Uma estrela endiabrada

Estou frente a frente com o Mercedes-AMG GT e tento controlar a minha empolgação e a minha ansiedade. Exagero? Não para mim, que respiro carro todos os dias de manhã até de noite. Procuro me acalmar antes de dirigi-lo. Ao tomar posição nos bancos esportivos, só vejo à minha frente o longo capô. A posição de dirigir é perfeita, e me remeteu a outro modelo, o Jaguar F-Type Coupé R. Antes da partida, aproveito para reparar em todos os detalhes do interior. Apesar da pouca altura, a cabine do Mercedes-AMG GT não é claustrofóbica, e tudo foi pensado nos mínimos detalhes.  

Pressiono o botão da partida e a fera desperta com um ronco estrondoso e borbulhante. Música (ou sinfonia) para os ouvidos. É como disse Tobias Moers, chefe da Mercedes-AMG: “Esse é um esportivo puro, com o espírito das corridas”. E é isso mesmo: o carro foi construído seguindo a loso a “Handcrafted by Racers” (feito à mão para pilotos). Absolutamente tudo foi pensado para extrair o máximo de desempenho. Mais de 90% da construção da carroceria leva alumínio, e a parte dianteira da plataforma é feita de magnésio – e é exatamente por isso que ela pesa só 231 quilos! 

Ainda tento me acostumar com a mística desse carro, que vai além da minha imaginação. O V8 4.0 biturbo é montado manualmente em Affalterbach, na Alemanha. O engenheiro responsável ganha uma plaqueta com a sua assinatura colada na capa do motor. Esse 8 cilindros em V tem a mesma relação de curso e diâmetro do 2.0 de 360 cv que equipa os 45 AMG de tração dianteira, enquanto o par de turbinas tem desenho compacto e trabalha com 1,2 bar de pressão. Além disso, os dois caracóis foram colocados sobre o “V-oitão” para evitar que captem o ar quente produzido por ele. 

A versão avaliada, GT S, despeja 510 cv de potência (462 cv no GT) e, ao volante, a todo instante eu pensava: “Ele tem um desempenho monstruoso, mas, diferentemente de outros esportivos, pode ser dirigido tranquilamente no dia a dia”. Bingo! Essa foi a receita adotada pelo Mercedes-AMG: um carro bruto, sim, mas também amigável. Aproveitei o passeio pelas ruas de São Francisco, nos Estados Unidos, e me aventurei no AMG Dynamique Control, que permite escolher os modos de condução C (E ciência Controlada), S (Sport), S+ (Sport Plus), I (Individual) e Race (exclusivo do GT S). Eles alteram os parâmetros do carro, como respostas da transmissão, do pedal do acelerador, do motor e da caixa de direção, entre outros. No modo “C”, o desempenho é comedido e o Mercedes-AMG ca dócil de guiar – mas não tanto quanto um Classe E. O sistema start-stop desliga o motor em breves paradas para cooperar no consumo e nas emissões de poluentes. 

Das ruas de São Francisco para a pista de Laguna Seca, em Monterey, na Califórnia. Não haveria lugar melhor para experimentar a con guração Race. O circuito foi construído em 1957 e tem 3.602 km de extensão e 11 curvas – incluindo o famoso Saca- Rolhas (Corkscrew). Logo na primeira volta, descubro o quanto a dinâmica e o equilíbrio do Mercedes-AMG GT são irretocáveis. Fico com a sensação de que o carro anda sobre trilhos! Um dos fatores é a distribuição de peso perto do ideal: 47% para o eixo dianteiro e 53% para o eixo traseiro. Para chegar a essa equação, o motor está posicionado na frente, enquanto o câmbio AMG Speedshift DCT de sete marchas com dupla embreagem foi montado na traseira.

Ao apertar o botão M, assumo o controle e passo a mudar as sete marchas usando as borboletas de alumínio posicionadas atrás do volante. Tudo acontece com muita agilidade e, quando a agulha do contagiros encosta nas 2.500 rpm, o Mercedes se transforma e te joga com voracidade contra o encosto do banco a cada troca de marcha. 

Os potentes freios de carbono-cerâmica, que são opcionais, encarregam-se de domar todo esse ímpeto do GT S – os discos têm 402 mm de diâmetro na frente e 360 mm atrás. Ainda em relacão à segurança, alguns itens vieram do novo Classe S, como os freios adaptativos, o alerta de atenção, o sistema de monitoramento da pressão dos pneus, os cintos de segurança de três pontos com tensores e limitadores de força, e os múltiplos airbags. 

Se você cou tão empolgado quanto eu, a boa notícia é que a vinda do Mercedes-AMG GT para o Brasil está con rmada para o segundo trimestre de 2015. Os preços ainda não estão de nidos, mas devem partir de R$ 750.000 (GT) e chegar a cerca de R$ 850.000 (GT S). O superesportivo será um concorrente de peso para o já citado Jaguar F-Type Coupé e, principalmente, para o Porsche 911. Esses concorrentes que se preparem, pois ao nal da avaliação eu só pensava em uma coisa: “Pena que o meu salário de jornalista não permita colocar um Mercedes-AMG GT em minha garagem”. Ou, quem sabe? Não custa nada sonhar.

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