Um roadster nervoso


SATURN SKY RED LINE US$ 29.795

Para testar o Saturn Sky Red Line, nada melhor que a “reta infinita” da pista de provas da GM em Indaiatuba (na verdade, trata-se de uma pista circular que, na prática, funciona como uma reta). Isso porque ele foi feito para as estradas americanas, e sua suspensão é um tanto delicada para as nossas ruas e estradas.

Nos Estados Unidos, custa cerca de US$ 30 mil (R$ 60 mil). Não fossem nossos altíssimos impostos, teria um preço muito interessante aqui. Mas, depois de aplicadas todas as taxas, ele deixa de valer a pena. Por isso, a General Motors não pretende importá-lo.

Mais do que chegar à velocidade final, a maior curtição a bordo do modelo é sentir a aceleração progressiva e as respostas prontas do motor à solicitação feita no pedal direito

Vamos, primeiro, ao nome: “Saturn” é uma das marcas da GM nos EUA. “Sky” é o conversível de dois lugares que faz bastante sucesso por lá. E, finalmente, “Red Line” é o sobrenome dos esportivos da marca. E bota esportivo nisso!

A conta é bastante simples: são 264 cv em um motor de 2,0 litros, o que dá nada menos que 132 cv/l, um número de causar inveja nos melhores superesportivos do mundo. Para se ter uma idéia, a potência e o torque são quase os mesmos do motor 3.6 V6 que equipa o Touareg, também avaliado nesta edição, enquanto seu peso é cerca de uma tonelada menor. Na prática, isso significa ir de zero a 100 km/h em apenas 5,5 segundos e atingir máximas na casa dos 240 km/h.

Mas acelerar, neste caso, é muito mais prazeroso que bater os 200 km/h. Isso porque, com o teto aberto, o vento passa dos limites e, com a capota (de lona) fechada, o nível de ruídos fica alto. Em contrapartida, a experiência de aceleração no Sky Red Line não se trata apenas de contar décimos de segundo. O mais legal é sentir o motor responder com seus 36 kgfm de torque prontamente, entre 2.500 e 5.200 rpm. Sem aviso, o motorista vai achar que debaixo do capô está uma unidade seis cilindros.

Conseguir tudo isso do motor Ecotec 2.0 é uma verdadeira proeza dos engenheiros da GM, resultado da utilização de modernas tecnologias. Além do turbocompressor com intercooler, que reduz em até 100 graus a temperatura do ar que entra nas turbinas, melhorando o rendimento do motor, esse nervoso 2.0 conta ainda com comando de válvulas variável na admissão e no escape e com injeção direta de combustível.

A diversão ao volante é reforçada pelo câmbio manual curtíssimo (e bem à mão) e pela tração traseira com diferencial autoblocante que, em conjunto com o controle de estabilidade e os pneus 245/45 R18, permite contornar curvas com máxima segurança, domando sua cavalaria.

O interior leva dois passageiros, que praticamente “vestem” o carro, ficando bem acomodados nos bancos esportivos. Mas é preciso economizar na bagagem. Com a capota fechada, ele leva apenas 153 litros, e com ela aberta, ridículos 56,6 litros. Mas isso não importa. A proposta do Sky é a diversão, e isso ele garante excepcionalmente bem.