Uma vida na fórmula 1

“Dou mais valor a uma notícia que eu tenha buscado, que tenha me dado mais dificuldade. Neste caso, tive um informante, que era o Piquet”

Reginaldo Leme, sobre seu mais recente furo jornalístico

Durante o GP de Spa-Francorchamps de Fórmula 1, Reginaldo Leme, comentarista da Rede Globo, fez uma revelação que repercutiu pelo mundo. A notícia bombástica foi a de que a FIA estaria investigando uma suposta fraude no GP de Cingapura de 2008, no qual Nelsinho Piquet teria batido seu carro propositalmente para beneficiar seu companheiro de equipe Fernando Alonso, que acabou vencendo.

Com 37 anos de carreira no meio automobilístico, este foi apenas mais um furo jornalístico de Reginaldo. Porém, segundo ele, foi o de maior repercussão. Depois da revelação, toda a imprensa internacional começou a acompanhar de perto a investigação do episódio. Apesar disso, ele não considera este o maior feito de sua carreira.

“Dou mais valor a uma notícia que eu tenha buscado, que tenha me dado mais dificuldade. Neste caso, tive um informante, que era o Piquet”, diz o comentarista, que relembra grandes notícias que deu em primeira mão, como a da estreia de Piquet na F-1, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, e a compra da equipe Wolf pela Fittipaldi. Um de seus primeiros furos foi fora da F-1.

Em 1970, com apenas dois anos de profissão, quando ainda cobria a Seleção Brasileira de futebol para o Jornal da Tarde, publicou uma conversa entre João Saldanha, Gerson e mais alguns jogadores criticando o Pelé no saguão do hotel. “Eu estava sentado próximo. Como ninguém me conhecia, peguei a conversa”, conta.

Reginaldo começou sua carreira em 1968 no jornal O Estado de S. Paulo cobrindo futebol e outros esportes na época considerados amadores pelos jornais. “Automobilismo sempre foi uma grande paixão. Se eu conseguisse conciliar isso com o jornalismo, que era meu objetivo de vida, melhor”, conta.

Em 1972, Reginaldo aproveitou o bom desempenho de Fittipaldi na F-1 para fazer um plano de cobertura de toda a temporada. O jornal topou, e assim começou o grande envolvimento de Reginaldo com a categoria. Como um dos pioneiros na cobertura da modalidade no Brasil, mesmo constrangido, Reginaldo admite se sentir parte do que a F-1 é para os brasileiros hoje.

Ele presenciou muitas fases da categoria, mas a que mais o marcou foi a da década de 80, com disputas mais que memoráveis entre o que ele denomina “quarteto mágico” – Piquet, Senna, Prost e Mansell. “Acredito que reunir tantos talentos outra vez será quase impossível”, palpita o veterano. Reginaldo construiu uma relação próxima com diversos pilotos, como o ídolo Ayrton Senna.

Afinal, acompanhou o campeão desde seus primeiros testes na F-1, como o de Williams em Donington Park, onde bateu o recorde do traçado. A reportagem da época ainda mostrava os treinos da McLaren e da Tolleman, equipe em que Senna estreou em 1984. A proximidade com o piloto acabou acentuando algumas diferenças entre eles.

“Nos desentendemos. Mas as coisas tomaram uma proporção muito maior por se tratar de um ídolo nacional”, explica Reginaldo. “O tempo cobriu as rusgas passadas, mas não refez o relacionamento, porque o próprio tempo não se deu tempo suficiente para isso”, finaliza. Para o jornalista, Senna foi o melhor de sua geração.

“Ele virava um super-herói quando entrava no carro. A gente via a certeza de ser o melhor do mundo”, define. Atualmente, Reginaldo é um dos jornalistas que mais entendem de F-1. E não foi apenas de fora do carro que adquiriu todo este conhecimento.

Na década de 1990, seis jornalistas de TV foram convidados a fazer um teste em um carro da categoria e Reginaldo estava entre eles. A bordo da Arrows usada por Damon Hill em 1997, o jornalista pôde entender o que passa um piloto dentro do cockpit.

“Dentro do carro, senti um pouco de claustrofobia, mas, quando fui liberado para acelerar, esqueci tudo. Foi sensacional!”, diz. Hoje, além de comentar todas as corridas de F-1, Reginaldo publica o Anuário Motor, que reúne diversas reportagens sobre todas as etapas da F-1 e de outras grandes categorias brasileiras.

Ao lado, em sentido horário: Reginaldo e Giancarlo Fisichella na festa de Otávio Mesquita em que comemorou a compra da Jordan, que hoje decora sua parede; com Jo Ramirez, então coordenador da McLaren; e com o cantor Eric Clapton

 

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