Um Japonês acima da Média

Roberto Assunção

A Subaru é uma unanimidade entre os especialistas. Todo mundo reconhece que ela faz ótimos carros. Entre os consumidores, no entanto, é uma marca injustiçada. Importada pelo Grupo Caoa, a Subaru vendeu apenas 751 carros no ano passado. Isso equivale a somente 1,4% dos 55.150 modelos da Hyundai vendidos exclusivamente pelo mesmo Caoa. O modelo Forester, que chegou à quarta geração, registrou 342 emplacamentos em 2013. No final dos anos 1990, quando assumiu a Subaru e a Hyundai no País, o Grupo Caoa decidiu priorizar a marca coreana. Hoje ela é uma potência, mas – justiça seja feita – só tem o tamanho que tem por causa da agressiva campanha publicitária que manteve durante anos nos principais jornais e canais de televisão, bem como nas revistas semanais. Se o Caoa tivesse priorizado a Subaru, em 1998, a história poderia ter sido diferente. Muita gente não sabe sequer que a Subaru é japonesa e que a pronúncia correta é “Subáru” e não “Subarú”.


O Forester é um crossover com muitas qualidades e tem duas versões disponíveis: 2.0 S de 150 cv (R$ 110.000) e 2.0 XT Turbo de 240 cv (135.000). As duas têm tração AWD (4×4 integral) e câmbio CVT (seis marchas simuladas no S e oito marchas simuladas no XT Turbo). Avaliamos a versão turbinada, que tem um novo motor boxer (4 cilindros contrapostos) com injeção direta de combustível. A quarta geração também ganhou um novo turbocompressor do tipo twin scrooll, ou seja, com duas entradas para os gases de exaustão, e oferece bons 35,7 kgfm de torque a 3.600 giros. Esse motor trabalha muito bem com a transmissão continuamente variável. A correia de borracha foi substituída por uma corrente metálica, que é mais resistente. O conversor de torque também foi modificado para suportar a potência extra do motor com injeção direta.

O Forester 2.0 XT Turbo não é um espanto em desempenho – leva 11,8 segundos para acelerar de 0-100 km/h. Mas é um carro agradabilíssimo de dirigir. O acerto das suspensões privilegiou o conforto e ele roda macio – a rigidez foi aumentada e a barra estabilizadora ficou mais grossa. A Subaru pode se dar ao luxo de oferecer um carro macio porque a tração nas quatro rodas compensa a tendência de rolagem da carroceria nas curvas, em velocidades elevadas. Nada que comprometa a segurança ou tire o prazer de dirigir. No Forester, o volante fica mais ou menos na altura do cotovelo e o motorista mais alto, como no Peugeot 208. O sistema SI Drive permite configurar o carro ao gosto ou necessidade do motorista. São três modos de condução: Intelligent (D), Sports (S) e Sports Sharp (S#), sendo que nesse último as trocas de marcha podem ser feitas pelas borboletas do volante. Mas, sinceramente, a vantagem do câmbio CVT é que não tem marchas isoladas, portanto as acelerações são contínuas. Então, para que borboletas? A tração integral também pode ser modi_ cada. Por meio de um botão no console, o sistema X Mode torna o carro mais estável em pistas escorregadias ou irregulares. O X Mode permite até descidas em ladeiras muito íngremes. Outra novidade da quarta geração é o assistente de partida em rampas.

O Forester não é tão alto quanto um SUV. Por isso é mais fácil de entrar nele. Bancos de couro confortáveis, ar-condicionado digital muito e_ ciente, porta-objetos grandes e bem distribuídos, volante de couro com multifunções, quadro de instrumentos bem visível, rádio moderno (com botões de volume e de sintonia), câmbio CVT, baixo nível de ruído, computador de bordo com várias informações interessantes e tela de ré fazem do Forester XT um carro superior. Infelizmente, a Subaru só é comprada por uma pequena parcela de pessoas bem informadas que conhecem a qualidade de seus produtos – o grande público iria adorar dirigi-lo. Com sua maciez, desempenho comportado sem ser frouxo e posição de dirigir alta, o Forester tem especial apelo para as mulheres.

O design é seu ponto fraco. Não é feio, mas está longe de ser a Paola Oliveira dos carros. De qualquer forma, o Forester é prático. A tampa do porta-malas é motorizada e pode ter sua altura máxima regulada para não bater no teto da garagem. O rack do teto vem com trilhos. O novo design da soleira lateral evita que as pessoas sujem as calças quando entram no carro, que ganhou portas mais largas. Para não dizer que o Forester XT é impecável, faltou apenas ter um bluetooth mais amigável e um navegador por GPS. Se você gosta de um crossover, vale a pena conhecer o novo Subaru Forester. Pode ser que você saia um pouco das marcas da moda sem precisar abrir mão de ter um excelente carro.

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