Uma aventura no Atacama com a nova VW Amarok V6

Da Argentina ao Chile, cruzamos a cordilheira e o deserto para colocar à prova a nova Amarok V6 turbodiesel

Asfalto. Areia. Calor. Frio. Altas altitudes. Paisagens de tirar o fôlego. São as condições perfeitas para avaliar a nova Volkswagen Amarok V6 Highline. Nossa aventura começou no Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Buenos Aires, na Argentina. Um voo de 3h10min a bordo de um Boeing 737-800 da Aerolineas Argentinas. Após uma breve conexão na capital mundial do tango, embarcamos em outro 737-800 para mais duas horas e meia até o Aeroporto Internacional Martín Miguel de Güemes, em Salta, que está localizada ao leste da Cordilheira dos Andes e é famosa pela produção/exportação de grãos.

Depois de 3.700 km, concluímos a primeira parte dessa aventura, que tem como objetivo final cruzar o deserto do Atacama. O dia seguinte começou com as três Amarok (ainda limpas) estacionadas em frente ao hotel. Antes de enfrentar os mais de 436 km,
uma parada para completar o tanque. Foram 18 litros de diesel ao custo de 460 pesos (cerca de R$ 75). Depois desse pit-stop caímos na Ruta Nacional (RN9), uma estrada pavimentada de 1.967 km de extensão que liga Buenos Aires à Bolívia.

Seguimos pela RN9 com suas grandes retas fazendo um convite para acelerar o novo motorzão V6 3.0 turbodiesel de 225 cv de potência e 56,1 kgfm de torque (o mesmo do Audi Q7). Até a vinda da Mercedes-Benz Classe X, no início de 2019, essa Amarok será a opção mais potente à venda em nosso mercado. O câmbio é automático de oito marchas, com opção de trocas sequenciais na alavanca ou nas borboletas. Tudo isso faz dessa Amarok de 2.185 kg um canhão que vai de 0-100 km/h em 8 segundos e que chega a 190 km/h. Rodando a 120 km/h, o ponteiro do conta-giros marcava 2.000 rpm, contribuindo para o silêncio interno e o consumo de 11,2 km/l.

Voltando ao trajeto, foram 141 km até Purmamarca (Estado de Jujuy), um local de mais de 2 mil habitantes, considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 2003, e de atrações turísticas como o Cerro de los Siete Colores. Esse cartão postal é um dos mais famosos do norte da Argentina, uma montanha de cerca de 75 milhões de anos criada por sedimentos marinhos, de lagos e rios, revelando uma combinação de cores rosa, vermelho, branco e tons castanhos.

Na RN9, dirigimos mais 26,6 km até Tumbaya, onde funciona uma escola de gastronomia especializada na difusão da comida andina. Depois do almoço, caímos na Ruta Nacional 52 (RN52), que liga a Argentina ao Deserto do Atacama. A estrada pavimentada é cheia de curvas e tem alguns pontos de ultrapassagens. Só é preciso ficar de olhos bem atentos à frente por conta das curvas. E a picapona da Volkswagen as contornou transmitindo boa estabilidade e controle de carroceria. Já os freios a disco nas quatro rodas têm acionamento progressivo e param a picape tão bem quanto o conjunto mecânico a faz acelerar.

O visual dessa região é deslumbrante, com a chance de observar lhamas e vicunhas (um animal típico da região). A subida é grande e chegamos até o ponto mais alto de 4.170 m acima do nível do mar! Mesmo na subida, o fôlego desse V6 TDI impressionou, com poucas reduções. Mas lembre-se de que a grande altitude e o ar rarefeito podem provocar desconfortos, então adote uma boa hidratação e apele para balas de folha de coca, se preciso. Já descendo, quando o GPS apontou 3.550 m de altitude, eis que surgiu Salinas Grande, o deserto de sal da Argentina.

Não tão monumental quanto o Salar de Uyuni, na Bolívia, Salinas Grande está distante 66 km de Purmamarca e é formada por cerca de 212 km². Ótimo lugar para fotos, é possível ainda comprar artesanato feito de pedras de sal. Mas só há banheiros químicos. A viagem prosseguiu e tínhamos mais 251 km pela frente, incluindo a passagem pela fronteira com o Chile. À noite, chegamos em São Pedro do Atacama, já no Chile, considerado um dos locais mais secos do mundo, com construções rústicas feitas de Adobe, uma mistura de argila com areia. Um dos passeios é conhecer a Calle Caracoles.

No dia seguinte, rodamos aproximadamente 60 km pela região. E não é que no meio do deserto estava abandonado um antigo ônibus? Os caminhos do fora-de-estrada não foram impedimento para a Amarok. Afinal, a tração é integral permanente, com função off-road que aciona o bloqueio eletrônico do diferencial para encarar obstáculos mais complexos. Aliás, seja no asfalto ou em terrenos mais acidentados, o conjunto de suspensões da picape não deixou de transmitir uma dose bastante elevada de conforto, principalmente para uma picape.

No percurso de volta, fizemos o caminho pelo Paso de Sico (via Ruta Nacional 23) encarando mais de 80 km de trajetos enlameados por conta da chuva, de cascalho e de pedriscos, o que nos rendeu um pneu furado, mas a certeza de que a Amarok enfrenta bem os terrenos difíceis. O almoço foi em Santo Antonio de los Cobres, cidade já no lado argentino, cuja principal atividade é a extração de minérios. Após mais 9h35min, estávamos de volta a Salta. E a viagem acabava com o voos de retorno a Buenos Aires e, em seguida, ao Brasil.