Tamanho não é documento

Por mais variado que seja o consumidor e suas necessidades de uso, as picapes sempre tiveram um toque de aventura. Segundo a Fiat, a Strada Locker, apesar de atender a um consumidor bastante diversificado, é destinada a quem tem estilo aventureiro, e, vez ou outra, roda por terrenos mais acidentados. No caso da S10 Cabine Simples Advantage, a maior parte de suas vendas é fora das grandes capitais, pois “trata-se de um carro muito bem visto para uso nas áreas rurais, tanto para trabalho como passeio”, explica o gerente de marketing da GM, Hermann Mahnke. Já a Ford, desde o lançamento da Ranger Sport, em novembro de 2007, faz questão de deixar claro que ela veio para incomodar as vendas de picapes menores, como Montana, Saveiro e, principalmente a Strada, que, entre elas, é a que tem maior apelo fora de estrada. “A proposta da Ranger Sport é oferecer um produto para competir na faixa intermediária de preço. Antes dela, o consumidor que procurasse uma picape esportiva e bem equipada por este valor teria como única alternativa os modelos pequenos, derivados de automóveis”, afirma Wilson Vasconcellos Filho, gerente de picapes Ford.

Apesar de a Strada pertencer a uma categoria inferior à da Ranger e S10, com as declarações de cada montadora fica bem evidente que o consumidor das três tem em comum o uso para trabalho e lazer e o espirito aventureiro. Mas só isso não é suficiente para as declararmos concorrentes diretas. Só depois de verificar os valores a tese se confirma. A recém-lançada Strada Adventure Locker sai por R$ 47.100. Apenas R$ 700 a menos que a S10 Advantage (R$ 47.800). Já a Ranger Sport, mesmo assumindo abertamente a concorrência com modelos menores, não tem motor bicombustível e é a mais cara, custando R$ 52.290. Porém, em seu lançamento, o preço sugerido pela marca era de R$ 49.990.


Para descobrir qual delas encara melhor os possíveis obstáculos encontrados pelos que gostam de usar mais o espirito aventureiro do carro, MOTOR SHOW as colocou em uma pista off-road, onde foram testadas situações reais de subidas e descidas íngremes, em pisos irregulares.

Tudo, claro, dentro do bom senso de diferenciar dificuldades normais enfrentadas em passeios de fim de semana, das ocasiões de trilhas em que a tração 4×4 se faz necessária: esta não é a utilização recomendada para os modelos avaliados. O mecânico e presidente do Jeep Club de Pirituba, Gerson Gottardo, foi nosso consultor durante o teste. Para surpresa de todos, a que teve melhor rendimento, passando pelas provas sem tanta dificuldade, foi a Strada. Mas não tire conclusões precipitadas, achando que foi apenas o novo sistema de bloqueio do diferencial que levou a picapinha a obter melhor resultado que suas concorrentes maiores.

NA MAIS ÍNGREME DAS SUBIDAS, A STRADA TEVE MAIS FACILIDADE QUE AS GRANDES S10 E RANGER

A S10 patinou bastante, mas o sistema Track-lock entrou em ação e, depois de algumas tentativas frustradas do repórter, nosso consultor de off-road conseguiu superar o desafio. Não foi tão fácil quanto com a Strada, mas também não deixou o motorista na mão

Mesmo acionando o bloqueio, como era preciso pegar impulso para superar as ladeiras, depois dos 20km/h o sistema acabava se desligando automaticamente. A maior vantagem da Strada se deu, em grande parte, pela tração dianteira. Apenas na subida mais íngreme Gottardo comprovou a eficácia do bloqueio. “Quando vi que o carro tinha destracionado, parei, acionei o bloqueio e saí calmamente. Neste caso funcionou”, explica. A única desvantagem do modelo da Fiat em relacão às rivais é a menor altura livre do solo, que nos testes realizados não chegou a influenciar muito, e que apenas em estradas com muitas pedras grandes (nas quais se recomendaria circular apenas com um 4×4), pode ser considerado um inconveniente: são 200 mm contra 250 mm da S10 e 319 mm da Ranger.

A disputa pela segunda posição foi acirrada, com a S10 levando a melhor, pois também conta com sistema “Track-lock”, um tipo de bloqueio do diferencial. Mas, ao contrário da Strada, que deixa seu acionamento a cargo do motorista, a picape Chevrolet avalia sozinha a hora de distribuir melhor o torque. Mesmo assim, por ter tração traseira, houve momentos em que tive que colocar o orgulho de lado e ceder o lugar ao volante para nosso consultor, que acabou superando todos os desafios com a S10.

A S10 patinou bastante, mas o sistema Track-lock entrou em ação e, depois de algumas tentativas frustradas do repórter, nosso consultor de off-road conseguiu superar o desafio. Não foi tão fácil quanto com a Strada, mas também não deixou o motorista na mão

DAS TRÊS PICAPES, A RANGER É A MAIS URBANA

A Ranger superou bem o morro mais fácil (à direita no alto). Mas na subida mais íngreme (acima e abaixo), ela ficou pelo caminho: patinou, patinou… e não subiu. Em compensação, tem a maior altura do solo e, por isso, fica mais protegida de pedras grandes

Se a intenção for levar carga, a Ranger e a S10 cumprem melhor o papel. Na Ford poderá colocar até 760 quilos em sua caçamba de 1.455 litros. Já na S10 o espaço também é generoso, são 1.140 litros /750 quilos. Dentro das duas picapes é possível viajar três pessoas, característica que, na Strada, faz falta. Por outro lado, a picapinha tem bastante espaço para objetos em sua cabine estendida. E o que não couber dentro pode ser levado na caçamba de 830 litros/400 quilos. No final das contas, a Strada provou que tamanho não é documento e que não decepciona na hora das dificuldades. A S10 também cumpre bem com sua proposta. Já a Ranger, apesar de ser a mais cara, ainda precisa de mudanças: um sistema para melhorar a tração e o motor bicombustível seriam bem-vindos.

S10 e Ranger já têm muitos anos sem mudanças significativas no desenho, e o espaço na cabine é bastante limitado. Mas para levar carga têm caçambas maiores

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