Um rali solidário

Levar desenvolvimento a regiões carentes do País. Essa é a ideia do Instituto Brasil Solidário (IBS), que aproveita o Rally dos Sertões para implantar projetos socioambientais nas inúmeras cidades que são incluídas no roteiro da prova, a segunda maior do mundo na categoria.

O objetivo é beneficiar a população por meio do automobilismo não é nova: praticamente todas as competições off-road têm como tradição a arrecadação de donativos, como roupas e alimentos. No caso dos ralis da Mitsubishi e da Peugeot, por exemplo, o ingresso cobrado para a participação na disputa é a doação de alimentos não perecíveis. No ano de 2008, a Copa Peugeot arrecadou 24 toneladas de alimentos, doados pelas 450 duplas participantes.

No Sertões, a ação é mais ampla e mais parecida com o que é feito no Rally Paris-Dakar, que, desde 2000, intensificou as ações de reflorestamento, construção de reservatórios de água e reciclagem de lixo, entre outras, e já beneficiou mais de 271 mil pessoas.

“O que mais me chamou a atenção no trabalho do IBS é que eles não dão o peixe, mas ensinam a pescar”, conta o piloto Paulo Nobre, conhecido como Palmeirinha. Segundo Luiz Salvatore, presidente do IBS, o piloto é um dos maiores patrocinadores do projeto, que recebe apoio também da organização da prova e de outras equipes da disputa. “O automobilismo é um esporte muito caro e em grande parte das vezes a equipe utiliza recursos próprios. E é muito dinheiro! Então por que não tirar uma parte disso e ajudar as pessoas que realmente precisam? Às vezes, o dinheiro economizado em um amortecedor, que para nós não é nada, faz uma baita diferença na vida dessas pessoas”, justifica.

Este ano, o projeto irá se concentrar em dois Estados: Tocantins e Goiás. No mês de junho, seis escolas desenvolveram trabalhos ligados ao meio ambiente e receberam bibliotecas completamente montadas, das prateleiras ao acervo, além de computador com acesso à internet, impressoras, máquinas fotográficas, e aparelhos de DVD. Durante a passagem do rali, os alunos terão palestras sobre meio ambiente, implementação da coleta seletiva de lixo, projeto de plantio de mudas e oficinas de papel reciclado. “Este ano, na inclusão digital, os alunos estão sendo estimulados a produzir jornais internos a partir de dicas de formatação, diagramação e redação”, complementa Salvatore.

Saúde e esportes também fazem parte do projeto. O IBS monta consultórios para a realização de consultas e exames clínicos nas cidades por onde passa e monta farmácias para o aviamento das receitas prescritas pelos médicos. Tudo sem custo para a população. “Este ano, estamos fortes em oftalmologia e odontologia”, conta Salvatore. Já a distribuição de materiais esportivos nas escolas, que começou no ano passado, será intensificada em 2009. A ideia é incentivar a prática de outras modalidades além do futebol, entre elas, ciclismo, vôlei, basquete, xadrez e dama.

“Nós aproveitamos a mobilização da população em torno do Rally dos Sertões para favorecer o desenvolvimento da região”, explica Salvatore. E a missão não se encerra na linha de chegada. O Instituto passa então a manter um canal com essas escolas para acompanhar o desenvolvimento e a multiplicação de ações que ocorrem na cidade promovidas pelos próprios professores, além de apoiar programas novos criados pela comunidade e de retornar a algumas dessas cidades ajudadas a cada nova edição da prova para implementar novas ideias. “Quando você tem a oportunidade de acompanhar a continuidade da ação social na vida dessas pessoas, é muito emocionante”, conta Palmeirinha.

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