Um estranho no ninho


Há varias maneiras diferentes de se comparar carros: uma é considerar modelos com preços equivalentes, independentemente de suas características mecânicas, como fizemos na edição passada. Outra, a que fazemos agora, é um pouco diferente. Em vez de reunir pelo preço, reunimos modelos com características mecânicas principais semelhantes. Por isso, Honda Accord e Ford Fusion voltam, em suas versões V6, enquanto o Jetta dá lugar ao Passat V6, seu “primo rico”. Para enfrentá-los, um estranho no ninho: o Passat CC, o novo sedã disfarçado de cupê, que é importado da Alemanha, também com motor V6.

E o Azera? Ele poderia estar aqui, mas, por sua proposta que prioriza o conforto em detrimento da esportividade, enfrentaria só o Accord, e seria uma vitória fácil: bem mais barato, oferece mais luxo com espaço similar. Contra a esportividade dos Passat e do Fusion, todos com tração integral, ficaria em desvantagem – a proposta é outra.

Neste segmento mais sofisticado, as variações de preços são grandes: começamos com o Fusion, por R$ 99.990, passamos por Accord EX (R$ 144.500, embora esteja com descontos de até R$ 20 mil sobre o preço de tabela) e Passat V6 (R$ 141.090), e chegamos ao Passat CC (R$ 174.290).

O Passat CC se diferencia do grupo pelo design – acaba de receber o prêmio “Best of Best” do “Red Dot Design Award 2009”, um dos mais importantes do mundo. Sua chegada como modelo top da gama Passat fez o preço do V6 cair quase R$ 30 mil. É o modelo que garante mais exclusividade e status.

O CC é o mais potente do grupo, com esportividade sem sacrificar o conforto. O motor com injeção direta gera 300 cv, com 35,6 kgfm de torque a apenas 2.400 rpm. Acelera de zero a 100 km/h em 5,6 segundos (!!!) e consegue ser suave se o motorista quiser. Somamse a isso o câmbio DSG, manual automatizado de dupla embreagem com borboletas para trocas de marcha (instantâneas) no volante e a tração integral: o melhor conjunto mecânico. O irmão Passat V6 oferece quase o mesmo. Também tem câmbio DSG de seis marchas e a tração integral, mas seu motor é menos potente, com 250 cv de potência. E seu interior é menos espaçoso (no CC, entreeixos e largura foram aumentados).

*Seguros cotados junto à Porto Seguro pela D&G Corretora (11) 3985-3118

O Fusion, o mais barato e segundo maior, também tem tração integral, mas o câmbio é um automático tradicional, com seis marchas e modo descida (freio motor), com trocas sequenciais (não no volante). Seu motor 3.0 gera 243 cv, e a suspensão e a tração integral garantem esportividade – mas é mais difícil de ser dirigido com suavidade.

Já o Accord não tem tração integral e seu câmbio automático é o único com cinco velocidades. Mas compensa com o motor 3.5 “inteligente”: conforme o uso do pé direito, funciona com três, quatro ou seis cilindros – o que o torna o mais econômico. Apesar de ter 278 cv, foi feito para ser confortável, e não esportivo. Esqueça o atraente ronco V6, o negócio aqui é silêncio e suavidade.

Na manutenção e no seguro, o dono de Fusion vai gastar muito menos. Ele oferece a melhor relação entre custo e benefício

Abaixo, os sistemas de áudio: o primeiro, do Passat CC, e o último, do Passat V6, são quase iguais: fáceis de manusear, não oferecem bluetooth

nem USB, só entrada auxiliar. No Accord, o terceiro, as funções são as mesmas, mas os botões, grandes demais, fi cam “espalhados” (e a qualidade

do som é menor). O do Fusion, o segundo, é superior: HD interno, tela sensível ao toque e alta qualidade de som, principalmente nos graves

Em conforto a bordo, todos são excepcionais, mas os Passat oferecem mais, como freio de estacionamento elétrico e função auto-hold, que, acionada, segura o carro em semáforos ou ladeiras, dispensando o motorista de manter o pé no freio. Para seguir viagem, é só pisar no acelerador. O Fusion é o único que não tem faróis de xenônio nem dutos de ar-condicionado para o banco traseiro. Mas só ele oferece sistema de som com tela sensível ao toque, disco interno de 10 gigabytes, entrada USB e bluetooth. Já o Accord decepciona: o acabamento é dos melhores, mas não tem computador de bordo nem sensor de estacionamento – apesar de ser o maior –, entre outros itens (leia tabela). Mas compensa com espaço interno, com o maior entre-eixos (2,80 m). Agrada a quem quer suavidade e menor consumo.

A manutenção mais barata é a do Fusion. O pacote de peças (leia tabela) é bem mais barato que o dos rivais, assim como o seguro, graças à menor sofisticação dos equipamentos, como os faróis, que não são de xenônio. O Ford e os VW têm o custo total das revisões mais alto, mas elas vão até 40 mil quilômetros – no Honda, são duas, até 20 mil quilômetros.

Já em relação às garantias, as mais completas são do Ford e do Honda – três anos total – enquanto nos Volks é de um ano, com três apenas para motor e câmbio. No pós-venda, o Fusion tem serviço por três anos, contra dois do Accord e um dos Passat.

Conclusão? Se para você custo-benefício e manutenção são fundamentais, fique com o Fusion. Se quer o conjunto mais esportivo, escolha um dos Passat – o câmbio DSG faz muita diferença – e o CC lhe dará ainda mais status e exclusividade. E, finalmente, se sua preocupação é com consumo e suavidade, fique com o Accord: o único sem tração integral e que aposta bem mais no conforto que na esportividade. Ele, afinal – e não o Passat CC –, acaba sendo o verdadeiro estranho neste ninho.

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