A transferência de veículos ainda é o principal ponto de tensão na compra e venda de carros usados entre pessoas físicas. Quem vende teme não receber. Quem compra tem medo de pagar e ficar sem o documento no próprio nome. Esse impasse ajuda a explicar por que golpes e negociações informais ainda são comuns no mercado brasileiro.

+Fim da baliza, prova de rampa e carro automático: o que muda pra tirar CNH em SP em 2026?

+Bikes elétricas e ciclomotores terão novas regras de circulação em 2026; veja quais

Documento digital de veículo
Documento digital de veículo – Foto: Detran-SP/divulgação

Nos últimos anos, porém, a transferência digital de veículos começou a ganhar espaço como alternativa ao modelo tradicional, baseado em papel, cartório e reconhecimento de firma. Regulamentada no Brasil desde 2020, ela permite que todo o processo de transferência de carro seja feito de forma eletrônica, desde que o Detran do estado esteja integrado ao sistema nacional.

Transferência de veículos digital já é permitida

PID
Documentos para dirigir – Foto: Freepik

A transferência de veículos em formato digital é autorizada em todo o território nacional, mas sua adoção depende da integração tecnológica de cada Detran com a base da Senatran e com o aplicativo Carteira Digital de Trânsito. Na prática, a maioria dos estados já aceita a transferência de veículos online por meio de assinatura digital vinculada à conta gov.br, nos níveis prata ou ouro. Onde a integração ainda não é total, o processo pode funcionar de forma híbrida, mas já reduz etapas presenciais.

Fechando negócio na compra de um carro – Foto: Freepik/@standret

Mercado de usados ainda trava na transferência de veículos

Segundo dados da Fenauto, o mercado brasileiro movimenta cerca de 14 milhões de veículos usados por ano. Mesmo com esse volume, a transferência de veículos usados segue sendo um dos principais gargalos das negociações. A dúvida é recorrente. O pagamento vem antes ou depois da transferência? Esse medo trava vendas, estimula acordos informais e abre espaço para golpes como falso comprovante de pagamento ou problemas ocultos na documentação.

IPVA 2026 em SP
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Tecnologia entra para destravar a transferência de carro

Para reduzir riscos na transferência de veículos entre pessoas físicas, plataformas digitais passaram a adotar mecanismos como a chamada câmara de liquidação, também conhecida como escrow. Nesse modelo, o valor pago pelo comprador fica retido em custódia e só é liberado ao vendedor após a conclusão da transferência do veículo e da vistoria. A proposta é simples: garantir que pagamento e documentação avancem juntos, reduzindo fraudes.

Documentação para compra de carro – Foto: Freepik/aleksandarlittlewolf

Uma das empresas especializadas nisso é a Transferência Segura que, como o próprio nome diz, tenta evitar golpes no processo de mudança de título de veículos. “O que buscamos é padronizar a experiência dos brasileiros: independentemente do nível de integração do sistema do estado, nossa plataforma orquestra a validação e a assinatura e permite a venda do carro, sem intermediários, por meio digital”, resume Marcos Borba, CEO.

Como funciona a transferência digital de veículos

Na transferência digital de veículos, o antigo CRV em papel dá lugar à assinatura eletrônica. Comprador e vendedor validam a identidade por biometria facial, assinam os documentos online e acompanham todo o processo pelo celular. A transferência de carro online elimina idas a cartórios e reduz o tempo necessário para concluir a negociação, desde que não haja pendências no veículo ou na documentação.

Compra de carro – Foto: Freepik/@prostooleh

Futuro digital

Especialistas do setor avaliam que o maior desafio atual não é legal, mas operacional. A interoperabilidade entre os sistemas dos Detrans ainda varia bastante de estado para estado. Mesmo assim, a expectativa é que a transferência de veículos digital se torne cada vez mais comum nos próximos anos. Para quem compra ou vende um carro usado, a promessa é de menos papel, menos burocracia e menos espaço para golpes que há décadas fazem parte do mercado.