27/04/2026 - 12:47
Afinal, como foi o Salão de Pequim 2026? Em meio a uma programação intensa, envolvendo a mostra e uma série de atividades junto à Omoda Jaecoo, que convidou a MOTOR SHOW para conhecer sua sede em Wuhu e seus novos produtos e tecnologias, mal tive tempo de contar as grandes novidades do salão.
De qualquer modo, a enorme maioria dos 1.451 veículos em exibição, sendo 181 estreias mundiais, eram voltados para o gigantesco mercado interno. Para se ter uma ideia, o carro mais vendido na China no ano passado, o EX2, emplacou mais ou menos 1/5 de todo o mercado brasileiro.
Então, em meio aos mais de 380 mil metros quadrados do novo maior salão do mundo, que tomou o posto do Salão de Frankfurt, não foi nada fácil encontrar modelos destinados ao Brasil — até porque, além da área enorme, havia uma quantidade brutal de pessoas de todo o mundo e uma organização um tanto caótica.
+Avaliação: novo Jaecoo 5 HEV supera 25 km/l, dispensa recargas e terá preço de T-Cross básico
+Omoda 4: SUV chinês que deve custar menos de R$ 130 mil estreia em Pequim; veja imagens
+Vizinhos desconfiados e efeito cinderela: os perrengues do cotidiano de um jornalista automotivo
A Grande Bolha da China?
Há dez anos, estive no Salão de Pequim, ou Auto China 2016, menor, mas já grande e caótico. Os carros nas ruas eram ainda em grande parte de marcas estrangeiras, e as marcas chinesas ainda eram extremamente dependentes de joint ventures com elas para produzir automóveis.
Foi por meio dessas parcerias que elas aprenderam tanto sobre fazer carros, e agora, uma década depois, têm mais de cem — literalmente — marcas próprias que estão invadindo o mundo com seus veículos.
Isso acontece em grande parte porque já saturaram o mercado doméstico com tantas marcas, e, diante do risco de uma eventual “bolha” interna, com sinais já presentes, incluindo algumas falências — como já ocorreu com Seres e Lifan —, e queda nas vendas internas de outras, como a BYD (-41% agora em fevereiro), que vem sofrendo com a competição interna de produtos mais baratos e melhores.
Novas fronteiras
Diante dessa situação, claro que a briga interna fica ainda mais acirrada para disputar esse enorme mercado — daí tantos lançamentos —, mas a batalha nos últimos anos também se estendeu ferozmente a mercados externos, principalmente na Europa e na América do Sul, já que nos EUA não deixam os chineses entrar.
É nesse contexto que tivemos a invasão de marcas chinesas que vimos nos últimos anos, principalmente a partir do último salão de São Paulo. E, quando parecia que já tínhamos marcas chinesas demais no Brasil, o Salão de Pequim trouxe novos anúncios.
Novas marcas
Em meio a essa expansão colonialista das marcas chinesas, o Salão de Pequim 2026 teve o anúncio de mais seis novas marcas chinesas 100% confirmadas ou com previsão de chegada o Brasil:
Lepas

Mais uma marca do grupo Chery com inspiração de design em leopardos — daí o nome —, terá inicialmente os modelos Lepas 4 e Lepas 6, dois SUVs 100% elétricos. A Lepas é tratada como uma marca de luxo (“premium-lifestyle”), posicionada acima da Chery e focada em design mais disruptivo (estilo Porsche).

Exeed
A divisão de luxo da Chery confirmou sua estreia no Brasil, que pode ocorrer ainda em 2026, embora ainda dependa de mais estudos para ser confirmada. A estratégia foca no segmento premium para enfrentar marcas europeias. Entre os modelos mais cotados estão o RX (Yaoguang), um SUV-cupê com foco em tecnologia e autonomia combinada que supera os 1.300 km, e o VX, utilitário de sete lugares com quase cinco metros de comprimento, posicionado para ser o topo da cadeia da marca no país.

BAIC
A gigante estatal confirmou que vai iniciar operações no Brasil no último quadrimestre de 2026. O plano inclui quatro modelos de largada, com destaque para o Arcfox T1, um crossover elétrico que mira diretamente o público do BYD Dolphin.

A marca também trará o SUV BJ30, que utiliza um conjunto híbrido com tração integral e 409 cv, além de uma picape média (ainda sem nome definitivo) para atuar no segmento mais competitivo do mercado brasileiro.
Dongfeng
Uma das maiores montadoras da China, confirmou sua chegada com foco em eletrificação total. Os primeiros modelos serão o compacto Box e o SUV Vigo, previstos para o segundo semestre de 2026. A operação será agressiva, com a abertura de 26 concessionárias imediatas. Para 2027, a marca reserva a linha Mhero, composta por SUVs off-road de luxo com visual militarista e potências que ultrapassam 1.000 cv.

IM
Sigla para *Intelligent Mobility*, é a marca premium do grupo SAIC (dono da MG). Confirmada para o segundo semestre de 2026, a IM aposta em “carros definidos por software”. O principal candidato para a estreia é o LS6, um SUV elétrico equipado com arquitetura de alta tensão para recargas ultra-rápidas e um cockpit dominado por telas que ocupam toda a largura do painel.

