Um japonês abaixo de R$ 30 mil

Nada melhor do que um trânsito caótico para testar um compacto urbano. Foi isso que encontrei na Cidade do México, capital do país e uma das metrópole mais populosas do mundo. O carro em questão era o March, conhecido como Micra em alguns mercados e a maior aposta da Nissan para o mercado brasileiro em 2011. O modelo global já é vendido em mais de 160 países, inclusive no próprio México. Aliás, é da cidade mexicana de Aguascalientes que o popular virá para o nosso mercado, com chegada prevista para outubro.

O lançamento do modelo é parte da meta da Nissan do Brasil de conquistar 5% de participação de mercado até 2014 (hoje, tem pouco mais de 1%). A marca estima que o March representará 40% desse aumento. Além de ser um marco para a história da Nissan no Brasil, o March será o primeiro compacto popular japonês de grande volumes vendido no País. Honda e Toyota também já estão desenvolvendo seus produtos para participar desse segmento. O novo Nissan chegará com duas opções de motor, 1.0 ou 1.6, como adiantamos em primeira mão na cobertura do Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro do ano passado. E ambas poderão rodar com etanol ou gasolina.

Segundo Erik Gottfried, gerente de produto da marca, “o grande desafio é conciliar preço baixo com um pouco mais de conforto, espaço e design robusto”. A receita para uma oferta tão atraente começa no conjunto mecânico. O March já nasceu para ser um carro barato. Seu maior trunfo é a plataforma V (de versátil). Ela começou a ser desenvolvida em 2005 visando ser eficiente e acessível. “Pensamos em todos os fatores de viabilidade e custo antes de começar a desenhá-la”, explica Gottfried. O resultado é um conjunto muito mais simples e eficiente, com 18% menos componentes do que a plataforma que sucede. E esse conceito foi aplicado em todo o carro: o painel, por exemplo, também tem 50% menos peças do que o da geração anterior. Outra característica interessante que demonstra preocupação com a eficiência na construção está nos vincos em forma de bumerangue no teto. Pode parecer estranho, mas eles, além de melhorarem a acústica no interior do carro, reduzem o atrito com o vento e aumentam a resistência do teto. Com isso, é possível usar uma chapa mais fina e, consequentemente, mais leve.

O painel tem 50% menos peças que o da antiga geração do Micra

O sistema de som é bem parecido com o dos modelos mais caros da marca, como o Sentra. O interior, apesar da simplicidade, é bem acabado, tem linhas modernas e é bastante ergonômico

MOTOR SHOW avaliou o March com motor 1.6 vendido hoje no México. A diferença entre esse modelo e o que será vendido no Brasil está apenas no sistema flex. O carro tem um design bastante jovem e urbano. Apesar das dimensões reduzidas, ele tem espaço interno satisfatório para todos os cinco passageiros e o painel é simples, mas moderno. O motor gera 106 cv, mas vale lembrar que, com etanol, ele deve ganhar mais uns dois ou três cavalos de potência. Uma de suas maiores qualidades está no consumo. Segundo a Nissan mexicana, abastecido com gasolina pura o carrinho chega a fazer uma média de 17,7 km/l. Por outro lado, seu desempenho é mais contido do que o de outros modelos 1.6 vendidos no Brasil, como Gol, Sandero e Palio. Mas não chega a decepcionar. É equivalente ao desempenho de um Uno 1.4, um de seus futuros concorrentes.

Nissan March

Motor quatro cilindros em linha, 1,6 litro, 16V

Transmissão manual, cinco marchas, tração dianteira Dimensões comp.: 3,78 m – larg.: 1,66 m – alt.: 1,53 m eNtre-eixos 2,450 m

Porta-malas 265 litros

Pneus não disponível

Peso 959 kg

• Gasolina Potência 106 cv a 5.600 rpm

Torque 14,5 kgfm a 4.000 rpm

Velocidade máxima não disponível

0 – 100 km/h não disponível

Consumo* cidade: 15 km/l / estrada: 20,9 km/l

Consumo real* cidade: 11,6 km/l / estrada: 14,8 km/l

• etanol dados não disponíveis *gasolina pura”

Entre os pontos positivos do March estão a boa ergonomia, com ótima posição de dirigir (apesar de não ter ajuste de profundidade do volante) e o fácil acesso às funções básicas, como controle do som e do ar-condicionado. Outro ponto forte do carro é a estabilidade. Mesmo sem fugir da receita econômica de suspensão, com sistema do tipo McPherson na dianteira e barra de torção na traseira, ele passa bastante segurança e contorna curvas como poucos populares nacionais. As marchas são bem escalonadas, principalmente para o uso urbano, e os engates da caixa de transmissão são bem justos e precisos.

O motor 1.6 que estará disponível no Brasil é exatamente a mesma unidade produzida pela Nissan e usada no México. Já o 1.0 será emprestado da Renault: trata-se da unidade que hoje equipa o Clio, o Sandero e o Logan. Aliás, esse motor, junto com a tecnologia flex, é uma das exclusividades do mercado brasileiro. Preços e pacotes de equipamentos não foram definidos, mas o modelo de entrada deve sair por menos de R$ 30 mil e o 1.6 não deve passar de R$ 40 mil. O modelo 1.0 deverá começar a ser vendido no começo de outubro, seis semanas antes do 1.6, que chega no meio de novembro. Com essa mesma plataforma, a Nissan ainda tem planos de lançar um March Sedã e um outro modelo monovolume que, apesar de ninguém confirmar, pode ser a próxima geração do Livina.

ALGUNS DOS CONCORRENTES DO MARCH

VW Gol

O modelo é o eterno líder do segmento e, por isso, o maior alvo do Nissan. Tem melhor desempenho e a rede de concessionárias é maior

Peugeot 207

O maior trunfo do hatch está na relação custo-benefício. Procurado por quem foge das grandes marcas, deve ser um dos maiores rivais do March

Fiat Uno

O compacto tem conjunto equivalente ao do March, com desempenho da versão 1.4 bastante semelhante ao do Nissan com motor 1.6

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