Um desafio para o escorpião

Não haveria lugar melhor para testar o Fiat 500 Abarth do que uma pista de corridas – e por isso o levamos para o Autódromo de Goiânia. Antes de seguir, porém, voltemos um pouco. Meu primeiro contato com esse “foguete de bolso” foi nos Estados Unidos, ainda no começo do ano. Lá, uma pista pequena, desenhada por cones, acomodou bem o esportivinho e deu para ter algumas (boas) primeiras impressões. Agora chegou a hora de ver como ele se comporta em um desa o de verdade, um circuito com retas de alta velocidade, curvas longas e zebras. 

Depois de uma volta para reconhecer a pista, aperto o botão Sport junto ao sistema de som (Alpine ou Beats by Dr. Dre). A direção elétricaca pesada, o pedal direito ganha sensibilidade, o conta-giros cresce no painel de TFT e a pressão do turbo aumenta, deixando à disposição todos os 167 cv e 23 kgfm (de 2.500 a 4.500 rpm) do motor 1,4 turbo com sistema MultiAir de comando continuamente variável. 

A aceleração empolga: até os 100 km/h, são 6,9 segundos. No fim da reta, a 160 km/h, afundo o pé no freio. O 500 dá uma rebolada, mas não foge da trajetória. O volante de base chata não é pesado, mesmo no modo sport, nem direto – mas tem boa pegada e te leva onde é preciso. Apesar do banco alto e da falta do ajuste de profundidade do volante, a posição de dirigir é boa. A alavanca do câmbio manual, com engates precisos e curso curto, ca bem à mão. 

Ganho confiança e começo a exagerar um pouco. O controle de estabilidade (ESC) atua com frequência, garantindo a segurança, mas cortando parte do barato. Aperto o botão ESC OFF do lado esquerdo do painel e o seguro por dez segundos para que seja desativado. 

A tendência ao substerço – sempre com claros avisos prévios – quase desaparece, e, mesmo sem ajuda da eletrônica, a curta distância entre-eixos e as suspensões bem calibradas (e aparentemente até confortáveis para a utilização no dia a dia) ajudam a tornar o 500 Abarth fácil de guiar e obediente (caso tudo dê errado, há airbags laterais, de cortina e de joelho para o motorista). 

Perco a conta de quantas voltas dei. Os pneus de rua não aguentam o desa o na pista: estão lisos, deixando o carro escorregar nas curvas. Os freios com pinças vermelhas, por outro lado, mostram pouco fading (perda de e ciência). Paro nos boxes e um pouco de fumaça sai dos discos de freio. Em um autódromo se abusa muito do carro. Mas o 500 está bem, pronto para mais algumas voltas (seria boa ideia trocar os pneus, porém).

Quem se habilita? O modelo já está à venda na rede Fiat (apesar de não haver no carro identificação da marca, apenas escorpiões da Abarth, sua divisão de esportivos). Custa R$ 79.300, e de opcionais tem o teto-solar e o som do Dr. Dre. Não é uma pechincha, mas, pela diversão proporcionada, vale cada centavo. 

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