Teste rápido: Mini Cooper S E é um foguete de bolso com motor elétrico

O Mini Cooper S E chegou ao Brasil e durante nosso primeiro contato ele provou o quanto é divertido de dirigir; confira as nossas impressões

Mini Cooper S E
Foto: Divulgação

É uma sensação curiosa dar a partida em um Mini e não escutar absolutamente nenhum som. Afinal, estamos acostumados aos motores a combustão do fabricante, principalmente, com o ronco ardido das variantes esportivas John Cooper Works (JCW), como ocorre no Countryman ALL4, no Cabrio ou na perua Clubman, para citar. 

O Mini Cooper S E é diferente de tudo dentro do universo da marca. E o primeiro ensaio com uma variante totalmente elétrica aconteceu, em 2008, nos Estados Unidos, com o Mini E. Ele teve 500 unidades produzidas no mercado norte-americano, com testes também realizados no Brasil, em 2012. A partir daí uma nova página foi escrita e o Countryman S E All4 (PHEV) debutou nacionalmente em 2018. Segundo a Mini, até 2030 o portfólio será composto unicamente por modelos elétricos

O que é o Mini Cooper S E?

Sem perder a essência, o Hatch de três portas puramente elétrico exibe o mesmo design, assim como não alterou a largura, o entre-eixos e o volume do porta-malas. Frente ao Mini Cooper S a combustão (1,414 m), a altura da carroceria do Mini Cooper S E é 18 mm superior (1,432 m) e pesa 190 kg extras totalizando 1.365 kg contra 1.175 kg do “irmão” movido a gasolina.

A propulsão é similar a do BMW I3S e o Mini Cooper S E emprega um motor elétrico de 184 cv de potência e torque instantâneo de 27,5 kgfm. O sistema é alimentado por uma bateria de 12 módulos em formato de “T” permitindo uma melhora no centro de gravidade do veículo (30 mm mais baixo em relação ao Mini Cooper S).


Sem descuidar da filosofia Go Kart Feeling, o Mini Cooper S E é um daqueles elétricos que dá vontade de ter. Aliás, ele é vendido em nosso mercado por preços de R$ 239.990 (Exclusive), R$ 264.990 (Top) e R$ 269.990 (avaliada Top Collection).

LEIA MAIS SOBRE CARROS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS:
+Avaliação: Fiat 500e, primeiro carro elétrico da marca, estreia em grande estilo
+Carro elétrico traz vantagens, mas não é solução mágica
+Avaliação: Hyundai Ioniq 5, um elétrico incrível, é verdadeira revolução coreana
+Teste de consumo: Corolla Cross Hybrid vs. Corolla Cross 2.0
+Audi e-tron vs. Jaguar I-Pace: um comparativo dos SUVs elétricos que adiantam o futuro
+Carros elétricos mais vendidos do Brasil em 2020: confira o ranking e veja todos os elétricos à venda hoje
+Avaliação: Mercedes-Benz EQA, o GLA elétrico que chega ao Brasil em breve
+Avaliação: Volkswagen ID.4 é o Taos do futuro (e já chegou)

Dirigibilidade livre de ruídos

Os carros da Mini sempre foram ímpares no quesito dinâmica por conta da rapidez nas reações e o comportamento afiado em curvas. E isso manteve-se no Cooper S E, cuja produção é na fábrica de Oxford, no Reino Unido. A variante elétrica ganha velocidade de forma vigorosa graças ao torque imediato logo após a partida fazendo-o ser o “rei das saídas de semáforo”. Ou seja, dificilmente um carro ou uma motocicleta o alcançará partindo da imobilidade.

De acordo com os dados de desempenho, são necessários 7,3 segundos para ir de 0 a 100 km/h, enquanto o 0 a 60 km/h é realizado em 3,9 segundos – o mesmo tempo do BMW M3 (confira aqui a nossa avaliação a bordo do supersedã de 510 cv). É um foguete de bolso com proporções compactas!

No entanto, a proposta do Mini Cooper S E é outra, seguindo a tendência de eletrificação. Dirigindo de forma civilizada, ele proporciona uma experiência bacana e o único ruído presente é o dos pneus Run-Flat no asfalto. Estão disponíveis os modos de condução Green, Green Plus, Mid e Sport. Os dois primeiros focados exclusivamente na eficiência e o Green Plus desliga algumas funções de conveniência (ar-condicionado e aquecimento dos bancos, por exemplo) em troca de maior alcance elétrico – o total é de até 234 km (ciclo WLTP).

