro de instrumentos – um grande para a velocidade e dois pequenos para conta-giros e marcador de combustível. O Up de entrada, porém, tem um cluster paupérrimo, com apenas um indicador mostrando a velocidade. Todas as demais informações (como marcador de combustível e indicador de mudança de marcha) aparecem em minúsculos números vermelhos. O volante de toda a linha tem três raios e lembra o do Fusca.

Na parte da frente, além de alguns bons compartimentos para guardar objetos (como uma garrafa de 1,5 litro nas portas), o Up oferece um generoso porta-luvas de 6,2 litros e tem o extintor de incêndio preso sob o banco do passageiro, impedindo que ele bata nas pernas se o banco for deslocado para trás. Na parte traseira, o Up brasileiro tem espaço para três pessoas, com três encostos de cabeça, enquanto no europeu a configuração é para apenas duas. No entanto, a largura da parte de trás é a mesma. Por isso, as portas traseiras oferecem um porta-objetos pequeno e inútil. Em compensação, dois discretos cabides nas colunas B mostram que o carro foi bem pensado nos detalhes. O banco é 34 mm mais alto para dar visibilidade a quem vai atrás.

Se as cinco estrelas da segurança passiva colocam o carro compacto nacional num novo patamar, a segurança ativa do Volkswagen Up também é digna de registro. Ele vem equipado com ABS de última geração, dotado de EBD (distribuição da força de frenagem), ESS (luzes de freio intermitentes em frenagens bruscas), GMA (impede que o carro rode se houver uma frenagem com pisos diferentes para as rodas da esquerda e da direita) e MSR (aumenta a assistência do freio motor para evitar necessidade de maior pressão no pedal). Segundo a Volkswagen, nos testes de fadiga de freio, realizados com dez frenagens bruscas e sucessivas, a diferença de espaço entre a primeira frenagem e a décima foi de apenas 43 cm, enquanto alguns carros do segmento apresentam uma diferença de até cinco metros!

A lista de equipamentos é bastante atraente – vai ser duro não pensar numa versão mais bem equipada, na hora da compra. O destaque fica para o sistema Maps & More, que traz entretenimento (rádio da própria VW, CD player, mostrador de fotos, conexão para MP3 e bluetooth para dois aparelhos simultâneos), informação (com três marcadores de direção econômica) e navegador por GPS (com mapa em relevo e voz em português do Brasil). Sua tela de cinco polegadas sensível ao toque pode ser facilmente retirada ou instalada sobre o painel. O Maps & More será opcional em todas as versões. Já o Infotrip é o computador de bordo, com dez funções. Outro opcional será o câmbio automatizado I-Motion. Só a versão de entrada não o terá disponível.

Agora prepare-se para o preço. A versão mais barata, Take Up, sem ar-condicionado nem direção assistida, tendo apenas rodas de aço aro 13 e pneus “verdes” 165/80, chega com preço inferior ao do Gol 1.0 (R$ 31.040) e deve custar menos de R$ 29.000. A versão com a melhor relação custo-benefício, segundo a própria Volkswagen, é a Move Up, que já vem com Infotrip, porta-malas dividido por uma tampa retirável, três apoios de cabeça traseiros, rodas de aço aro 14 e pneus “verdes” 175/70. Já a High Up terá direção assistida, rodas de liga leve de 15 polegadas, pneus 185/60 de baixa resistência ao rolamento, faróis de neblina e sensor de estacionamento. As versões Red, White e Black devem passar de R$ 35.000. A garantia total para todas as versões é de três anos. O Up marca o início da completa reformulação da linha Volkswagen. Dentro de pouco tempo, todos os produtos da marca (exceto a família Gol/Voyage/Saveiro) serão globais. Essa estratégia, segundo Schmall, deve levar a Volkswagen à liderança do mercado brasileiro. Se é assim, fica um aviso para a Fiat: “Pre-para!” …

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