Uma volta no Sol e muitas estrelas apagadas

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Meus amigos, quanta diferença faz uma única volta da Terra em torno do Sol! Há exatamente um ano, nem a Mãe Dinah poderia sonhar que o Brasil estava prestes a apanhar de 7-1 da Alemanha, o técnico Felipão ainda era respeitado por muitos torcedores, o Volkswagen Gol sustentava uma liderança de 27 anos no ranking e o volume de vendas da Fiat era mais que o dobro da Ford.

Mas o primeiro semestre de 2015 terminou e, como sabemos, a Alemanha continuou fazendo gols no Brasil. Em termos de futebol, não aprendemos nada com os 7-1. Em termos de costumes, ainda perdemos pessoas queridas porque não usam cinto de segurança no banco de trás. E em termos econômicos, vimos a inflação acumulada de 12 meses chegar a 8,76%. Como todo mundo sabe, do jogo do 7-1 para cá as vendas de automóveis caíram 19,01% (de 1,328 milhão para 1,075 milhão) e as de comerciais leves despencaram 23,67% (de 254,0 mil para 193,8 mil). Mas nem todo mundo fez o papel de Felipão e sua seleção. Algumas marcas estão crescendo e alguns carros vão muito bem.

A primeira conclusão sobre esse primeiro semestre de 2015 é que as três grandes (Fiat, Chevrolet e Volkswagen) encolheram e voltaram a ser quatro (com a inclusão da Ford). Juntas, as três líderes perderam 262.403 vendas no primeiro semestre, comparado com o mesmo período de 2014. A Fiat perdeu 105.522 unidades em seu volume de vendas – um número espantoso, equivalente a toda a venda da Renault nos primeiros seis meses do ano passado. Só no segmento de automóveis de passeio a Fiat deixou de vender 77.513 unidades, o que lhe custou a liderança. Quem está na frente do ranking de carros de passeio agora é a Chevrolet, que passou do terceiro para o primeiro lugar, mas ela não comemora essa “vitória de Pirro”, pois teve a terceira maior perda em volume de vendas do semestre: 75.091. A Volkswagen teve uma queda de 81.790 veículos. E a diferença da Fiat para a Ford, que era de 142.936 veículos, agora é de apenas 44.290.

Apesar de ter tido o maior recuo, a Fiat manteve a liderança na soma de automóveis e comerciais leves, que é o ranking mais importante. São esses números que revelam o bom desempenho da Ford (-8.690 veículos), da Hyundai (-8.619), da Toyota (+2.593), da Honda (+11.624) e da Nissan (-819). Já a Renault (-20.567) acabou perdendo a quinta posição no ranking para a Hyundai. A Mitsubishi (-6.079) tirou o décimo lugar da Citroën (-13.809). Ainda no terreno das más atuações, os prêmios Thiago Silva vão para dois modelos da Volkswagen: o Gol e o Up. O Gol porque despencou de 93.605 vendas para 44.900, número que o coloca em quinto lugar este ano, mas que lhe daria apenas o décimo em 2014. O Up porque, embora seja alemão, joga como brasileiro: saiu de um compreensível 16º lugar em 2014, quando tinha acabado de ser lançado, para um decepcionante 12º lugar em 2015, já maduro no mercado. Suas vendas: 23.035 e 27.829. Já o prêmio David Luiz vai para a esforçada picape Fiat Strada, que manteve a liderança entre os comerciais leves, mas viu suas vendas caírem de 75.318 para 54.511, enquanto a Volkswagen Saveiro, renovada, praticamente manteve sua performance: foi de 34.409 para 32.401. Outra estrela da Fiat, o Palio, que passou a ser o carro mais vendido do Brasil, perdeu 20 mil negócios este ano – seus 62.157 emplacamentos o colocariam apenas em quinto lugar antes do 7-1.

No campo das boas atuações, é preciso destacar o excepcional desempenho do novo Ford Ka, que passou a ocupar o quarto lugar no geral, com 45.988 vendas. Prêmio Robben para ele: nunca vai ser campeão, mas encanta a todos por sua atuação. Não menos expressivo foi o desempenho do novo Toyota Corolla, que teve um acréscimo de quase 7 mil unidades em suas vendas e ajudou a marca japonesa a ter um resultado melhor mesmo num ano de crise.

Mas a verdadeira seleção alemã é a Honda. Os japoneses podem não ser craques no futebol, mas estão batendo um bolão na fabricação de seus carros. É verdade que o Civic perdeu vendas (principalmente por falta de capacidade de produção da Honda), mas o City cresceu, o novo Fit também subiu e o crossover HR-V bombou, entrando no mercado com vendas muito superiores ao do eterno líder Ford EcoSport e também do novíssimo Jeep Renegade. O Honda HR-V já é o 20º carro mais vendido do Brasil, com 17.573 emplacamentos (apenas 274 unidades atrás do EcoSport, que tem dois meses e meio a mais de vendas), está prestes a liderar a categoria de SUV/crossover e leva com merecimento o prêmio Podolski, pois, assim como o craque da Seleção Alemã, tornou-se o queridinho do Brasil.

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