Tesla, a Apple dos carros, e a histeria injustificada do carro que dirige sozinho

Tesla
Tesla Model X

 

No Salão de Detroit de 2013, depois de ver mais de uma dúzia de coletivas de imprensa quase iguais, com shows de músicas e luzes, carros girando e os protocolos de sempre, um pequeno estande próximo à entrada do Cobo Hall chama a atenção dos jornalistas mais atentos. Ali, em um modesto espaço, mal cabem os dois ou três carros de uma marca que ainda era pouco conhecida do público, a Tesla.

Naquele trimestre, a Tesla, dez anos depois de sua fundação, havia registrado seu primeiro lucro trimestral. George Blankenship, que na época havia sido contratado pelo CEO e principal acionista da marca, Elon Musk, como vice-presidente de design e formação da rede da marca faz um discurso empolgado, que mais parecia uma saudação hippie ao Planeta Terra do que uma apresentação de um carro (no caso, o protótipo que daria origem ao Model X). Frases de efeito como “Não queremos vender carros, queremos mudar o mundo” se repetiam. Bastante convincente, Blankenship falou que os lucros não eram a prioridade da Tesla, que estava mais preocupada em salvar o planeta. Anunciou que uma rede superchargers (supercarregadores) estava sendo construída por todos os EUA para fornecer energia limpa, totalmente gratuita e eterna, aos clientes da marca – e que essa energia viria do sol, absolutamente livre de qualquer poluição ou impacto ambiental. Seu discurso sedutor transmitia um “astral” diferente de qualquer coisa que eu já havia visto em qualquer salão. Os olhos dos jornalistas brilhavam ao ouvi-lo.

Não por acaso, descubro depois que o tal Blankenship havia passado pela Apple antes de ser contratado pela Tesla. Ele é a explicação para tamanha semelhança entre as marcas – não no que produzem, mas na imagem que transmitem ao mundo: uma imagem de inovação,  de ineditismo, de superioridade técnica… Que, vale registrar aqui, nem sempre é real. Trata-se mais de saber usar estratégias de marketing e de comunicação efetivas do que de fato revolucionar tecnologicamente o mercado.

Claro que há uma certa dose de inovação nos modelos da marca e na estratégia de apostar forte em uma nova direção – que não foi necessariamente criada por eles, mas que eles, mais do que os outros, souberam vender como sua criação.

A HISTERIA INJUSTIFICADA DO TESLA AUTOPILOT

A tecnologia embarcada em um Roadster ou um Model S também já havia aparecido em modelos de marcas mais tradicionais de automóveis, mas sem jamais alcançar o mesmo destaque. Exemplo: essa semana a marca apresentou seu sistema de direção semi-autônoma Autopilot.

Sensores monitoram o que se passa em um ângulo de 360° ao redor do veículo (Foto: Tesla)
Sensores monitoram o que se passa em um ângulo de 360° ao redor do veículo (Foto: Tesla)

Boa parte da mídia, principalmente a não especializada, recebeu a novidade com histeria injustificada. “O carro autônomo é realidade”, “A Tesla revoluciona o automóvel”… As manchetes faziam parecer que a Tesla reinventou a roda, mas, longe disso, apenas fez o que todos por aí estão fazendo. O leitor atento da MOTOR SHOW já sabia disso, em notícias como nosso especial sobre carros autônomos. E algumas avaliações que publicam já mostraram sistemas similares funcionando em modelos de produção como o Mercedes Classe S europeu e, aqui no Brasil mesmo, em avaliação de carros já em nossas ruas, como o Volvo XC90 (na MOTOR SHOW que está nas bancas).

Não se trata aqui de desmerecer o trabalho que a marca tem feito ou seus veículos – muito pelo contrário. A Tesla está no caminho certo, e apostando em uma estratégia de marketing inteligente, se tornou cult como a Apple. E agora, não importa o que faça, sempre será recebida por um consumidor mais pré-disposto e com boa vontade para admirar seus acertos – ou desconsiderar seus erros. E nós estaremos aqui para colocar razão nessa histeria toda dos fãs.

PASSADO E FUTURO

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Tesla Roadster, o primeiro modelo da marca

Depois de alguns protótipos, o Roadster ganhou uma versão de produção em 2008 (confira a avaliação que fizemos aqui), que seguiu até 2012. Em 2013, lançaram seu segundo modelo, o sedã/cupê Model S, que também avaliamos na época. E, como ninguém pode deixar de ter um crossover/SUV, nesse mês a Tesla lançou seu terceiro carro, o inusitado Model X, um crossover com desempenho digno de um superesportivo (leia mais sobre ele aqui). Com seu próximo automóvel, porém, a marca quer deixar de ser tão elitista e se tornar acessível para o consumidor comum. O Model 3, um sedã médio da marca, deve chegar no ano que vem aos EUA por cerca de US$ 35.000. Que venha o futuro!

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