Um vencedor improvável

Roberto Assunção

Esqueça os R$ 129.950 cobrados pelo BMW 320i Active-Flex em sua versão básica, com visual e equipamentos idênticos aos do 316i que você acaba de ver nas páginas anteriores. A versão aqui embaixo, chamada Sport GP, é bem diferente e, por isso mesmo, mais cara. Com produção nacional que se inicia já em outubro, seu preço de R$ 154.950 foi fator decisivo para sua escolha para essa disputa com o estreante Mercedes-Benz CLA – que pode até ser feito no Brasil em 2016, mas é mais provável que venha antes do México e seja vendido por bem menos que os R$ 150.500 pedidos hoje por essa configuração única e bem equipada, batizada de CLA 200 1st Edition.


No caso do BMW, só para adicionar o sistema multimídia mais completo, com tela maior, GPS, HD interno e leitor de DVD, o preço sobe para R$ 143.950. É o que a marca chama de versão GP. Já o 320i avaliado aqui, além desse item, tem o pacote Sport. Na mecânica, nada muda; no visual, sim. Externamente, ganha para-choques e rodas com desenho exclusivo. Internamente, é quase outro carro: tem soleira, volante e bancos esportivos (com extensor de assento e contornos infláveis), além de acabamento mais sofisticado e painel muito superior, com telas coloridas multifuncionais entre velocímetro e conta-giros, como no Mercedes CLA – e no Audi A3 Sedan, vale lembrar.

Esse upgrade no interior do BMW o deixa praticamente tão equipado quanto o CLA 1st Edition. Mas ambos têm pecados curiosos. Enquanto o BMW fica devendo faróis automáticos, sensor de chuva e piloto automático – itens presentes até em carros que custam a metade de seu preço –, a falha da Mercedes é mais grave: falta, além de bancos de couro e sensores de estacionamento, o ar-condicionado automático. Quem compra um carro desse valor espera poder ajustar uma temperatura e relaxar, e não ter de ficar regulando toda hora a temperatura e a intensidade do ar.

Na cabine, o Mercedes CLA é outro exemplo de que tamanho externo nem sempre se reflete em espaço interno. E a culpa é principalmente do design. Com praticamente as mesmas medidas do BMW 320i, o CLA sacrifica os passageiros no banco traseiro ainda mais que o Audi A3 Sedan, que é menor. Tudo bem que a lateral é o ângulo mais atraente do belo cupê de quatro portas, mas por culpa dessa silhueta quem tem mais de 1,70 m já não se acomoda bem no banco traseiro – e ainda tem de abaixar a cabeça para entrar e sair. Parte da claustrofobia provocada nos passageiros do banco traseiro por essa coluna C inclinada é compensada pelo enorme teto panorâmico. Outros fatores positivos são a sofisticada iluminação amarelada com diversos pontos de luz e os assentos esportivos, que, apesar de não terem ajustes elétricos e serem revestidos só parcialmente de couro, são bem confortáveis. O acabamento é irregular, com detalhes e materiais sofisticados misturados a componentes mais simples. Já o sistema multimídia tem HD interno, DVD, GPS, etc., mas sua tela podia ser mais virada para o motorista. O uso do Mercedes fica entre a facilidade do Audi e a complicação do BMW.

Ao volante, a Mercedes não fez um carro emocionante de guiar, pelo menos com esse motor, fraco se comparado ao do BMW. Seu 1.6 turbinado tem 156 cv e 25,5 kgfm, contra 184 cv e 27,5 kgfm do rival. Não são números ruins, mas o CLA parece se esforçar demais para ganhar velocidade (e o ruído também é alto). A transmissão de sete marchas e dupla embreagem tampouco é rápida como a do A3 Sedan das páginas anteriores. Além de indecisa em alguns momentos, dá pequenos trancos e perde em rapidez para a surpreendente caixa convencional de oito marchas da BMW. O resultado é que, para atingir 100 km/h, o CLA precisa de 8,5 segundos, e o 320i gasta 7,2 segundos. A situação melhora um pouco com trocas manuais, usando as borboletas – que o BMW continua não oferecendo mesmo nessa versão “esportiva”!

Vale observar que o motor pequeno com câmbio automatizado não caiu bem no CLA quando se fala de consumo. No Programa de Etiquetagem, fez 8,2 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada, com nota D do Inmetro (na prática, conseguimos 12 km/l na estrada e 9 km/l na cidade). Já o BMW não participa do programa, mas durante nossa avaliação, usando 100% de etanol, marcou média de 10 km/l na estrada. Nada mau.

A direção do CLA é direta e precisa como a do BMW, mas passa uma sensação de peso bem mais artificial. Nada que o desabone, porém. Na hora de encarar curvas, o CLA não decepciona. A carroceria inclina pouco mais e ele avisa sobre a chegada do limite sem assustar o motorista, deixando-se escapar levemente de lado. Enquanto isso, as suspensões do BMW são um pouquinho mais macias, inclinando um pouco mais nas curvas, mas respondendo a exageros com uma elegância semelhante. O maior problema ao rodar, nos dois carros, acaba sendo o uso dos pneus run-flat. Eles aposentam o estepe, liberando espaço no porta-malas, e permitem rodar em baixa velocidade mesmo quando furados – mas, em compensação, transmitem um ruído exagerado para dentro da cabine em ruas esburacadas, principalmente nessas medidas para rodas grandes (aro 18 no Mercedes e 17 no BMW). Além de caros na hora da reposição, fazem com que você acabe sacrificando parte do conforto no cotidiano para uma eventual conveniência. Não vale a pena.

No fim, aqui a melhor opção é claramente o BMW 320i Sport GP. Mas estamos falando de carros de mais de R$ 150.000. Não se esqueça que, por esse valor, muito provavelmente dará para comprar a nova geração do Mercedes Classe C, que chega no segundo semestre e será feita em São Paulo em 2016. Ou, por bem menos (R$ 129.200), levar até um Audi A4 básico, que ficou de fora deste comparativo porque, além de não ter produção nacional prevista, está próximo de uma mudança de geração, com a adoção da plataforma MQB já usada no A3 – fato que o deixará maior e, provavelmente, mais caro.

Andando nesses carros, porém, a toda hora vinha a lembrança do Audi A3 Sedan. Ser mais barato não o exclui de ser uma boa opção – muito pelo contrário, é justamente o que o torna mais atraente. Mesmo com o sistema multimídia mais caro, totalizando R$ 125.300, tem melhor custo-benefício. O futuro Audi nacional é rápido, gostoso de guiar, tem acabamento impecável, uma central multimídia brilhante, uma transmissão extremamente rápida, um motor moderno e econômico e um rodar silencioso. Eis o curioso caso do Audi A3 Sedan, que ganhou um comparativo do qual nem fazia parte.

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