Teste Rápido: Kia Rio é ao mesmo tempo melhor e pior que o “primo” Hyundai HB20

Aceleramos o Kia Rio, modelo que a marca coreana enfim importa do México para enfrentar VW Polo, Hyundai HB20, Chevrolet Onix, Fiat Argo e cia.


Fomos ao Rio de Janeiro dirigir, em primeira mão ainda com placa verde, o novo Kia Rio. Em uma rápida volta pelo Aterro do Flamengo e pela orla de Copacabana, tiramos as primeiras impressões do hatch.

O Kia Rio chega do México para roubar clientes de VW Polo, Hyundai HB20 e Chevrolet Onix, Fiat Argo e Toyota Yaris, entre outros (clique nos nomes para ler as avaliações). São duas versões automáticas, Kia Rio LX de R$ 69.990 e Kia Rio EX de R$ 78.990, ambos com cinco anos de garantia.

 

O Kia Rio existe no exterior há tempos, e há tempos é prometido para cá, onde frequentou salões e manchetes. Mas, pelas condições de mercado, acabou vindo só agora. Importado do México, agora vem limitação de cotas para a isenção de 35% do Imposto de Importação.

O hatch compacto-médio tem a favor dele principalmente o belo design, assinado por Peter Schreyer. O designer alemão fez tanto sucesso no cargo que chegou até a presidência da marca. Como Kia e Hyundai são “marcas-irmãs” do Hyundai Motors Group (a Hyundai comprou 51% da Kia em 1998, e manteve as duas marcas separadas), o Kia Rio seria meio que o “primo bonito” do tão criticado novo Hyundai HB20.

MELHOR QUE O HB20…

Além de ser mais bonito, o mexicano Kia Rio tem uma base mais moderna e maior que a do brasileiro HB20 (2,53 m de entre-eixos e 3,94 de comprimento). É a mesma do Hyundai i20, que seria o HB20 dos europeus.

A distância entre-eixos é de ótimos 2,58 m e o comprimento, de 4,06 m. São medidas entre as do VW Polo e as do Onix. E é exatamente na faixa de preços das versões mais caras deles — exceto o no Polo GTS, claro — que o novo Kia Rio se encaixa.

Com estas medidas, o Kia Rio tem uma cabine espaçosa, principalmente na dianteira. Os bancos são bonitos e os dianteiros têm bom tamanho e forma (são cobertos de couro na versão EX, assim como o volante). O porta-malas tem ótimos 325 litros. As portas traseiras têm boa abertura para facilitar a entrada.

O acabamento do Kia Rio, como no Polo, no Onix e no HB20, é bom. Mas é na maior parte de plástico duro. Ao menos o apoio de braço na porta é macio, de couro sintético. Na unidade avaliada, um EX, cruza o painel uma faixa cinza bonita.

A tela multimídia do Kia Rio é “quase flutuante”, muito bem incorporada ao belo painel e muito fácil de usar. A tela é sensível ao toque, mas também botões giratórios “de verdade” para volume e sintonia/faixa. Há conectividade com Android Auto e CarPlay, e a interface é amigável.

A posição de dirigir surpreende negativamente, pois falta de ajuste de profundidade da coluna de direção. Já o volante de tamanho pequeno, boa pegada e com dois comandos fáceis de usar agrada. Junto com o belo desenho da cabine, cria uma interface agradável entre motorista e máquina.

Verdade que o quadro de instrumentos é simples, com um computador de bordo que, além de sonegar o consumo, é simples até demais. Mas a luz de fundo branca e os instrumentos principais com desenho claro e clássico trazem um pouco de elegância.

…E PIOR QUE O HB20

Na mecânica, o Kia Rio chega com o mesmo motor 1.6 16V flex do HB20, mas com 130 cv com etanol (2 a mais). Porém, não será, pelo menos ainda, vendido na opção 1.0 turbo (a maioria dos rivais é).

