Um doce veneno

Roberto Assunção

Estou a bordo do Mercedes-Benz SL 63 AMG e meu destino é incerto. Só quero passar o máximo de tempo dirigindo esta máquina alemã para desbravar seus mistérios. Ele tem poder de sedução e magia dificilmente explicados: você tem que senti-lo, tocá-lo e apreciá-lo. Uma fera em estado de graça, nascida com o melhor da engenharia alemã. A fascinação começa pelo corpo totalmente de alumínio. A sétima geração do roadster é 125 quilos mais enxuta que a antecessora. O uso de materiais nobres foi extenso: pela primeira vez, um carro de produção da Mercedes-Benz tem suporte interno da tampa do porta-malas de fibra de carbono – segundo o fabricante, isso permitiu deixar a peça cinco quilos mais leve em relação a uma tampa “normal”.


À frente, só enxergo o enorme capô. Ao dar a partida, um estrondoso rugido ecoa pelas quatro saídas de escape. Uma sinfonia forte e emocionante. O coração é um V8 5.5 biturbo, que substituiu o V8 6.2 aspirado. Aproveito para deixar registrado meu agradecimento ao engenheiro Marcus Jacob pela montagem artesanal dessa unidade – os profissionais da AMG assinam o nome em uma plaqueta, colada sobre a capa do motor. Mas vamos ao que importa: são 564 cv de potência e 92 kgfm de torque, disponíveis entre 2.250 e 3.750 rpm – maior até que no SLS Black Series (65 kgfm). Esse SL 63 AMG é tão sedutor de dirigir quanto um Audi RS, um BMW M ou os melhores Porsche. 

O Mercedes é ríspido e, quando provocado, “maltrata” o motorista sem compaixão. Apesar de seus mais de 500 cv, é possível dirigi-lo tranquilamente. Agora, ao afundar o pé no pedal do acelerador, a conversa muda da água para o vinho. O câmbio Speed Shift MCT utiliza embreagem multidiscos em vez de conversor de torque. Dessa forma, eliminam-se as lacunas existentes entre as mudanças.

Um botão giratório no console central permite escolher entre os modos Comfort, Sport, Sport+ e Manual, que alteram os parâmetros do SL 63 AMG. No “C” (Comfort), as suspensões do Mercedes se tornam macias, o volante fica leve ao esterço e o start-stop desliga o motor durante breves paradas. Já ao escolher o “M” (Manual), o motorista terá uma experiência de condução mais intensa – podendo mudar sequencialmente as sete marchas. Nessa configuração, o SL 63 AMG também exigirá mais do braço do condutor. Mesmo com todos os controles eletrônicos acionados, ao acelerar um pouco mais fundo é possível sentir a traseira tentando escapar. Diversão garantida! O melhor compromisso é deixar o seletor na posição Sport+, para curtir todo o desempenho desse Mercedes-Benz – com trocas de marchas realizadas agilmente e o V-oitão roncando alto nos ouvidos.

Como a temperatura estava agradável, decidi recolher a capota para curtir o passeio. Além da posição de dirigir elogiável, os dois assentos oferecem ajustes elétricos, resfriamento, aquecimento e um cômodo jato de ar quente direcionado para a nuca do motorista e do passageiro. Por dentro, há fibra de carbono no console central, no painel e nas laterais das portas. Outro requinte é o relógio do fabricante suíço IWC (International Watch Company) no painel. Um conforto extra quando a capota está armada é o Magic Sky Control, que escurece o teto de vidro ao toque de um botão. 

Com toda essa tecnologia, não é por acaso que o carro custa US$ 326.900 (algo em torno de R$ 735.000). Se você tem esse dinheiro disponível e quer o máximo de exclusividade aliada a desempenho, não pense duas vezes antes de assinar o generoso cheque.

 

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