Uma receita classica

Sem muitas informações sobre o Classe E Coupé, depois de admirar suas linhas, sentei ao volante e não resisti à tentação de sair acelerando. Na primeira esticada e depois da primeira curva “forte”, desconfiei de algo errado. Não era nenhum problema com as respostas ao acelerador ou com o ronco do motor 5.5 V8 aspirado, que parece ter sido trabalhado para ter a imponência de um trovão (o que ouvi foi quase o som de um legítimo AMG, apesar de ele ter só um pacote visual da famosa divisão esportiva da marca). O problema era mesmo dinâmico.

O eficiente câmbio automático de sete marchas trabalha bem a brutalidade do motor V8

Na realidade, mais um estranhamento. O que parecia errado era o “Classe E” no nome. Suas reações estavam muito brutas, seu comportamento dinâmico não correspondia ao dos legítimos E, normalmente mais refinados e fáceis de domar. Esse modelo lembrava mais esportividade dos Classe C. Uma rápida pesquisa explicou tudo. Este E Coupé é o substituto do CLK. Tem, portanto, a plataforma dos Classe C, com tudo o que isso traz de vantagens e de desvantagens. No primeiro grupo, estão justamente as características que me causaram o estranhamento; no segundo, a distância entre-eixos menor. O verdadeiro cupê com a plataforma do Classe E é o CLS, mas, com quatro portas e base construtiva mais confortável, alguns consideram que lhe falta uma “pegada” mais agressiva.

Mas por que este carro se chama E Coupé, se na realidade é um Classe C? Bem, a marca alemã tem oferecido tantas variações de “Classes” e carrocerias que as coisas ficam assim mesmo, meio complicadas. Não poderiam chamá-lo de C Coupé porque esse é outro modelo, lançado há poucos meses. Menor, com um design não tão agressivo e com uma família de motores quatro cilindros, só com uma opção V6. Este E Coupé das fotos, portanto, está mais para um “Super Classe C Coupé”.

Apesar das linhas e do desempenho agressivos de um típico cupê, o interior é de um luxuoso Classe E. No pacote AMG, bancos com abas ajustáveis e rodas 18”

O fato é que o modelo entrega a brutalidade do V8 e a dinâmica mais esportiva dos Classe C com o refinamento, luxo e pacote de equipamentos impressionante dos Classe E. São só duas portas – sem moldura, como nos cupês de antigamente – e, ao abaixar os quatro vidros, fica claramente marcada a ausência da coluna B. O “V-oitão” grita forte, as rodas traseiras derrapam quando provocadas e o espaço traseiro é limitado. Com o pacote AMG incluso no preço de R$ 351 mil, as rodas são aro 18 e os bancos ganham contornos ajustáveis para prender melhor o corpo do motorista. Nada como uma receita clássica – e muito benfeita.

Feito sobre a plataforma do Classe C, o modelo tem reações mais esportivas e brutas que as dos legítimos Classe E

Mercedes E 500 Coupé Sport

MOTOR oito cilindros em V, 5,5 litros, 32V, aspirado TRANSMISSÃO automática sequencial, sete marchas, borboletas no volante, tração traseira DIMENSÕES comp.: 4,70 m – larg.: 1,79 m – alt.: 1,40 m ENTRE-EIXOS 2,760 m PORTA-MALAS 450 litros PNEUS 235/40 R18 (dianteiros) 235/40 R18 (traseiros) PESO 1.715 kg • GASOLINA POTÊNCIA 388 cv a 6.000 rpm TORQUE 54 kgfm de 2.800 a 4.800 rpm VELOCIDADE MÁXIMA 250 km/h (limitada) 0 – 100 km/h 5,2 segundos CONSUMO cidade: 6,2 km/l / estrada: 12,8 km/l (dados da Europa) CONSUMO REAL não disponível