Lotus
Agora sob controle do Grupo Geely, a icônica marca britânica confirmou seu retorno oficial ao Brasil via importação. A linha 2026 será composta pelo Eletre, um “hiper-SUV” elétrico de até 918 cv produzido na China, e o sedã Emeya, um GT elétrico de alto luxo que foca em performance aerodinâmica. Para os puristas, o esportivo Emira — o último modelo a combustão da história da marca — também terá unidades importadas.

Novos carros
Além das novas marcas que vão para o mercado brasileiro, o Salão de Pequim teve, claro, novos modelos de marcas já bem conhecidas por nós. De alguns já falamos e publicamos aqui. Confira a lista:
Estrelas da performance e luxo
- Denza Z9 GT (1.000 cv): a marca de luxo da BYD confirma este shooting brake (perua esportiva) para o Brasil. Com três motores elétricos que somam quase 965 cv, ele faz de 0 a 100 km/h em 3 segundos. É o contra-ataque direto ao Porsche Taycan, trazendo tecnologias como esterçamento das rodas traseiras em ângulos absurdos.

- GWM Tank 700: o ápice da linha off-road da GWM. É um SUV gigantesco com motor 3.0 V6 híbrido plug-in de 870 cv. Promete ser o “G-Wagen chinês” no Brasil, unindo luxo extremo com capacidade de atravessar terrenos pesados.

- Wey G9: a divisão de altíssimo luxo da GWM confirmou este SUV de 6 lugares para 2026. O foco aqui é o “tapete mágico”: poltronas de classe executiva, geladeira a bordo e telas gigantes, mirando o público de Volvo XC90 e BMW X7.

O esquadrão híbrido flex (produção nacional)
- Novo BYD Song Pro (facelift + flex): a grande novidade é a motorização híbrida flex desenvolvida no Brasil. Ele ganha o novo visual “Dragon Face 3.0” (mais agressivo) e será um dos pilares da fábrica de Camaçari (BA), com foco em volume e preço competitivo.

- Novo GWM Tank 300 híbrido flex: a GWM anunciou o primeiro sistema híbrido plug-in flex do mundo para este jipe, com pré-venda já iniciada. O visual é retrô, mas a engenharia é moderna, preparada para o etanol brasileiro. Já a venda por R$ 342.900.

Elétricos e Tecnologias de Alcance Estendido (EREV)
- Leapmotor C16: fruto da parceria com a Stellantis, este SUV de 6 lugares chega com tecnologia EREV (o motor a combustão funciona apenas como gerador). Ele usará a rede de concessionárias da marca para ganhar capilaridade rápida no Brasil.

- Zeekr 001 (atualizado): o modelo que já está em pré-venda no Brasil apareceu em Pequim com baterias de carregamento ainda mais rápido (800V) e software de condução autônoma aprimorado.

- Dongfeng Box: um compacto elétrico com visual carismático e acabamento refinado. Chega para brigar na faixa dos R$ 130 mil a R$ 150 mil, oferecendo um interior que parece de carro de luxo em miniatura.
- GWM Ora 5: o novo SUV elétrico (e híbrido) da marca chega para ser o rival direto do BYD Yuan Plus no Brasil. Com porte médio e design mais robusto que o Ora 03, ele pode ter tecnologia híbrida flex para produção nacional, além da variante 100% elétrica de 204 cv. O foco é o custo-benefício familiar, trazendo tela de 14,6″ e acabamento premium para a faixa dos R$ 200 mil.

Novas apostas
- Omoda 4: É a versão híbrida do SUV compacto que será a porta de entrada da marca no Brasil. Ele mira diretamente no público que busca um primeiro híbrido com dimensões urbanas. Leia mais aqui.

- Jaecoo 5: apresentado como o “irmão menor” do Jaecoo 7, ele mantém o visual quadrado e robusto inspirado nos off-roads clássicos, mas em um tamanho mais amigável para a cidade. Foi confirmado para o Brasil com motorização híbrida, focando em quem quer o estilo aventureiro da marca sem o porte (e o preço) dos modelos maiores. Já o dirigimos: Leia aqui a avaliação.

- Jaecoo 8: Um SUV de luxo de sete lugares com suspensão adaptativa e motorização híbrida de 605 cv que a marca confirmou que será o “carro do CEO” no Brasil, mirando o público de Volvo e Land Rover. Deve chegar em setembro.

Jaecoo 8 (foto: Flávio Silveira)
- GAC Aion UT: um hatch elétrico maior que o Dolphin, focado em espaço interno. A GAC confirmou sua chegada para o segundo trimestre de 2026 como sua principal arma de volume no Brasil.

- BAIC Arcfox T1: a marca premium da BAIC confirmou a operação brasileira. O T1 é um SUV elétrico focado em tecnologia de carregamento ultra-rápido (80% em 16 minutos).
- MG4 Urban: a versão de entrada do elétrico da MG, focada em preço agressivo para bater de frente com as versões básicas de Dolphin e Ora 03.

- Nissan NX8: o SUV médio em versões 100% elétrica e REEV é o primeiro fruto da nova estratégia global da Nissan desenvolvida na China. Com foco em inteligência artificial e conectividade avançada, o modelo utiliza a tecnologia de baterias de última geração para oferecer recarga ultra-rápida.
