Um rolê de carro pela Bahia

As altas taxas de câmbio para o dólar e o euro vêm modificando os planos de muitos turistas para as férias do verão brasileiro. Ao invés de passar frio e curtir a neve nos Estados Unidos e na Europa, muita gente está preferindo viajar pelo Brasil. Por isso, fomos até a Bahia para dar uma dica de viagem bonita, prazerosa e relativamente barata para fazer de carro. Com 932 km de praias, a Bahia oferece diferentes atrações em seu litoral, que é o maior do Brasil. Nossa sugestão é um roteiro de 182 km de Salvador a Baixio, passando por Guarajuba, Praia do Forte e Imbassaí.

Durante dez dias, rodei com uma picape Ford Ranger Limited 3.2 Diesel 4×4 pelos ótimos pisos da Estrada do Côco e da Linha Verde, bem como por caminhos de areia. Salvador, a primeira capital do Brasil (1549-1763), pode ou não ser incluída no roteiro. Quem optar por ir direto para o litoral norte não terá dificuldades, pois o aeroporto fica bem no início da Estrada do Côco. Pelo menos dois programas são obrigatórios na capital baiana: passear no Pelourinho (30 km do aeroporto) e passar uma tarde em Itapuã.

A maneira mais fácil de chegar ao “Pelô” é pelo Elevador Lacerda, que liga o Mercado Modelo (na cidade baixa) com a parte histórica (na cidade alta). A vista de lá é magnífica. No Pelourinho, além de dezenas de lojinhas, igrejas, museus e a Casa de Jorge Amado, há bons locais para comer, como o Sorriso da Dadá e o Restaurante do Senac. É fácil circular de carro pelas praias de Salvador. Se você estiver na Barra, em Ondina ou no Rio Vermelho, basta ir margeando o oceano para chegar à praia de Itapuã.

É melhor ir sem crianças, pois o mar é agitado. A barraca mais interessante é a Bora Bora. No largo de Itapuã é possível provar o acarajé da Cira. Se você não tem o estômago forte, sugiro a opção sem camarão. Não saia de Itapuã sem almoçar no Restaurante Ki-Mukeka, que serve uma comida deliciosa, generosa e barata. Se quiser algo mais sofisticado (e caro), a opção em Itapuã é o Restaurante Mistura. A Estrada do Côco começa praticamente na entrada do aeroporto e perto de Itapuã. Dali até Guarajuba são apenas 42 km, mas no trajeto existem vários vilarejos pé na areia com pousadinhas.

Fiquei hospedado no resort all-inclusive Vila Galé Marés. A comida é boa e farta e o lugar é bonito, mas a bebida está abaixo do padrão. A praia em frente é calma na parte da manhã e pode ser aproveitada tanto por casais enamorados quanto por famílias com crianças. O Vila Galé fica a 4,5 km do centro de Guarajuba – um trecho ótimo para fazer caminhadas. Da Praia de Guarajuba também dá para ir caminhando até a tranquila Praia de Itacimirim. Um dos melhores locais para ficar nessa região da Bahia é a Praia do Forte, famosa por sediar um programa de recuperação de tartarugas marinhas (Projeto Tamar).

Se você estiver hospedado em Guarajuba, o roteiro pela BA-099 é de apenas 19 km. A entrada para a Praia do Forte fica na junção do fim da Estrada do Coco com o início da Linha Verde, que leva à divisa com Sergipe. Embora tenha a melhor infra-estrutura da região, com bancos e um grande resort (Tivoli), a Praia do Forte tem uma vida incrivelmente tranquila. Toda gente parece se conhecer e o que mais se faz nos finais de tarde é jogar dominó em qualquer mesa no calçadão. A opção de pousadas agradáveis para se hospedar é vasta.

Apesar do grande número de turistas (e carros), o trânsito é superorganizado, pois não há bolsões de estacionamento. O ideal é deixar o carro na entrada da vila e passear a pé. Ou nos táxis tuk-tuks que cortam a vila. Na Praia do Forte se encontra de tudo. As lojinhas vendem desde roupas (biquinis, camisetas, bermudas, chinelos, shorts) até acessórios (óculos, pulseiras, brincos), passando por arte (gravuras, pinturas, fotografias) e artesanato (tapetes, colares, ímãs). Comida e bebida também tem de todo tipo.

