Teste rápido: Ford Bronco Sport seduz por dirigibilidade e capacidade off-road

O Ford Bronco Sport estreou em nosso mercado ofertado unicamente na configuração Wildtrak. Conjunto mecânico e capacidade off-road são dois dos destaques


Ford Bronco Sport
Foto: Divulgação

Após o nosso primeiro contato estático com o novíssimo Ford Bronco Sport (leia mais), agora fomos à cidade de Tatuí (SP), no campo de provas do fabricante, para te contar mais detalhes e como anda o tão aguardado lançamento.

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Historicamente, o Ford Bronco é um ícone da indústria norte-americana tal e qual o Ford Mustang. No começo da década de 1960, o CEO da Ford, Lee Iacocca, e Donald Frey, gerente de produto, depois da criação do Mustang, viraram os pensamentos para um veículo fora-de-estrada. À época, sob o codinome GOAT (sigla para Goes Over Any Type of Terrain ou vai em qualquer terreno, em tradução livre).

O Ford Bronco foi lançado nos Estados Unidos em 1966 nas versões Wagon (fechada), Roadster (aberto, sem portas e capota) e Utilitário Esportivo (com caçamba no estilo picape). A produção durou até 1996. Ao longo dos anos, ele até serviu de papa móvel de João Paulo II e ainda esteve sob os holofotes durante a perseguição do ex-jogador de futebol americano e ator O.J. Simpson, quando foi acusado de assassinar a ex-mulher Nicole Brown e o amigo Ronald Goldman.

Passado um hiato de 24 anos, a sexta geração, agora debutou em nosso mercado comercializado unicamente na opção Wildtrak por R$ 256.900. Embora mais caro frente ao Jeep Compass Trailhawk TD350 (R$ 224.304), o estreante mira em segmentos superiores a exemplo do Audi Q3 (a partir de R$ 228.990), do BMW X1 (R$ 256.950), do Volvo XC40 (R$ 259.950), do Mercedes-Benz GLA (R$ 325.900) e do Land Rover Discovery Sport (R$ 293.950), para citar.

Raça de cavalos

O Bronco também é uma raça de cavalos e é considerada ainda mais selvagem que o Mustang. Curiosidade à parte, o SUV preservou as linhas “quadradas” e alguns elementos remetem ao primeiro Bronco, cuja fabricação ocorreu entre 1966 e 1977. Um deles, está no farol com assinatura luminosa circular, enquanto a parte lateral final deixa a impressão de que o Land Rover Freelander 1 serviu de inspiração.

O símbolo do oval azul só aparece na tampa do porta-malas ao passo que o nome Bronco Sport está tanto na grade frontal quanto na porção traseira, com as letras pintadas de branco. Igual aos Jeep Renegade e Compass também foram aplicados easter eggs. Eles estão presentes no bocal de abastecimento, nos faróis de LED e ainda no vidro traseiro, cuja abertura é independente da tampa. Uma solução já aplicada em outros Ford antigos, como no Explorer de primeira geração (1991 a 1994) – aquele do filme Jurassic Park -, de segunda (1995 a 2003) e nos Expedition do passado e no atual – à venda no mercado norte-americano a partir de US$ 49.995 (aproximadamente R$ 263.571, em conversão direta).

Uma grata surpresa aparece ao abrir as portas, pois construído sobre a plataforma C possui dimensões similares a do Jeep Compass. O Ford Bronco Sport oferece 4,386 m de comprimento, 1,938 m de largura, 1,787 m de altura e 2,670 m de entre-eixos. No SUV da Jeep fabricado em Goiana (PE) são 4,404 m, 1,819 m, 1,632 m e 2,636 m, respectivamente.

Isso se traduz em amplitude interna para os até cinco ocupantes. O habitáculo revela esmero na montagem e na escolha dos materiais. Os bancos confortáveis são revestidos em couro de duas tonalidades e também aparecem acabamentos em suede no encosto dos assentos e nos encostos de cabeça, além de ajustes elétricos nos frontais. A ergonomia é facilitada pelos comandos posicionados à mão e a coluna de direção amplamente ajustável em altura/profundidade. A posição de dirigir é alta e o motorista dirige enxergando o capô longo, assim como ocorre no Jeep Renegade.

