Uma oferta atraente

JAC J3 R$ 37.900 SUGERIDO

EMISSÃO DE CO2 n/d g/km SEM DADOS

No dia 18 de março, a JAC concluiu uma operação arriscada, inaugurando, simultaneamente, 50 concessionárias. Ela faz parte da estratégia de Sérgio Habib, presidente da montadora no Brasil, para chamar atenção para o poderio de fogo da nova marca asiática. Nem precisava desse estardalhaço. O J3, por si só, deixa claro que os carros da marca têm qualidade su ciente para causar burburinho.


JAC J3

MOTOR quatro cilindros em linha, 1,4 litro, comando variável TRANSMISSÃO manual cinco marchas, tração dianteira DIMENSÕES comp.: 3,97 m – larg.: 1,65 m – alt.: 1,47 m ENTRE-EIXOS 2,400 m PORTA-MALAS 350 litros PNEUS 185/60 R15 PESO 1.060 kg • GASOLINA POTÊNCIA 108 cv a 6.000 rpm TORQUE 14,1 kgfm a 4.500 rpm VELOCIDADE MÁXIMA 186 km/h 0 – 100 km/h 11s9 CONSUMO não disponível CONSUMO REAL não disponível

A JAC é hoje a melhor representante dos chineses aqui. Mesmo assim, em princípio, achei R$ 37.900 um valor alto. Mas, fazendo as contas, o preço se justi ca. Primeiro, pela garantia de seis anos, com dois anos de assistência 24 horas. Segundo, pelo pacote com airbag duplo, ABS, direção hidráulica, ar, banco bipartido, sensor de estacionamento… Um Agile LTZ, por exemplo, custa mais de R$ 42 mil e é menos equipado. Claro que o hatch está longe da perfeição.

No apoia-braço das portas há rebarbas no plástico, o banco alto merecia ajuste de altura e não há trava central interna das portas. A unidade avaliada apresentou problemas nos marcadores de temperatura e de combustível e no limpador de para-brisa. O material de acabamento e os encaixes são razoáveis, mas notam-se desalinhamentos.

No dia a dia, encontrei um automóvel honesto, com bom espaço para levar quatro pessoas e dirigibilidade dentro do esperado. O motor 1.4 com comando variável de 108 cv é o mais potente aspirado dessa cilindrada no País, mas deixa a desejar em rotações mais baixas. Depois de embalar, vai bem, ainda que produzindo muito ruído.

Os engates do câmbio manual, em princípio elogiáveis, com o tempo se revelam menos precisos do que deveriam, mas são muito superiores ao de qualquer outro chinês. O comportamento dinâmico lembra o de um Fiat Palio: confortável, porém macio demais.

Vale a pena? Como produto, não encontrei nenhum defeito que inviabilizasse sua compra e que já não tenha visto em carro nacionais equivalentes. Mas eu aguardaria para saber como o carro se comporta nas ruas e como será o pós-venda. Habib garante que tem estoque de peças e que seus preços são justos. As revisões – chatas, a cada cinco mil quilômetros – têm bons valores pré- xados. Já a desvalorização… só o tempo dirá.

Os bancos de couro são os únicos itens que faltam no J3, mas podem ser instalados nas concessionárias. O acabamento é honesto, mas a entrada mini-USB do CD player não permite colocar pen drives sem um adaptador

CONTRAPONTO

• Fiquei surpreso com o J3. Foi, sem dúvida, o melhor carro chinês que já dirigi. O que mais me agradou no compacto foi sua suspensão macia, que não repassa os efeitos da buraqueira das ruas brasileiras para dentro do veículo.

O desempenho do motor é bom, mas concordo com a Ana Flávia quando ela diz que em baixas rotações ele poderia ser mais esperto. Também concordo com a opinião dela sobre o comportamento do J3 em curvas. De fato, não passa muita sensação de segurança. Quanto aos engates do câmbio, não tenho do que reclamar. Comigo não deu problema nenhuma vez. Gostei do carro, de maneira geral, mas, mesmo assim, não o compraria. Por R$ 37 mil, minha opção seria o C3.

Apesar de não ter tantos equipamentos, já é um carro bem aceito e com uma marca consolidada no Brasil. Pode até parecer preconceito contra carro chinês, mas não é. Trata-se apenas de uma questão de con abilidade. Mesmo assim, pode ser que daqui a algum tempo eu “morda a língua” e coloque um carro chinês na minha garagem.

Rafael A. Freire| Repórter

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