O VW Tiguan 2026 foi apresentado aos brasileiros há menos de três semanas, no dia 24 de março. Foi quando ficamos sabendo de todos os detalhes mecânicos, que não incluem eletrificação alguma, do conteúdo e do preço de R$ 299.990 – similar aos dos rivais chineses, e também do novo Renault Koleos. Todos são mais potentes e eletrificados, mas o SUV médio da Volkswagen não parece se importar com isso, como já observamos.

Agora, tivemos a oportunidade de um primeiro contato real com o SUV médio, para conferir, ao volante, por que a marca alemã parece não se preocupar nem um pouco com o anacronismo de seu lançamento.

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Afinal, disputar um segmento no qual a eletrificação virou regra com um modelo apenas a combustão (só a gasolina) deve-se a uma limitação de produção (o SUV é importado do México, e por enquanto só a Europa tem o híbrido plug-in) ou a uma questão de manter a pureza mecânica e máximo de prazer ao volante?

Eu diria que um pouco de cada — tipo quando uma coisa não tem jeito de ser feita, mas pode ser vista de outro ângulo e acabar sendo, de certa forma, positiva. É como se a Volks dissesse: “Estamos atrasados e obsoletos em eletrificação no México e no mercado americano, mas isso também tem suas vantagens.” Errada ela não está. Vamos lá.

VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI
VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI (foto: Flávio Silveira)

O motor do VW Tiguan 2026: desempenho e 4Motion

O primeiro Tiguan chegou ao Brasil em 2009 baseado no VW Golf de quinta geração. Com 4,42 metros de comprimento, era mais compacto que os que vieram depois, tinha motor EA888, um 2.0 turbo com injeção direta com 200 cv e 280 Nm de torque a apenas 1.700 rpm, suspensão traseira independente e tração integral 4Motion, com 0-100 em 8,5 segundos. Uma delícia de guiar.

Mas houve outro Tiguan, esse com o sobrenome Allspace, que chegou em 2018 e reforçou/aumentou significativamente a base de fãs do SUV. Era grande, com sete lugares, e eu o apelidei de “Golf GTI em forma de SUV”: com 220 cv, acelerava de 0-100 km/h em 6,8 segundos, mais rápido que o Golf esportivo da época.

É justamente para os saudosistas fãs destes Tiguan com tocada esportiva que a nova geração joga. Afinal, a linha 2024 foi um balde de água fria: com motor 2.0 de 184 cv e tração dianteira, gerou muitas reclamações.

Agora, o VW Tiguan entra em campo para agradar aos seus torcedores mais fiéis. Diante dos concorrentes híbridos, olhando para o copo meio vazio, o Volkswagen parece ultrapassado, mas, olhando para o copo meio cheio, ele traz a pureza mecânica e a dinâmica superior que eles queriam de volta, com tração integral 4Motion e um novo motor 2.0 turbo mais potente do que nunca, com 272 cv de potência (como no Compass Blackhawk) e 350 Nm de torque.

VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI
VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI (foto: Flávio Silveira)

Ao volante do VW Tiguan 2026: melhor que os rivais chineses?

Antes de entrar em maiores detalhes, vou responder logo o que mais importa: sim, como diz o título deste teste, o novo VW Tiguan é ótimo de guiar. Para os entusiastas, ele traz de volta o que se esperava ao volante, a começar pelo desempenho forte, com 0-100 km/h em 7,4 segundos – um pouco mais lento que a antiga versão de 220 cv por causa de limites de emissões e do câmbio automático de oito marchas, enquanto o de 2018 tinha um DSG de dupla embreagem com sete marchas e trocas mais rápidas.

Mas, como comprovam carros como o BYD Seal de 531 cv e 670 Nm, e como dizia uma antiga propaganda de pneus, “potência não é nada sem controle”. O primeiro contato com este Tiguan não foi longo, menos de 90 quilômetros ao volante, mas já bastou para eu poder dizer, por exemplo, que ele faz curvas melhor até que o “esportivo” chinês.

VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI
VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI (foto: Flávio Silveira)

Em uma comparação mais adequada, na questão dinâmica, o novo VW Tiguan 2026 humilha os SUVs chineses com quem concorre diretamente, como o BYD Song Premium de R$ 299.800 (324 cv, 550 Nm, 0-100 km/h em 5,2 segundos) e o Haval H6 PHEV35 de R$ 288.000 (393 cv, 762 Nm, 0-100 em 4,8 segundos).

Não que isso seja difícil, porque esses rivais podem até ter muitas qualidades, mas entre elas não está o comportamento dinâmico. Podem deixar o Tiguan comendo poeira nas arrancadas, mas bastam algumas curvas para serem alcançados e ultrapassados.

