Turbinados Alemães

“Volks contra mercedes? estão loucos?”, perguntou indignado um amigo ao saber desse comparativo. para ele, como para muitos consumidores, o carro com a marca da estrela, diante de uma opção de mesmo valor, será sempre o preferido. mas, como em um teste cego de propaganda de cerveja, é tirando o rótulo que se avalia o conteúdo. por R$ 116.900, o C 180 é a porta de entrada para o universo de sedãs de luxo alemães. por R$ 106.700, o Passat é o mais sofisticado três volumes da Volks – e também alemão.

Na verdade, C 180 e passat poderiam, cada um deles, representar um grupo. o mercedes é a maior novidade e a melhor opção contra Audi a4 e BMW série 3. Já o Passat tem tamanho superior, assim como Hyundai sonata e Ford Fusion v6, entre outros, que, se não proporcionam o mesmo status, oferecem mais espaço ou desempenho. O VW foi o escolhido para desafiar o c180 porque, além de ser novidade, também tem motor quatro cilindros turbo.

O painel do Mercedes é mais esportivo, mas a tela multifunção não é touchscreen. À direita, os confusos controles do som e do ar, com duas zonas

Um terceiro modelo poderia estar aqui. Com a proposta de desafiar BMW e Mercedes, o novo Volvo S60 ficaria posicionado entre os dois grupos. Também é vendido com motores turbinados, um 1.6 de 180 cv e um 2.0 de 240 cv. O sedã teve problema nos freios e, sem peças em estoque, a Volvo – agora controlada pelos chineses da Geely – não conseguiu nos entregar o sedã em tempo, mesmo depois de duas semanas de espera. Assim, o Volvo acabou ficando de fora desse comparativo.

Como vimos, o que aproxima C180 e Passat, além da nacionalidade e do preço, é o que há sob o capô. Ambos têm injeção direta e turbocompressores. Na prática, têm potência e torque de unidades maiores, mas com consumo contido. Enquanto o 2.0 do Volkswagen gera 211 cv e 28,5 kgfm, o 1.8 do rival produz 156 cv e 25,5 kgfm. Ambos têm uma curva de toque plana, com toda a força disponível desde as mais baixas rotações.

Abaixo, os detalhes do Passat: ar-condicionado automático com duas zonas, tela do sistema multimídia sensível ao toque, o elegante painel de instrumentos e uma das borboletas para trocas de marcha no volante

Para ajudar na decisão, entretanto, importa mais o que diferencia os sedãs. Na mecânica, além da vantagem na potência e no torque, o Passat tem câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas. Enquanto isso, o C180 tem uma caixa automática que só não fica tão atrás da usada no rival porque ganhou sete velocidades. O Passat não só permite trocas no volante como garante mudanças mais rápidas, fazendo o ótimo câmbio Mercedes parecer lento. Em acelerações e retomadas, deixa o rival comendo poeira. Só não leva vantagem na máxima, limitada a 210 km/h. Para acompanhar o Volks de perto, seria necessária uma versão mais cara do Mercedes, a C200, de R$ 139.900. Para superá-lo, só a C250, de R$ 164.900.

Além de menor, o espaço traseiro do C180 é prejudicado pelo túnel do cardã

Mas prazer ao volante não se resume a acelerações. Há quesitos nos quais o Passat é impecável, mas o Mercedes é melhor. Para começar, a posição de dirigir do C180 é mais baixa e esportiva. Além disso, seus freios têm peso e progressividade perfeitos, enquanto no Passat são exageradamente assistidos. Na direção, o mesmo problema: a assistência elétrica é exagerada, deixando o volante do Volks mais leve que o necessário, enquanto a do C180 entrega mais precisão.

Outro ponto a favor do Mercedes está na tração traseira, garantia de melhores equilíbrio e distribuição de peso. No Passat, mudanças bruscas de trajetória são respondidas com interferências sutis do controle de estabilidade, que as corrige com classe, sem a menor brutalidade. No Mercedes, é até difícil fazer o ESP atuar. Esse comportamento dinâmico exemplar se deve, também, aos amortecedores adaptativos, que atuam conforme a situação (e são mais silenciosos que os do Passat). O motorista que busca esportividade, portanto, ficaria mais feliz mesmo é com uma combinação entre o chassi do Mercedes e a mecânica – principalmente o câmbio – do Volkswagen. Mas a tração traseira tem desvantagens. Para começar, apesar do maior entre-eixos, o interior do Mercedes é mais apertado: culpa do motor longitudinal e da tração posterior. A maior largura do Volks também garante mais espaço para os passageiros. Além disso, o banco traseiro rebatível é exclusividade do Passat.

No banco traseiro, o Passat é bem mais espaçoso do que o Mercedes

Ainda no interior, enquanto o C180 leva vantagem no isolamento acústico e no acabamento, o Volks tem mais equipamentos. O Mercedes não oferece nem sensor de estacionamento e, comprando o Passat, “sobram” R$ 10 mil para opcionais. Dá para levar o piloto automático adaptativo (R$ 5.160) e o teto-solar com células solares (R$ 4.400) ou o GPS (R$ 2.500). Opcional também é o pacote com bancos elétricos climatizados, faróis bixenônio, partida sem chave e o Park Assist II, que estaciona o carro quase sozinho e custa R$ 19.509.

Fique atento ao custo de seguro e manutenção. Ter a estrela na grade significa gastar mais no seguro e quase quatro vezes mais do que um dono do Passat nas revisões, que são feitas em intervalos muito curtos, e quase o dobro no pacote de peças (leia tabelas).

Voltando ao teste cego, o Passat é bem maior, mais espaçoso, ágil e equipado, além de ter opcionais incríveis e uma manutenção mais barata. Seria a escolha óbvia. Mas ao abrir os olhos e conferir os “rótulos”… O Mercedes certamente proporciona mais status. Além disso, chassi, direção e suspensões são melhores nele, que é menos potente, mas está impregnado de esportividade. Há ainda outros detalhes que justificam a “aura mágica” construída pela marca da estrela em seus 125 anos. Mas ficou claro que essa distinção tem um preço alto depois da compra. Se vale a pena pagá-lo, você é quem sabe. Faça um test drive e decida.

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