Assim, o Kia Rio gasta mais combustível que os rivais: não pudemos aferir por causa do percurso e porque, como todo Kia no Brasil, o Rio não mostra o consumo (nem autonomia!) no computador bordo. No PBEV do Inmetro, teve apenas nota em consumo D (categoria Médio) — veja os dados na ficha técnica mais abaixo.

IMPRESSÕES AO VOLANTE

O câmbio automático de seis marchas é o mesmo do Hyundai, mas no Kia ele pareceu ter uma calibração mais suave nas trocas, priorizando o conforto, mesmo que isso acabe resulte em menor agilidade. Pena que não tenha aletas no volante para trocas manuais de marcha (elas podem ser feitas só na alavanca, depois de deslocada para a esquerda).

Ainda assim, o Kia Rio agradou neste rápido uso urbano. O ruído do motor não incomoda dirigindo moderadamente. Mas, nas esticadas, se faz ouvir bem. Não deu para testar o carro em velocidades mais altas e nem seus itens de assistência dinâmica – torque vectoring e VSM (o primeiro atuas nos freios, o segundo ajuda em situações limite criando resistência no volante; tenta evitar que o motorista não faça (quase instintivo) contra-esterço contra-indicado.

Nem dá para falar muito das suspensões, porque as curvas no Aterro do Flamengo são muito suaves e, na Orla de Copacabana, só existem nos retornos feitos a 5 km/h. Fora da Orla, o trânsito estava travado. Teremos que esperar por um teste mais longo. Mas deu para ver que a opção por rodas aro 15 com pneus um pouco mais borrachudos, 185/65, ajuda a “neutralizar” o asfalto ruim.

EQUIPAMENTOS  DO KIA RIO

São exclusivos do Kia Rio EX os itens que você vê nas nossas fotos, como ar-condicionado automático de verdade (não a enganação do primo HB20) e mimos como ajuste de altura dos faróis, luzes diurnas em LED, luzes estáticas de iluminação de curvas, apoio de braço central e espelhos retrovisores com rebatimento e aquecimento, piloto automático e saída USB para o banco traseiro.

Porém, bem equipados os rivais também são. Fazem falta no Kia Rio retrovisor eletrocrômico, chave presencial e airbags laterais, entre outros itens.

VAI PEGAR?

Considerando a rede e os rivais, o Kia Rio a princípio não é para vendas em grande volume. A mecânica podia ser turbo e a lista de equipamentos tem altos e baixos, mas o bom espaço e o design muito bem acertado são fortes atrativos. Assim, o novo hatch deve ocupar seu nicho, principalmente nos mercados onde a Kia já tem uma clientela fiel. Mas pode surpreender muita gente.

FICHA TÉCNICA – KIA RIO

Preço básico (LX): R$ 69.990
Carro avaliado (EX): R$ 78.990
Motor: 4 cilindros em linha 1.6, 16V, duplo comando variável
Cilindrada: 1591 cm3
Combustível: flex
Potência: 123 cv (g) e 130 cv (e) a 6.000 rpm
Torque: 16 kgfm a 4.700 rpm (g) e 16,5 kgfm a 4.500 rpm (e)
Câmbio: automático sequencial, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,065 m (c), 1,725 m (l), 1,450 m (a)
Entre-eixos: 2,580 m
Pneus: 185/65 R15
Porta-malas: 325 a 1.103 litros
Tanque: 45 litros
Peso: 1.141 kg
0-100 km/h: 11s3 (e) – MS
Velocidade máxima: 19  0 km/h (g) e 192 km/h (e) – estimada
Consumo cidade: 10,5 km/l (g) e 7,2 km/l (e)
Consumo estrada: 13,4 km/l (g) e 9,3 km/l (e)
Emissão de CO2: 115 g/km
Com etanol: ZERO
Nota do Inmetro: C
Classificação na categoria: D (Médio)