Um cinlindro a menos, alguns quilômetros a mais

Roberto Assunção

Nacionalizado no ano passado após uma substancial reestilização, o Nissan March agora ganha um novo motor 3 cilindros. Seguindo a tendência mundial já adotada aqui por Kia Picanto, Hyundai HB20, Volkswagen Up e Fox e Ford Ka, a novidade já chegou às concessionárias – sem mudanças visuais em relação às versões com o motor 4 cilindros que eram vendidas até agora.

Moderno, esse 1.0 derivado do 1.2 do europeu tem bloco e cabeçote de alumínio, sistema fl ex sem tanquinho e quatro válvulas por cilindro com duplo comando (variável na admissão). Em relação ao 4 cilindros de mesma cilindrada, tem taxa de compressão maior (11,2:1 contra 9,8:1) e ganhou 3 cv (são 77 cv, tanto com etanol quanto com gasolina). O torque é igual, mas o pico vem a 4.000 rpm (350 giros antes). Na prática, os números mostram que a aceleração de 0-100 km/h piorou (passou de 13,8 para 15 segundos) e o consumo teve uma melhoria apenas discreta: segundo o Inmetro, na cidade o hatch roda 8,8 km/l com etanol (+0,1 km/l) e 12,9 km/l com gasolina (+0,4), enquanto na estrada marca 10,3 km/l com etanol (-0,1) e 15,1 km/l com gasolina (+0,3). Na cidade e com gasolina, portanto, possibilita rodar 16,4 km extras com cada tanque. Muito pouco.

Mas isso não significa que a troca tenha sido ruim. Houve um grande ganho na dirigibilidade urbana devido à adoção do comando variável, que garante força em baixas rotações. O 3 cilindros responde bem já a 2.000 rpm, e, em uma condução suave (e sem subidas) não exige que se passe muito de 3.000 rpm. Nesse intervalo, é um carro ágil (para um 1.0) e econômico. Já na estrada, as respostas são apenas satisfatórias. A 120 km/h, gira a quase 4.000 rpm – e, em retomadas, quando se estica as marchas, o ruído é alto. Culpa do isolamento acústico deficiente, que também deixa passar muito barulho do vento e dos pneus.

São três versões: a Conforto, de R$ 35.990,já tem ar e direção elétrica. A S, de R$ 37.990, ganha trio elétrico, chave com telecomando e tecido nas portas. A SV, avaliada, inclui CD com bluetooth (inclusive streaming de áudio) e entradas USB/iPod, faróis de neblina, volante multifuncional, detalhes externos “na cor”, aerofólio, faróis de neblina e rodas de liga leve aro 15 com pneus mais largos. Custa R$ 40.990, exatamente o mesmo da versão 1.6 S (no caso de uso principalmente rodoviário, dispense os equipamentos e fique com o motor maior).

No mais, é o mesmo March de sempre, compacto e charmoso. Com volante leve e bom raio de giro, é bem fácil de manobrar, mas tem câmbio de engates imprecisos e acabamento simples. Um ótimo carro urbano, mas cujos maiores problemas se  chamam Ford Ka e VW Up. Também globais e 3 cilindros, têm projetos mais avançados e outros predicados extras para atrapalhar a vida desse Nissan.