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Isso porque onde os chineses mais falham, o Tiguan brilha. As suspensões firmes e os pneus 255/45 R19 sacrificam parte do conforto em pisos irregulares, é verdade, mas é o preço a se pagar para evitar surpresas com a transferência de carga nas curvas (e, neste ponto, uma das vantagens de não ser híbrido é ser mais leve) e sempre saber o que está acontecendo entre o carro e o piso.

Além disso, o volante é pesado, sem parecer artificial nem impreciso como em boa parte dos chineses (e pode ficar mais leve, a critério do motorista, usando o seletor de modo de condução no console central, que pode alternar entre essa função e volume, basta apertar a tela para alternar).

As respostas da direção são afiadas para um SUV, as retomadas 80-120 km/h, 100-140 km/h e até 120-160 km/h impressionam. Embora venham após um discreto, porém sensível, atraso de resposta, as acelerações são sempre vigorosas.

VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI
VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI (foto: Flávio Silveira)

Parte culpa do mapa do acelerador, parte do turbo lag, parte do câmbio (esse evitável adiantando as reduções pelas aletas no volante e/ou optando pelo modo Sport), tal atraso não chega a incomodar – ao menos não como nos rivais chineses, que precisam de uma série de comunicações entre diferentes motores e transmissão e são mais letárgicos.

Neste ponto comprovamos a vantagem da “pureza mecânica”. Sendo ela uma contingência da oferta industrial da Volks ou uma opção em nome do puro prazer de dirigir, como preferirem, ela garante um SUV bom de dirigir como poucos. O Tiguan pode ser anacrônico no motor, mas é atualíssimo “no chão”.

Consumo do Tiguan 2026: quanto faz por litro?

Além do modo Sport, o Tiguan pode ser dirigido de modo mais tranquilo nas opções Eco e Normal, tem uma personalizável (Individual), e, ainda, as configurações Snow e Off-road, nas quais tração e acelerações são adequadas a superfícies escorregadias, mas não pudemos testar durante essas impressões ao volante.

Mesmo no Eco, o preço de não adotar eletrificação aparece no consumo: segundo o Inmetro, o Volkswagen Tiguan 2026 faz 8,9 km/l na cidade e 12,1 na estrada. São números piores que os dos híbridos chineses na cidade, mas equivalentes na estrada (onde os SUVs plugáveis chineses não se destacam). Mas é outro ponto que nunca pareceu incomodar os fãs do Tiguan, que sempre foi um modelo gastão.

Neste teste rápido, principalmente rodoviário, inicialmente o computador de bordo marcou 13 km/l na estrada a 120 km/h. Depois, pisando um pouco mais, pegando algumas curvas e no modo Sport, a média caiu para 10,9 km/l. Não tivemos a oportunidade, porém, de aferir o consumo urbano (o número do Inmetro costuma ser otimista demais).

VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI
VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI (foto: Flávio Silveira)

Interior e tecnologia: a nova tela de 15 polegadas

Outras impressões positivas deste teste rápido apareceram nos bancos dianteiros, com abas pronunciadas e bastante confortáveis, com direito a aquecimento, resfriamento e massagem, no acabamento de boa qualidade, com couro e madeira onde os olhos veem/tocam – mas as partes “baixas do painel” e as portas traseiras usam plástico rígido.

O quadro de instrumentos tem boa visualização, com gráficos clássicos e sóbrios, algumas opções de configuração (tradicional, conta-giros central com velocímetro digital, etc.) e uma cobertura pequena, mas que já evita reflexos. Há uma opção de seleção de cores/estilos que chega a combinações duvidosas, como verde e rosa. Opção do dono.

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De negativo, achei a tela central exagerada. A Volkswagen caiu na moda do “quanto maior, melhor”, e parece ter adicionado um tablet gigante, com 15 polegadas, que quebra a harmonia das linhas de design. Ao menos ele é ligeiramente virado para o motorista, para melhor visualização.

Apesar de ter poucos botões físicos tradicionais, a parte inferior da tela tem um menu fixo com atalhos para o ar-condicionado e “home”, e, abaixo dela, ficam comandos tipo touch, que nem sempre respondem bem, para ajuste rápido de volume e temperatura do ar (são duas zonas na frente e uma atrás).

VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI
VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI (foto: Flávio Silveira)

Curiosa é a alavanca de câmbio, que fica na coluna de direção, como nos modelos elétricos da Volkswagen (família ID) e em carros da Mercedes-Benz e da Leapmotor, por exemplo. Mas, diferentemente deles, o acionamento não é feito movendo a alavanca para cima ou para baixo, e sim virando-a. Diferente, mas fácil de se acostumar.

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Espaço interno e porta-malas: o Tiguan ainda tem 7 lugares?

Outra mudança em relação ao Tiguan Allspace que saiu de linha aparece na configuração da cabine. Apesar de ter praticamente as mesmas medidas (é 3 cm mais curto e 3 cm mais alto e largo), ele vem sem a terceira fileira de bancos – não que seja um problema, afinal os lugares extras eram só para crianças e não estavam entre os principais motivos de compra.

