Uma atualização à espera da nova geração

Roberto Assunção

Minha primeira edição na MOTOR SHOW, há dez anos, trazia a estreia dessa geração da Hilux no Brasil. Na época, essa Toyota representou uma revolução na forma de fazer picapes. Não importa onde você lesse sobre ela, havia elogios à “dirigibilidade de carro”. De fato, ela era mais confortável e agradável de guiar do que qualquer outra picape – e isso sem abrir mão da robustez. Nessa década que passou, porém, as rivais superaram a Hilux em quase tudo, menos nas vendas das versões a diesel, segmento no qual, apesar da idade, ainda é líder – por questão de tradição e fidelidade à marca.

Mas isso não significa que ela não precise evoluir: a nova geração deve ser mostrada ainda este ano (atualização: ela foi exibida na Tailândia e deve chegar ao Brasil no ano que vem). Enquanto não chega, a linha 2015 foi atualizada. Essa versão SRV com motor flex e câmbio automático, antes tinha só tração 4×4. Atendendo a pedidos, agora é oferecida com a 4×2. Além do preço menor (R$ 108.260 contra R$ 117.600 da 4×4), a tração traseira dá menos trabalho para o motor 2.7 flex, uma unidade subdimensionada, que não garante bom desempenho. A decisão faz sentido: boa parte dos compradores de picape, principalmente flex, raramente usam a tração 4×4.


A nova central multimídia contrasta com o painel antigo. A transmissão automática tem só quatro marchas, mas é exclusiva entre as picapes com motor flex

Ao volante, os sinais da idade aparecem: a ultrapassada caixa automática de quatro marchas não ajuda o desempenho, a posição de dirigir e o sistema de direção não são lá essas coisas e, no banco traseiro, o conforto é mais limitado do que a média. Sinais claros do que precisa ser aprimorado. Ainda de novidade na linha 2015, há a série especial Limited Edition, vendida por R$ 168.680. Ela nada mais é que uma SRV Top 4×4 a diesel (R$ 165.110) com os acessórios mais populares.

Ganha capa protetora no para-choque dianteiro, adesivos, rodas 17”, santantônio, capota marítima, jogo de tapetes e soleira cromada. De qualquer forma, se você quer uma picape Toyota, qualquer que seja a sua opção – gasolina ou diesel, 4×2 ou 4×4 – use o argumento da nova geração para obter um belo desconto. Ou dê uma olhada na concorrência: pelo mesmo preço, a S10 tem motor flex de 206 cv, a Ranger tem um bicombustível de 173 cv. Mas só a Hilux é flex e automática. Uma vantagem inegável.

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Ficha técnica

Toyota Hilux SRV flex 4×2

Motor: 4 cilindros em linha, 16V, DOHC, comando continuamente variável
Cilindrada: 2694 cm3
Combustível: flex
Potência: 158 cv a 5.000 (g) e 163 cv de 5.000 (e)
Torque: 25 kgfm a 3.800 rpm (g/e)
Câmbio: automática, quatro marchas
Tração: traseira, diferencial de deslizamento limitado
Direção: hidráulica
Dimensões: 5,260 m (c), 1,835 m (l), 1,860 m (a)
Entre-eixos: 3,085 m
Pneus: 265/70 R16
Porta-malas: 730 litros
Tanque: 80 litros
Peso: 1.830 kg 0-100 km/h: não divulgada
Velocidade máxima: não divulgada
Consumo: não divulgado
Nota do Inmetro: não participa