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O quadro de instrumentos mescla instrumentos analógicos (conta-giros e velocímetro) e uma tela de 6,5” possibilitando visualizar 11 modos de informações. O multimídia SYNC 3 é de 8” com conectividade Android Auto/Apple CarPlay trazendo uma interface bastante intuitiva de operar, além de entradas USB-A/USB-C.

Também estão presentes o teto solar (não é panorâmico), o Wi-Fi “nativo”, o aúdio da renomada Bang&Olufsen, composto por dez alto-falantes mais subwoofer para produzir 1.000W de potência sonora, o carregador de smartphone por indução e o Ford PassConnect, que já marca presença no Ford Mustang Mach-1(a partir de R$ 499.000), na picape Ranger Black (iniciais R$ 183.490) e no Territory (parte de R$ 179.900). Este último, segue à venda em nosso mercado, porém, direcionado a outro público.

Quem viaja atrás dispõem de espaço para as pernas/joelhos. Outros destaques estão nas bolsas com zíperes atrás dos encostos frontais, no porta-sapato, nas saídas de ar e também na tomada de 110V. Já o compartimento de bagagens possui uma capacidade de 580 litros (até o teto) e ainda traz o tapete de borracha removível e lavável, iluminação direcional, tomada de 12V/110V, mesinha dobrável, o já citado vidro com abertura independente e até um abridor de garrafa. O estepe é de medida 225/65 R17 – a mesma dos “borrachudos” Pirelli Scorpion A/T das rodas de liga leve de 17”.

Foto: Divulgação
Tudo muito legal, mas como anda?

Sob o capô, está o motor 2.0 EcoBoost turbo a gasolina atrelado ao câmbio automático de oito marchas. Esse bloco 2.0 já é aplicado em outros carros lá fora, como no Kuga e no Escape. No entanto, recebeu uma calibração diferente por conta do nosso combustível. Um conjunto que agrada em cheio pela suavidade de funcionamento, pela baixa vibração e as boas respostas. Estão disponíveis 240 cv a 5.500 rpm e 38 kgfm a 3.000 rpm de torque.

Embora pese 1.718 kg, a relação peso-potência de 7,15 kg/cv possibilita acelerar ou retomar velocidade com boa desenvoltura. Ao volante, fica a impressão de que o utilitário esportivo não pesa quase 1.800 kg. O turbo lag (aquele atraso antes de o turbocompressor encher) é baixo proporcionando um comportamento elástico nas baixas rotações. O desempenho ainda é cooperado pela caixa automática de oito marchas, com rápidas mudanças/reduções. Quem desejar uma pitada a mais de esportividade pode realizar trocas sequenciais pelas borboletas atrás do volante de raio fino. Aliás, com boa empunhadura e o “cavalinho” na região da buzina ao invés do logotipo da Ford. 

Em velocidades mais altas foi possível comprovar que o Ford Bronco Sport não sofre com ruídos aerodinâmicos e a dinâmica é interessante para um utilitário esportivo. As suspensões possuem alumínio forjado e foram calibradas pelo time dos Estados Unidos com o suporte da equipe brasileira. O conjunto filtra/absorve bem as irregularidades do piso e nas curvas contornadas mais rapidamente a carroceria rola minimamente – o conjunto traseiro é do tipo multibraço. A direção oferece uma calibração direta a exemplo de outros carros da Ford, como era no Focus.

Indo para o fora-de-estrada
Ford Bronco Sport
Foto: Divulgação

O utilitário esportivo médio está preparado para encarar os caminhos do fora-de-estrada. De acordo com o fabricante, foram instaladas chapas de aço na parte inferior e o Ford Bronco Sport ainda oferece sete módulos de gerenciamento de terreno escolhidos pelo seletor G.O.A.T no console central. Eles alteram os parâmetros da direção, da transmissão, das respostas do motor e dos controles eletrônicos de tração/estabilidade.