O novo SUV ainda tem muito espaço no banco traseiro, tanto lateral quanto para as pernas, acomodando com conforto três pessoas – mas ao custo de sacrificar um pouco o porta-malas (423 litros) e um teto panorâmico amplo com abertura do vidro e da cortina acionados eletricamente.

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Design e faróis IQ.Light Matrix do novo Tiguan

Alinhado com o design internacional da marca, a nova geração do SUV tem uma grade dianteira com tomadas de ar maiores, nas extremidades do para-choque, e um perfil lateral com ombros mais marcantes, além de rodas de 19 polegadas com pneus 255/45.

O novo Volkswagen Tiguan abusa da iluminação como recurso de design – além de ter lanternas traseiras e faróis ligados por um filete, é o primeiro modelo da marca a ter os logotipos iluminados na dianteira e na traseira, o que garante um visual peculiar e bem marcante, principalmente de noite. Achei exagerado.

VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI
VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI (foto: Flávio Silveira)

Falando em iluminação, os faróis e lanternas estão mais afilados e têm a tecnologia batizada pela marca de “IQ.Light Matrix”. O sistema tem mais de 750 lumens de potência e se adapta automaticamente às diferentes situações, além de ter a tal matriz de LED, que consegue “enxergar” os carros na direção contrária (e também na mesma) e apagar apenas alguns LEDs, fazendo “sombras” de modo a não incomodar os demais motoristas. Não pudemos testá-lo, no entanto, pois o teste foi feito durante o dia.

Ainda no quesito luzes, os retrovisores externos projetam o logo VW no piso, há iluminação individual nas maçanetas e as lanternas traseiras podem ser programadas com três configurações diferentes de animação para a função “coming & leaving home” – a iluminação do carro ao ser destravado e depois de ser travado, para iluminar o caminho.

Equipamentos

O preço alto também se justifica pela lista de equipamentos. Além dos itens já citados na avaliação acima, a configuração única R-Line tem uma lista de itens de série bastante generosa, com quase tudo que está disponível no mercado. Mas ainda faltaram itens disponíveis nos EUA (e em muitos rivais), como head-up display e som com a grife Harman Kardon. Entre os destaques que ele tem, estão:

  • conexão com internet via smartphone
  • assistente de descidas
  • câmeras de ré e multifuncional
  • retrovisor interno antiofuscante e externos elétricos com aquecimento, rebatimento automático, memória e tilt down do lado direito
  • freio de estacionamento eletrônico
  • iluminação ambiente com 30 opções de cores
  • pedaleiras esportivas
  • piso do porta-malas com ajuste de altura
  • bancos parcialmente em couro
  • sensores de chuva e de estacionamento
  • start-stop com regeneração da energia de frenagem
  • tampa do porta-malas motorizada com abertura “passando o pé”
  • tomada de 12V no console central e no porta-malas
  • volante multifuncional com aquecimento e aletas para trocas sequenciais de marcha

Há, ainda um farto pacote Adas de segurança, com cinco radares e condução semiautônoma nível 2: são cinco câmeras e 12 sensores ultrassônicos, com funções:

  • ACC com stop & go (para e acelera de novo em trânsito intenso sem exigir interferência do motorista)
  • frenagem autônoma de emergência
  • assistente de desembarque
  • estacionamento semi-automático
  • alerta de tráfego cruzado traseiro
  • alerta de ponto cego
  • assistente de permanência em faixa
  • luz alta automática e detector de fadiga do motorista.

As primeiras unidades do novo VW Tiguan 2026 serão entregues em 7 de maio, e ele estará disponível nas cores branca, prata, cinza, preta e azul, além de versões de dois tons cinza + preto e azul + preto Mystic.

FICHA TÉCNICA

Volkswagen Tiguan R-Line 350 TSI 4Motion 2026
Preço: R$ 299.990

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16V, injeção direta e indireta, turbo Cilindrada: 1.984 cm³ Combustível: gasolina Potência: 272 cv de 5.500 a 6.500 rpm Torque: 350 Nm de 1.900 a 5.400 rpm Câmbio: automático sequencial, oito marchas Direção: elétrica Suspensão: MacPherson (d) e multilink (t) Freios: discos ventilados (d/t) Tração: integral sob demanda (4Motion) Dimensões: 4,695 m (c), 1,866 m (l), 1,669 m (a) Entre-eixos: 2,792 m Pneus: 255/45 R19 Porta-malas: 423 litros Tanque: 59,1 litros Peso: 1.820 kg 0-100 km/h: 7s4 Velocidade máxima: não divulgada – estimada em 210 km/h Consumo cidade: 8,9 km/l Consumo estrada: 12,1 km/l

VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI
VW Tiguan 2026 R-Line 350 TSI (foto: Flávio Silveira)