Mas o que mais impressiona é a variedade de sorvetes (graviola, umbu, cupuaçu, mangaba, jenipapo etc.). Outro lugar legal para ficar é Imbassaí. Escolhi o resort all-inclusive Grand Palladium, a 2 km do centro da vila, para ser base da parte norte dessa viagem. O nível dos quartos, do serviço, da comida e da bebida é excelente. A praia de Imbassaí fica numa pequena península de areia formada por um rio que corre paralelo ao mar. Mas, para quem quer sossego, sugiro ir até a Praia de Santo Antonio, que fica no vilarejo de Diogo.

Pela praia, é uma caminhada de meia hora. De carro, tem que pegar a Linha Verde e depois entrar numa estradinha vicinal, o que dá um total de 13 km. Cheia de coqueiros em dunas de areia, a Praia de Santo Antonio é uma das mais bonitas do pedaço. Variando entre trechos urbanos, boas estradas e alguns chãos de areia, a Ranger se saiu bem nessa viagem. Alta e confortável, a picape não se intimidou e até foi subutilizada na maioria das vezes. Os 63 km entre o Grand Palladium Eco Resort e Baixio foram feitos na parte mais sinuosa da Linha Verde, com trechos de subida e descida, pista simples, alguns caminhões e muitas curvas.

Baixio é quase um balneário particular. Para explorar a região é preciso ter um veículo 4×4. A visita à lagoa é feita com um Land Rover da Baixio Turismo e tem incluído um período de banho de duas horas. Já a Expedição Off-Road, na Fazenda Baixio, com acesso às lagoas Verde e Panela (20 km), pode ser feita com veículo 4×4 próprio, mas é obrigatório contratar um guia (R$ 50, reservado com antecedência) para grupos de até seis carros (R$ 70 por veículo). Já a trilha para a Lagoa Azul é feita a pé, em caminhada de aproximadamente 1,7 km, com duração de 30 a 35 minutos.

No local, é possível fazer canoagem dupla ou individual (R$ 10). O turismo local também oferece passeios de quadriciclo. Baixio tem 14 km de praia e está numa área particular de preservação ambiental. Os visitantes pagam R$ 10. Os moradores da comunidade têm livre acesso em toda a região, mas para isso precisam se credenciar no Resortinho Escola. Cerca de 800 pessoas vivem em Baixio. Do Morro da Vista (1,7 km da vila) é possível ver o Rio Mamucabo (8 km da vila), que tem pesca predatória proibida. Para chegar lá é preciso passar pelo gado no meio de um pasto.

Não é permitido entrar com animais domésticos nem fazer fogo. Segundo o guia Bonfim dos Santos, toda a comunidade consegue trabalhar no empreendimento administrado por um grupo espanhol ou viver da pesca e agricultura. Baixio precisa ser explorada com calma, mas não vale a pena ficar hospedado na cidade, pois suas pousadas são muito simples. O conforto do Grand Palladium Imbassaí fez muito bem depois da aventura. Na verdade, há muito mais para fazer. Essa foi apenas uma pequena mostra do enorme litoral baiano. Com um bom carro e uma boa companhia, você certamente não vai sentir falta do inverno da Europa ou dos Estados Unidos.

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Dicas de viagem

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CARRO – O aluguel de um 4×4 não é barato e a reserva precisa ser feita com boa antecedência. A Localiza (0800 979 2000) oferece Ford Ranger Cabine Dupla 4×4 ou Chevrolet S10 Cabine Dupla 4×4 por R$ 417 a diária ou R$ 3.462 por 10 dias.

HOTEL – O litoral norte baiano oferece inúmeras opções de hotéis de todas as categorias. Desde os gigantes resorts como Vila Galé Marés (Guarajuba), Tivoli (Praia do Forte) ou Grand Palladium (Imbassaí) até pousadas mais em conta. O ideal é procurar seu agente de viagens ou reservar pelo www.booking.com. Em Salvador, escolha um hotel localizado em Ondina, na Barra (que está toda em reforma na região do farol) ou no Rio Vermelho.

AVIÃO – Salvador é o principal hub das companhias que voam para o Nordeste. Gol, TAM, Avianca e Azul têm vários vôos diários para lá, partindo de várias cidades.

PASSEIOS – Expedição Off-Road na Fazenda Baixio, Lagoa Verde e Lagoa Panela. Baixio Turismo, telefones (75) 3413-3106 e (75) 9732-2532.

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