Além disso, dois níveis de regeneração estão presentes e no mais forte é possível dirigir o Mini Cooper S E utilizando apenas o pedal do acelerador, como no BMW I3 (leia nossas impressões) ou no Chevrolet Bolt (veja como é dirigi-lo). A regeneração da energia ainda é feita durante as frenagens ou ao tirar o pé do pedal do acelerador. E dirigindo grande parte do tempo no Green Plus foi possível registrar um consumo urbano de 12,4 kWh/100 km.

As suspensões foram retrabalhadas para suportarem os 190 kg a mais de peso e elas convivem bem em nosso asfalto transmitindo uma boa absorção de impacto. Outros detalhes do modelo elétrico estão no assoalho totalmente fechado para beneficiar o fluxo de ar e na tecnologia ARB, que melhora a tração e a desenvoltura do carro em pisos de baixa aderência. Uma tecnologia 10 vezes superior ao antigo DTC (controle de tração dinâmico).

Mini Cooper S E
As rodas de 17″ exibem um desenho diferente e interessante (Foto: Divulgação )

Como não emite ruídos, até 30 km/h um gerador de som para fora informa os pedestres da chegada do carro – o som foi desenvolvido pelo compositor alemão Hans Zimmer, o qual trabalhou nas trilhas dos filmes “Rei Leão”, “O Código da Vinci”, “Pearl Harbor, “Dias de Trovão” e “Dunkirk”, para citar.

O interior é semelhante aos “irmãos” Hatch de três portas, porém, aparecem alguns detalhes em amarelo, como na alavanca de câmbio e no botão de partida (nos demais, é vermelho). A interface do multimídia de 8,8″ leva um tempo para se acostumar, mas torna-se simples de operar após estarmos ambientados. O quadro de instrumentos digital de 5″ equipa as três versões elétricas do Mini.

Mini Cooper S E
O interior traz detalhes em amarelo. Eles aparecem na alavanca de câmbio e no botão de partida (Foto: Divulgação)

O pequeno notável Eco-Friendly ainda inclui o assistente de estacionamento e sensores dianteiros/traseiros, faróis full-LED direcionais, head-up display (HUD), sistema de navegação com informações de trânsito em tempo real e som da Harman-Kardon.

E na hora de encher o “tanque”?

O Mini Cooper S E acompanha um cabo adaptado com a tomada no padrão brasileiro. Na hora de abastecer, 80% da carga é obtida em 29 minutos em carregadores ultrarrápidos DC (50 kW), 2 horas e 10 minutos plugado em uma Wallbox (AC com 11 kW) e 14 horas espetado em tomadas residenciais aterradas de 220V (AC). 

De acordo com a Mini, o custo de carregamento depende da tarifa cobrada na região; na cidade de São Paulo, o preço é de aproximadamente R$ 30, podendo alterar segundo a tarifa/bandeira no período da recarga.

Com um desempenho/dinâmica animais, o Mini Cooper S E prova que um carro elétrico não precisa ser tedioso de guiar. Ao contrário, ele transmite muita diversão ao volante associada à preocupação ambiental. Sem dúvida, Sir Alec Issigonis (1906-1988), o pai do Mini, ficaria muito orgulhoso desta variante.

A garantia do Mini Cooper S E é de dois anos e de oito para a bateria.


FICHA TÉCNICA

FICHA TÉCNICA
MINI COOPER S E TOP COLLECTION
Preço básico: R$ 239.990 (Exclusive)
Carro avaliado: R$ 269.990

Mini Cooper S E Top Colletion
Motor: elétrico, dianteiro
Combustível: a bateria
Potência: 184 cv
Torque: 27,5 kgfm
Câmbio: automático, uma marcha à frente e uma à ré
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multi-link (t)
Freios: discos ventilados (d) e sólidos (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 3,850 m (c), 1,727 m (l), 1,432 m (a)
Entre-eixos: 2,495 m
Pneus: 205/45 R17
Porta-malas: 211 litros
Bateria: íons de lítio, 32,64 KWh, 12 módulos
Peso: 1.365 kg
0-100 km/h: 7s3
Velocidade máxima: 150 km/h (limitada eletronicamente)
Consumo cidade: 12,4 kWh/100 km (teste MS)
Emissão e co2 zero g/km 100% elétrico
Autonomia: 234 km (ciclo WLTP)
Recarga: 80% da carga obtido em até 29 minutos (carregadores ultrarrápidos), 2h10 (Wallbox) e 14 horas (tomada 220V)

ESPECIAL DE ELETRIFICAÇÃO:
+O futuro dos motores a combustão
+Híbrido leve tem uma “ajudinha” da bateria
+Especial de eletrificação: full hybrid é o híbrido “de verdade”
+Híbridos plug-in são os mais elétricos dos híbridos
+Carros elétricos mostram que o futuro virou realidade
+Diesel, híbrido, plug-in ou elétrico; qual é o melhor para você?