Entre os programas de condução, há o Normal, o ECO, que é focado na eficiência e no baixo consumo de combustível, enquanto no Sport a direção fica mais firme e as suspensões se enrijecem. Além dos modos de condução Normal, ECO e Sport, estão presentes outros focados na utilização no off-road. E pudemos comprovar a eficiência durante um bom trajeto tortuoso.

O Escorregadio atua para fornecer mais capacidade de tração para melhorar a aderência ao passo que no Areia a transmissão faz uso de marchas mais baixas. Ainda estão presentes o Rock Crawl (terrenos irregulares/pedras soltas) e o Barro/Lama. Neste último, os controles eletrônicos de tração/estabilidade ficam menos restritivos. A tração é integral sob demanda e há o bloqueio do diferencial traseiro com vetorização do torque nas quatro rodas.

Ainda há o piloto automático off-road, que comanda o acelerador e o freio. Ele desliga automaticamente quando a velocidade atinge 68 km/h. Outro equipamento é a câmera frontal 180º (liga automaticamente até 25 km/h nos programas areia, lama e Rock Crawl) possibilitando uma melhor visualização dos obstáculos à frente. Ela traz lavador e comando físico para ser acionada de forma independente.


O Ford Bronco Sport não faz feio e chamam a atenção o controle de carroceria, assim como o bom raio de giro permitindo passar por locais apertados sem sufoco. Ele também não passa apuros na hora de transpassar valetas/lombadas. Afinal, tem 22,3 cm de altura livre do solo, além de ângulo de entrada de 30,4º, de saída (33,1º) e um ângulo de transposição de rampa de 24,4º. O SUV suporta inclinações laterais de até 20º e longitudinais de 25º. Já a capacidade de imersão é de 600 mm. E caso ocorra algum imprevisto estão presentes ganchos de amarração no para-choque dianteiro.

Foto: Divulgação

Em segurança, a novidade oferece um pacote recheado composto por nove airbags, alerta de colisão, sensor de pressão dos pneus (TPMS), alerta de pontos cegos, faróis em LED, farol alto automático, assistente autônomo de frenagem com detecção de pedestres, controlador de velocidade adaptativo com função Stop&Go, sistema de alerta e centralização de faixa/reconhecimento de placas e assistente de manobras evasivas.

O Ford Bronco Sport tem os ingredientes para conquistar os consumidores que procuram um SUV médio com boas capacidades off-road. Soma-se ainda o fator poder da novidade, o bom acabamento interno e a dirigibilidade eficiente proporcionada pelo motor 2.0 turbinado atrelado ao câmbio automático de oito marchas.


FICHA TÉCNICA
FORD BRONCO SPORT WILDTRAK
Preço básico: R$ 256.900
Carro avaliado: R$ 256.900

Ford Bronco Sport Wildtrak
Motor: quatro cilindros em linha 2.0, 16V, turbo, injeção direta
Cilindrada: 1999 cm³
Combustível: gasolina
Potência: 240 cv a 5.500 rpm
Torque: 38 kgfm a 3.000
Câmbio: automático sequencial, oito marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multibraços (t)
Freios: discos ventilados (d) e discos sólidos (t)
Tração: integral sob demanda
Dimensões: 4,386 m (c), 1,938 m (l), 1,797 m (a)
Entre-eixos: 2,670 m
Pneus: 225/65 R17
Porta-malas: 580 litros (1.472 litros com o rebatimento do banco traseiro)
Tanque: 64 litros
Peso: 1.718 kg
0-100 km/h: 8s
Velocidade máxima: 180 km/h
Consumo cidade: 10,6 km/l*
Consumo estrada: 11,9 km/l*
Emissão de CO²: 116 g/km*
Nota do Inmetro: C* 
Classificação na categoria: D (fora de estrada)*
*estimado

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